segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

JORNALISTA CICLISTA MORRE ATROPELADO EM SC



ZERO HORA 28 de dezembro de 2015 | N° 18398


SANTA CATARINA

Jornalista gaúcho morre após ser atropelado em Florianópolis. RÓGER BITENCOURT pedalava na rodovia SC-401 com mais cinco pessoas



O ciclista e jornalista Róger Bitencourt, 49 anos, morreu após ser atropelado por um carro, na manhã de ontem, em Florianópolis. Ele pedalava na SC-401 e foi atingido próximo ao viaduto de Jurerê.

Gaúcho de Porto Alegre, Róger morava há 22 anos em Santa Catarina, onde era vice-presidente da Associação Catarinense de Imprensa. No momento da batida, ele pedalava com mais cinco pessoas pelo acostamento da rodovia, no sentido bairro-centro. Conforme Sander Demira, um dos membros da equipe, ele e o colega Jacinto Silveira iam à frente do pelotão quando foram atingidos por uma Parati de cor preta, que rodou alguns metros até parar.

Sander conta que algumas pessoas retiraram a chave da ignição e impediram a fuga do motorista, Gustavo Raupp Schardosim, que, de acordo com o cabo Cristiano Lemonie, da Polícia Militar Rodoviária (PRMv), apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame de sangue e foi encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia de Florianópolis. O médico que atendeu a ocorrência, no entanto, atestou que ele não estava embriagado. Schardosim, 39 anos, segue detido.

A outra vítima, Jacinto Silveira, foi encaminhada para o Hospital Celso Ramos com escoriações e lesões pelo corpo, mas está bem.

No tempo livre, Róger treinava para provas de triatlo e maratonas. Formado em Jornalismo pela PUCRS, trabalhou no Diário Catarinense e na RBS TV. Atuou também como professor de Jornalismo da Univali (Itajaí) e da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi secretário estadual de Comunicação e era sócio-fundador da Fábrica de Comunicação. Deixa a esposa e uma filha.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

TRÂNSITO, UMA TRAGÉDIA QUE ASSOLA MUITO O BRASIL



JORNAL DO COMÉRCIO 27/10/2015


Os acidentes rodoviários matam cerca de 1,25 milhão de pessoas por ano, de acordo com um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, muitos acidentes são evitáveis, e países pobres são desproporcionalmente afetados.

Sabe-se que os acidentes rodoviários matam mais homens do que mulheres e são a maior causa de morte de jovens de 15 a 29 anos em todo mundo. Além das vidas, é um ônus financeiro, custando à economia global cerca de 3% do PIB. Nos países pobres e de renda média, onde ocorrem 90% das mortes mas onde estão apenas metade dos veículos conduzidos no mundo , esse percentual sobe para até 5%.

O pior para o Brasil é que, em 2013, foram 41.059 pessoas mortas em acidentes de trânsito. Isso equivale a 112 pessoas mortas por dia durante um ano.

Dentre os países das Américas, o Brasil apresenta uma taxa de mortalidade de 23,4 por 100 mil habitantes. Ficamos, tristemente, apenas atrás da República Dominicana.

Para nós, latino-americanos, o automóvel é muito mais do que símbolo de status; representa a sensação de poder. Atrás de um volante, muitos homens se tornam autênticos donos do mundo. Por isso, correm demais, não obedecem sinalização e, menos ainda, faixas de segurança.

Também deve-se lembrar, por uma questão de justiça, que os pedestres não colaboram muito para que o trânsito em geral seja melhor. A campanha que alerta no trânsito, somos todos pedestres parece ter pouco efeito prático.

Com 800 mil veículos, basicamente automóveis ou caminhonetes, Porto Alegre, com 1,5 milhão de habitantes, tem um trânsito saturado. Até os anos de 1980, só pessoas abastadas tinham automóveis. Por isso, era o sonho de consumo da maioria das famílias, vindo até mesmo antes da famosa casa própria. Com a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH), ficou mais acessível adquirir uma residência, fosse apartamento, ou mesmo uma casa tradicional.

Passadas três décadas após o fim do BNH, por causa da demagogia em não reajustar as prestações diante da inflação mais alta que havia, chegou a vez da popularização dos automóveis. Isenções fiscais, muito financiamento e automóveis populares, os folclóricos 1.0, tornaram felizes milhões de brasileiros.
Não que antes não fabricassem modelos baratos, como também, na época, o popular "Pé de boi". Porém, à entrada de milhões de veículos em circulação não correspondeu uma conscientização para mais cuidados em ruas, avenidas e estradas.

Por isso, é uma rotina, após os fins de semana, que sejam contabilizadas vítimas no Rio Grande do Sul e quase uma centena em todo o Brasil. Famílias inteiras são dizimadas na loucura da correria, do descuido, do descumprimento de regras, como a mais básica de todas, não ultrapassar em locais proibidos, geralmente antes de curvas, com a faixa dupla que separa as pistas.

