terça-feira, 19 de novembro de 2013

DOR DE PAI

ZERO HORA 19 de novembro de 2013 | N° 17619

MAURICIO TONETTO

DRAMA


Depois de perder a única filha mulher em um acidente causado por um motorista com suspeita de embriaguez, em Porto Alegre, administrador pretende engajar-se em campanhas contra a violência no trânsito



Enquanto via fotos e revivia a história dos 15 anos da filha Bruna Lopes Capaverde, morta em acidente na madrugada do último sábado, na Capital, o administrador de empresas Francisco Capaverde apelou: – Pense, repense no meu sofrimento. Pode acontecer contigo.

Francisco quer transformar a perda da menina em uma bandeira para os que lutam contra a imprudência no trânsito, assim como fez Diza Gonzaga, com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga. Bruna morreu quando voltava de uma festa com duas amigas, na EcoSport guiada pelo pai de uma delas. O veículo foi atingido por um Corsa, dirigido por Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos, no bairro Navegantes.

Segundo a polícia, o Corsa – encontrado mais tarde – teria cruzado o sinal vermelho e fugido do local. Diego chegou a ser detido por 12 horas no Presídio Central, mas acabou solto. Com suspeita de embriaguez, ele se negou a soprar o bafômetro e deve ser indiciado por homicídio doloso (quando se assume o risco de matar). Mais do que justiça, Francisco quer que a perda da filha não seja só “mais uma estatística”.


O desabafo de Francisco

“Normalmente, fazemos revezamento entre os pais para buscar (os filhos) nas festas e, ironicamente, não fui o escolhido para essa. Estava sossegado em casa, esperando aquela confusão da chegada das meninas – que normalmente dormiam na minha casa –, quando recebi um telefonema. Era a mãe de uma delas, dizendo para eu me dirigir ao hospital (Cristo Redentor) que havia ocorrido um acidente, mas que não me preocupasse, que não devia ser nada importante. Fui até o hospital e, chegando lá, não localizei minha filha. Nisso chegou um atendente de ambulância e me chamou em um canto. “O senhor é o pai da Bruna?”. Eu disse “sim”. “Chega aqui comigo. Aconteceu uma coisa: a Bruna faleceu”. Não, não acreditei, isso não existe, não vai acontecer comigo. Fui até o Hospital de Pronto Socorro e lá insisti, insisti, insisti, pois existem essas coisas nas festas, de uma menina estar com a identidade da outra no bolso. Tinha esperança de que não fosse minha filha. Então, fui levado até uma sala onde havia um corpo com lençol em cima. Era minha filha, não tinha o que fazer. Conversei com a minha esposa, e a gente quer justiça, que o assunto não seja mais uma estatística de feriado. Foi a minha filha, e a minha filha tem que fazer valer a falta dela. Já entrei em contato com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga e quero participar de campanhas, mostrar para os jovens que beber e dirigir não combina, e que não quero ver mais nenhum pai reconhecer o corpo de uma filha. Não quero que aconteça com o meu pior inimigo. E a única forma que entendo disso – tenho um filho mais velho e outros dois pequenos – é a conscientização. É a única forma de mudar isso. Mostrar o meu sofrimento, que não existe coisa pior do que reconhecer o filho que a gente criou, que foi tão amado. O trânsito é uma máquina de mortes, mas quero que a pessoa, na hora de fazer uma bobagem e beber e sair com o carro, pense um pouquinho no meu sofrimento, nessa cena, que é ver as pessoas que tu mais ama na vida ali, sem poder reagir, sem poder fazer nada. Tu nunca mais vai conviver com ela, nunca mais vai brigar com ela, nunca mais vai ter tua parceira, não vai poder levar ela no jogo do time de vocês. Eu, passando esse sofrimento, mostrando às pessoas, é uma forma de, pelo menos, a vida da minha filha ter um valor a mais. Todo mundo pensa “acontece na televisão”. Tchê, se tu fizeres coisa errada, pode acontecer contigo, com as pessoas que tu mais ama. Então pense, repense. Ela estava radiante, começando a conhecer a vida, fazendo as festas dela com todo apoio dos pais, dos irmãos, dos amigos, num ótimo momento. E aí, de uma hora para outra, o sonho, a possibilidade de ver uma filha profissional, mãe, é cortado.”