Tudo indica que devemos colocar nos currículos escolares, desde o Ensino Fundamental, aulas para a conscientização de como dirigir e cuidados inerentes para motoristas e pedestres.

Como os jovens, tão logo completam 18 anos, praticamente exigem dos pais o exame para tirar a Carteira Nacional de Habilitação, são eles que, com a volúpia de velocidade e o natural destemor da idade, acabam morrendo mais do que nas outra sfaixas etárias.

Enfim, carro, hoje, tanto pode ser prazer como uma viagem sem volta, em que a morte espreita a cada curva do caminho. Então, educar sempre é a solução.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

VER E SER VISTO


JORNAL DO COMÉRCIO 22/10/2015



Rogério T. Brodbeck




Nosso Estado se caracteriza, em termos de clima e temperatura, por apresentar, por vezes, num só dia, as quatro estações do ano. Isso não sou eu quem diz, é a cultura popular e os "estrangeiros" que aqui aportam, notadamente os do Norte-Nordeste, que muito estranham não só o frio, mas as violentas variações climáticas.

Essas oscilações têm reflexos bem sérios no trânsito nosso de cada dia. E não só nas rodovias, mas também nas vias urbanas. Principalmente no inverno, mas também nas demais estações, nossas regiões, de um modo geral, apresentam, em determinadas horas do dia, o fenômeno da cerração, (ou neblina, ou nevoeiro) quando praticamente não se enxerga a pouco mais de alguns metros adiante.

Ainda bem que muitos dos modelos de nossos veículos vêm hoje equipados com os tais faróis antineblina que muitos espertos insistem em trocar a lâmpada âmbar pelas de xenon para iluminar mais adiante, o que não é a função desse equipamento. Todavia, a maioria da frota não conta com esse opcional, o que não deixa de ser um recurso a menos para aqueles que viajam muito nessas condições.

Então, nesses casos, há que se acender os faróis baixos (a luz alta não adianta nada, só espalha a cerração...) para que os demais condutores possam ver o veículo. Sim, porque no trânsito é mais importante o "ser visto" do que o "ver". Ou seja, quem dirige precisa enxergar o que trafega à sua frente e à sua retaguarda para que possa manter distância segura.

Por isso, não só em dias de cerração, mas em todos aqueles em que a visibilidade é baixa (chuva, nublado, céu encoberto, garoa etc.), trafeguem sempre com os faróis baixos acesos, uma medida que, aliás, está para se tornar obrigatória dia e noite por um projeto de lei recém aprovado na Câmara dos Deputados. Esse procedimento já é obrigatório no caso das motocicletas (muitos pilotos não a cumprem...) e em vários países como no vizinho Uruguai, por exemplo, e já foi, em determinada época, nas rodovias. Luz acesa para poder ser visto, portanto.


Jornalista, advogado e oficial reformado da Brigada Militar

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SE É PELA SEGURANÇA,QUE VOLTEM OS PEDÁGIOS



ZERO HORA 25 de setembro de 2015 | N° 18305


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira





Desde que se encerraram os contratos de concessão de estradas estaduais e federais, quem circula pelo Rio Grande do Sul acompanha a deterioração do asfalto, da sinalização e dos acostamentos de BRs essenciais ao escoamento da produção, como a BR-290 e a BR-386. As estradas estaduais pedagiadas passaram para a EGR, que faz algum tipo de manutenção, mas as de responsabilidade do Daer estão repletas de buracos.

Ontem, três homens morreram na BR-290, em Eldorado do Sul, e dois na BR-386, em São José do Erval. Seria irresponsabilidade culpar a estrada pelas mortes, quando se sabe que o acidente quase sempre é produto de uma combinação de fatores, mas essas duas tragédias servem de mote para se discutir a situação das estradas e a necessidade de buscar uma solução.

Se é para a segurança, que voltem os pedágios. Com preços justos e exigência de obras que os antigos contratos não tinham. De nada adianta berrar que pagamos um IPVA caríssimo e outros tantos impostos e que a responsabilidade deveria ser do poder público. Sabemos que governos falidos não investirão o que é necessário em estradas e que as concessões são a alternativa. Não há pedágio mais caro do que a perda de vidas em consequência da má conservação de vias em um país que, no passado, fez a opção equivocada pelo modal rodoviário e acabou com os trens de passageiros.

Quando assumiu o Piratini, Tarso Genro sabia que os contratos tão criticados pelo PT terminariam durante o seu governo. Poderia ter feito nova licitação, em condições melhores, mas preferiu criar uma estatal, a EGR, e devolver as rodovias federais à União. O Dnit demorou para fazer os contratos de conservação e o resultado são estradas que lembram crateras lunares.

José Ivo Sartori diz que fará concessões em parceria com o governo federal, mas não demonstra pressa. Em nove meses, já poderia ter licitado estradas estaduais, como a ERS-324, a Estrada da Morte, que deverá ser assumida por uma empresa privada no trecho entre Passo Fundo e Nova Prata. O que está esperando, não se sabe.