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A DOR DE PERDER A FILHA NA VOLTA DA BALADA


ZERO HORA 18 de novembro de 2013 | N° 17618


LETÍCIA DUARTE


DRAMA FAMILIAR. “Não temos coragem de entrar no quarto dela”

Abalados pelo acidente que matou a filha de 15 anos na volta de festa, pais da jovem esperam Justiça



Desnorteados pela morte da filha de 15 anos em um acidente de trânsito na volta de uma festa, no bairro Navegantes, em Porto Alegre, os pais de Bruna Lopes Capaverde, 15 anos, deixaram sua casa para se refugiar no sítio de um compadre em Viamão, com os outros três filhos. Saíram para adiar o confronto de memórias.

Os pais não se sentem preparados para abrir a porta do quarto da adolescente, que teve o destino abreviado na madrugada de sábado, quando a EcoSport em que estava foi atingida pelo Corsa dirigido por um jovem de 29 anos – autuado pela polícia por homicídio com dolo eventual, pelo entendimento de que teria assumido o risco de matar, por ter apresentado sinais de embriaguez e fugido do local.

– A gente não sabe o que fazer. Não temos coragem de entrar no quarto dela. Ainda não conseguimos contar para os pequenos. É como se ela estivesse viajando. Mas não vamos deixar passar em branco. Não é questão de vingança, mas esse caso precisa ser exemplar para que não volte a acontecer – desabafou o pai, o administrador de empresas Francisco Capaverde, 50 anos.

Aluna do 1º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Piratini, Bruna voltava de uma festa na Farms, no Shopping Total, na Capital, na companhia de duas amigas, quando o choque ocorreu, por volta das 5h30min de sábado. As três eram conduzidas pelo pai de uma das adolescentes, cumprindo ritual de revezamento criado entre as famílias para que as filhas fossem conduzidas em segurança no ir e vir das baladas.

No cruzamento das avenidas Pernambuco e Brasil, a EcoSport colidiu com o Corsa branco conduzido por Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos. Com o impacto, o veículo em que Bruna estava capotou. Ela morreu no local e as duas amigas ficaram feridas. O motorista do Corsa fugiu pela Avenida Pernambuco na contramão, sendo localizado em seguida por agentes da EPTC, perto da ponte do Guaíba.

Como se recusou a realizar o teste do bafômetro, o motorista do Corsa foi submetido a exame clínico que apontou “hálito duvidoso” – o que evidenciava “sinais clínicos de estar sob influência de álcool”, como consta no laudo – embora sem alteração da capacidade psicomotora. Mesmo assim, o delegado plantonista entendeu que as provas testemunhais eram suficientes para enquadrá-lo por embriaguez, além de outros agravantes, como fuga do local e suspeitas de que teria cruzado o sinal vermelho. Às 11h de sábado, o condutor chegou a ser encaminhado ao Presídio Central, onde permaneceu por 12 horas, até conseguir a liberdade provisória.

– Há sinais fortes de que houve dolo eventual e, se for confirmado, ele vai a júri – afirma o delegado Cristiano Reschke, da Delegacia de Homicídios de Trânsito, que a partir de hoje começa a ouvir testemunhas e sobreviventes.

O motorista da EcoSport foi submetido ao bafômetro e nenhuma alteração foi constatada.

Cientes de que nada trará a filha de volta, os pais torcem por justiça – e fazem planos de se engajar em campanhas de conscientização de trânsito, para evitar que outras famílias passem o que eles estão passando.

domingo, 10 de novembro de 2013

COLISÃO MATA CINCO PESSOAS NO INTERIOR DO RS

IJUI NEWS, 10/11/2013

Colisão entre dois carros mata cinco pessoas na ERS-514, na Linha 13, em Ajuricaba



Cinco mortos e quatro feridos no acidente deste domingo em Ajuricaba.


A colisão frontal entre dois carros matou pelo menos cinco pessoas e deixou outras quatro feridas, às 6h deste domingo (10/11), na ERS-514, na Linha 13, interior do município de Ajuricaba.

As vítimas participaram da Festa Encontro das Feras, no Clube 29 de Maio de Ajuricaba, e voltavam para casa.

Segundo a Polícia Rodoviária Estadual de Cruz Alta, um Astra com placas de Santa Rosa, mas pertencente a um morador de Ijuí, trafegava em alta velocidade no sentido Ajuricaba-Chorão e bateu de frente com um Golf de Ajuricaba, que voltava à cidade depois de deixar a namorada em Ijuí

O Golf pegou fogo. O motorista Renato Mafalda Rodrigues, 23 anos, morreu carbonizado. Ele viajava sozinho.



Renato Mafalda

No Astra estavam oito pessoas moradoras dos bairros Osvaldo Aranha, São Paulo e Lambari, de Ijuí.

O motorista Alexandro Delfina, 23 anos, e os passageiros Giovani Kuchak Almeida, 26, Edenilson Antunes, 23 anos, e Luana Soares da Chaga Fim, de 16 anos, morreram no local.



Aléx Giovani Edenilson

Deste mesmo veículo foram hospitalizados e passam por avaliação médica no Hospital de Caridade de Ijuí; Leonardo dos Reis de Moura, 18 anos, Janine Mara Lautert, 18, Jaqueline Soardi Becker, 18, e Osmar de Camargo Júnior, de 19 anos.

A Brigada Militar foi acionada quando o paciente Leonardo dos Reis de Moura deu entrada no Pronto Socorro do Hospital, pois com ele foi encontrado 10 petecas de cocaína. O registro do fato foi feito na Delegacia de Polícia.
 Vídeo e Fotos: Abel Oliveira


RS REGISTRA PELO MENOS 9 MORTES NO TRÂNSITO NO FIM DE SEMANA

ZERO HORA 10/11/2013 | 08h06

Estado registra pelo menos nove mortes no trânsito neste fim de semana. Acidente mais grave ocorreu na Freeway e matou três pessoas


Caminhonete invadiu lavoura em São Francisco de AssisFoto: Arami Fumaco / Especial

Pelo menos nove pessoas morreram em acidentes de trânsito no Estado neste fim de semana. Entre a madrugada de sábado e a madrugada de domingo, foram registrados sete acidente com vítimas fatais. O mais grave ocorreu na Freeway, em Glorinha. Por volta das 17h deste sábado, um veículo Zafira capotou após sair da pista no km 48, provocando a morte de três pessoas (duas delas crianças) e deixando outras quatro feridas.

No início da tarde de sábado, William Ferreira de Quadros, de 20 anos, morreu em São Francisco de Assis, após cair em um barranco. Segundo a polícia, chovia no horário do acidente.

Em Flores da Cunha, no km 108, na tarde de sábado, um caminhão invadiu a pista contrário e chocou-se de frente com um paredão de pedra, causando a morte do motorista.

Um homem morreu após colidir a moto que pilotava contra um caminhão na RSC-287, em Montenegro. O acidente ocorreu por volta das 3h30min deste sábado, no km 15 da rodovia.

Na BR-285, entre Santa Bárbara e Panambi, às 7h30min deste sábado, um Corsa Wind com placas de Panambi saiu da pista e caiu em uma ribanceira.Morreu Andreia de Souza, 22 anos, que conduzia o veículo.

Em Porto Alegre, Gelson Bueno da Rosa, 35 anos, condutor de um Ford Fiesta colidiu por volta das 7h contra um poste na Estrada João de Oliveira Remião e morreu no local. O acidente aconteceu em torno das 7h de sábado.

Uma colisão lateral entre um caminhão e um veículo Kadett resultou na morte do motorista do carro em Ibirubá. O acidente ocorreu por volta das 17h no quilômetro 52 da RS-223, noroeste do Estado. Vagner Barbosa, 31 anos, morreu a caminho do hospital.

Um outro acidente impressionou neste sábado. Dois homens ficaram feridos depois que uma caminhonete invadiu um posto de combustíveis em Boa Vista do Buricá, no noroeste do Estado. O veículo, conduzido por Celso Antonow, 61 anos, saiu da pista na altura do km 122 da BR-472 e colidiu com um filtro de diesel do posto antes de bater em um automóvel Fiat Uno. Dois frentistas, Neri João Engster, 42 anos, e Dirson Ames, 47, ficaram feridos na colisão e foram encaminhados para hospitais de Santa Rosa e Três de Maio, respectivamente.

domingo, 3 de novembro de 2013

QUEDA DE ÔNIBUS DEIXA PELO MENOS QUATRO MORTOS NA ERS 115

Queda de ônibus deixa pelo menos quatro mortos em Passo Fundo Fernanda da Costa/Agência RBS

ZERO HORA ONLINE 03/11/2013 | 10h55


Queda de ônibus deixa pelo menos quatro mortos em Passo Fundo Fernanda da Costa/Agência RBS. Coletivo saiu da pista em uma curva da ERS-115


Fernanda da Costa, de Passo Fundo



Um ônibus que saiu do Paraguai com destino a Nova Prata, na Serra, caiu de uma ponte na ERS-135, em Passo Fundo, no norte do Estado. Segundo as primeiras informações da Brigada Militar, pelo menos quatro pessoas morreram _ dois homens e duas mulheres _ e mais de 30 ficaram feridas. A identidade das vítimas ainda não foi confirmada.

O veículo, com placas de Nova Prata, teria caído de um barranco, no km 2, que tem entre 25 e 30 metros. O acidente ocorreu por volta das 8h deste domingo. Um motorista que passava pelo local avistou à cena e avisou à polícia.

Várias ambulâncias se deslocaram para o local para atender os feridos. Há informações de que foi solicitado apoio dos municípios de Coxilha, Casca e Erechim. Ambulâncias do Samu de Carazinho, Passo Fundo, Marau e Tapejara prestaram socorro, além de bombeiros de Passo fundo e Marau.

As vítimas foram levadas para o Hospital São Vicente de Paulo e Hospital da Cidade, ambos em Passo Fundo. Até as 10h30min, 28 pessoas haviam dado entrada no primeiro _ dois deles estão em estado grave. Na segunda instituição, 10 feridos foram registrados _ todas mulheres.

Por se tratar de um local de difícil acesso, integrantes de um grupo de jipeiros teriam auxiliado na retirada dos feridos.

Informações preliminares dão conta de que o motorista teria se perdido em uma curva, capotado e descido o barranco. O sargento Inédio Piccini, do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) de Passo Fundo, disse que a curva em que o coletivo capotou é muito aberta e perigosa:

— É muito comum veículos grandes não conseguirem vencê-la. Este é um ponto também que não tem acostamento, o que dificulta ainda mais a situação. Uma barreira de proteção havia sido colocada, mas foi quebrada devido à queda de um caminhão de combustível no mesmo local há poucos dias.

O teto do veículo foi arrancado com a força da capotagem. Os proprietários da empresa Turis Prata informaram que devem comparecer ao local para buscar as marcadorias compradas pelos clientes no Paraguai.

A perícia foi até o local para fazer a liberação dos corpos.


ZERO HORA

sábado, 2 de novembro de 2013

A DETERIORAÇÃO DAS ESTRADAS



ZERO HORA 02 de novembro de 2013 | N° 17602

EDITORIAIS


Pesquisa recém divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) confirma em números a percepção de quem dirige de forma rotineira pelo Estado: do ano passado até agora, a situação das rodovias gaúchas se deteriorou consideravelmente. A piora é percebida de forma mais acentua-da nas rodovias sob responsabilidade dos governos estadual e federal, que apresentam níveis de dificuldades muito superiores aos das concedidas pela iniciativa privada. O resultado aponta para a urgência de novos investimentos nas estradas, particularmente no que se refere à pavimentação e à duplicação das mais perigosas e movimentadas.

A situação no Rio Grande do Sul não é muito diferente da registrada no país de maneira geral, já que o levantamento registrou em âmbito nacional uma queda no percentual de entrevistados que apontam condições favoráveis. Preocupa, porém, o fato de, no Estado, o percentual de rodovias que pode receber o conceito bom e ótimo ter caído de 58,7% para apenas 48,9%. O aspecto mais grave é que, na maioria dos casos, os problemas apontados implicam riscos à segurança dos usuários, pois se referem a casos de erosão na pista e a buracos no asfalto. Além disso, contribuem para encarecer o frete, levando o consumidor a arcar com o custo final. Os problemas se mantêm devido à escassez de investimentos, à falta de fiscalização sobre veículos mais pesados e a equívocos nas fases de planejamento e execução das obras. É isso que dá margem a constantes engodos na prestação de serviços por parte de empreiteiras, a desperdício de recursos e mesmo a casos de corrupção.

Um Estado que depende basicamente das rodovias para o deslocamento da população e o transporte de mercadorias precisa encontrar formas de contornar a falta de recursos oficiais para investir mais nessa área. Se não há recursos orçamentários, a alternativa é buscá-los fora, apostando em alternativas como as parcerias público-privadas, por exemplo. O inadmissível é que, por restrições de toda ordem, inclusive ideológicas, o Rio Grande do Sul continue impondo um custo tão elevado para a sociedade, impedindo sua economia de melhorar os níveis de produtividade devido a deficiências de infraestrutura.

Qualquer que seja a reação, o poder público, em âmbito estadual e federal, só terá melhores condições de reverter esse quadro quando alcançar níveis de excelência em planejamento, na execução de projetos, na redução da burocracia e na capacidade de fiscalizar com rigor questões como excesso de peso nas estradas. Mas é preciso que invista também para desafogar as rodovias, apostando mais nos sistemas hidroviário e ferroviário.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

MAIS BURACOS



ZERO HORA 01 de novembro de 2013 | N° 17601

Estradas gaúchas estão piores, aponta pesquisa

Levantamento da CNT mostra queda nos índices de conservação das rodovias em relação a 2012



Os dados da Pesquisa Confederação Nacional do Transporte (CNT) de Rodovias 2013, divulgados ontem, retratam uma situação muitas vezes sentida na pele de usuários que circulam pelas estradas gaúchas. Os índices de satisfatórios (ótimo e bom) sobre a conservação dos trechos no Estado apresentam piora desde 2010. Nesta edição, não foi diferente.

Do total de 8.255 quilômetros avaliados – 5.525 nas mãos do setor público e 2.730 com concessionárias –, 48,9% estão em condições ótimas e boas. No ano passado, o índice era de 58,7%, número que abrange estradas federais e estaduais. Foram avaliados pavimento (59,9% de ótimo e bom), sinalização (52,1%) e geometria da via (22,1%).

As rodovias conservadas pelo poder público têm 37,5% de ótimo e bom, contra 72% das administradas por concessionárias. O índice é de 56,5% quando se refere à extensão federal e 31,8% no que diz respeito à estadual.

Há seis pontos considerados críticos (que trazem graves riscos à segurança dos usuários): dois são erosão na pista e quatro são referentes a grandes buracos.

O estado geral das rodovias brasileiras também teve piora no último ano. Conforme a pesquisa, 63,8% da extensão avaliada apresenta alguma deficiência no pavimento, na sinalização ou na geometria. Em 2012, o índice havia sido de 62,7%. Também aumentou o número de pontos críticos, que passaram de 221 para 250. De acordo com o estudo, a maior parte da extensão pesquisada (88%) é formada por pistas simples e de mão dupla, e 40,5% do total avaliado não possuem acostamento.

Conforme o presidente da CNT, senador Clésio Andrade, a estatística mostra a necessidade urgente de aumentar os investimentos nas rodovias brasileiras, principalmente em duplicação.

– O governo tem uma dificuldade gerencial. Muitos projetos não saem do papel. Há um excesso de burocracia. Os investimentos precisam ser ampliados de fato para que o Brasil possa melhorar sua competitividade – diz o senador.

Esta é a 17ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, na qual foram avaliados 96.714 quilômetros em 30 dias de coleta em campo. É pesquisada toda a malha federal pavimentada e as principais rodovias estaduais. O órgão estima que as rodovias brasileiras necessitam de R$ 355,2 bilhões em investimentos, mas informa que o governo federal autorizou bem menos: R$ 12,7 bilhões.

Os valores estaduais não foram contabilizados. Cerca de 66% da movimentação de cargas e 90% da movimentação dos passageiros ocorrem pelas rodovias do Brasil.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Qual é a razão de existir uma polícia rodoviária? Entre as atribuições de uma polícia rodoviária está o exercício dos "poderes de autoridade de polícia de trânsito, cumprindo e fazendo cumprir a legislação e demais normas pertinentes, inspecionar e fiscalizar o trânsito", e assegurar a livre circulação nas rodovias, "podendo solicitar ao órgão rodoviário a adoção de medidas emergenciais". Assim, podemos afirmar que a razão da existência de uma polícia patrulhando as rodovias não é só multar, mas prover segurança pública aos usuários destas rodovias, sendo que a fiscalização e a aplicação de multas são atribuições inerentes a este objetivo social. Não estarão se omitindo os gestores e policiais rodoviários, estadual ou federal, que permitem a existência de buracos nas vias que podem causar acidentes com perdas de vidas e patrimônios? E a justiça civil e criminal que age com descaso nesta área e permite a cobrança por serviços que não existem?