POR UMA FATIA MAIOR

O movimento dos prefeitos gaúchos em defesa da distribuição mais justa da arrecadação com impostos marcará a sexta-feira com uma série de protestos pelo Estado. Ontem, o presidente da Famurs, Luiz Folador (E), mostrou uma maquete simbolizando a divisão de recursos entre os três entes da federação. Hoje, municípios ficam com 18% do dinheiro obtido com impostos, Estados, com 25%, e a União, com 57%.

A entidade apresentou detalhes de pesquisa feita com prefeitos e ressaltou que 96% das prefeituras tiveram de cortar despesas em 2015. A principal estratégia para cortar gastos é a redução da jornada de trabalho, a restrição de viagens e a diminuição de despesas administrativas.

Nos protestos marcados para hoje, haverá ponto facultativo e paralisação em 345 cidades. Prefeitos prometem bloquear rodovias e distribuir panfletos para chamar a atenção da população. Em algumas cidades, como Guaíba e Porto Alegre, as prefeituras decidiram manter as atividades e apenas organizar atos de protesto.



ALIÁS

Por sugestão do deputado Jerônimo Goergen (PP), o Tribunal de Contas fará inspeção especial no sistema de fiscalização do trânsito de mercadorias, abrangendo atuação e estrutura dos postos da Secretaria da Fazenda.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

PREJUÍZOS CAUSADOS POR BURACOS PODEM SER COBRADOS DO PODER PÚBLICO


ZERO HORA 28/07/2015 | 17h07


SAIBA COMO. Advogada especialista em direitos do consumidor explica o que é preciso para pedir o ressarcimento e esclarece em quais casos a Justiça pode ser acionada



Em trechos da Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, o asfalto ficou bastante danificado após a chuvara Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Luã Hernandez


Os buracos tomaram conta das ruas nas últimas semanas. Se já são comuns em dias sem chuvaradas, se multiplicaram no Rio Grande do Sul após a sequência de enxurradas. O que muitos não sabem é que em caso de danos — físicos ou materiais — as pessoas podem acionar a Justiça e pedir ressarcimento dos gastos que tiveram, seja com idas ao médico ou com prejuízos com o carro.


A advogada da Campos Escritórios Associados Fabiane Moura, especialista em processo civil e direitos do consumidor, explica o que é preciso para cobrar do Poder Público ou da concessionária responsável e em quais casos a Justiça pode ser acionada.

— Quando você tem seu carro danificado tem que fazer um boletim de ocorrência, tirar fotografias do local, do buraco, e, de preferência, tenta buscar testemunhas para te auxiliar lá na frente. É preciso ter o máximo possível de provas para que o juiz te dê ganho de causa. Se houve dano material, é preciso fazer pelo menos três orçamentos para apresentar à Justiça. Se houve lesão, leve laudo médico, receita, tudo que possa servir como prova — destaca.


Fabiane ainda esclarece que o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor do serviço é responsável pela qualidade do trabalho prestado. Ou seja, se seu carro cair em um buraco em uma rodovia, onde uma concessionária é encarregada da manutenção da pista, é dela que o consumidor irá cobrar. No caso de prejuízo dentro da cidade, onde a prefeitura municipal é responsável, ela será responsabilizada conforme o Código Civil.


Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Outra situação que também é passível de ressarcimento e até mesmo indenização é relacionada a buracos nas calçadas. Se você se machucou em um deles, junte as mesmas provas que no caso anterior e procure a Justiça.

A advogada deixa claro que o prazo para o julgamento da ação é indefinido. Pode ser rápido, assim como pode levar anos. Fabiane também indica os caminhos para o consumidor buscar seus direitos:

— Dependendo do prejuízo pode ser na Justiça comum (não há um valor máximo para o ressarcimento) ou no Juizado Especial Cível, o Juizado de Pequenas Causas (ações de até 20 salários mínimos sem advogado ou até 40 salários mínimos com advogado).


* Diário Gaúcho

sábado, 18 de julho de 2015

CINCO PESSOAS PERDERAM A VIDA EM ACIDENTES DE TRÂNSITO NAS RODOVIAS DO RS



Cinco pessoas perderam a vida em acidentes nas rodovias gaúchas na madrugada deste sábado. Acidentes foram registrados entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado

ZERO HORA 18/07/2015 - 06h27min



Cinco pessoas foram vítimas da violência no trânsito em rodovias do RS entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado.

Em Pedro Osório, no sul do Estado, um acidente envolvendo três veículos deixou três pessoas mortas e outras quatro feridas, na BR-116. O acidente ocorreu por volta das 19h30min. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a colisão entre um Fiesta, um Uno Mille e uma Kombi aconteceu na altura do km 571. Morreram na hora do acidente, Carlos Cleber Correa Mota e Adão Hernandes Rodrighiero, que estavam na Kombi e Olmiro Ferreira Schmidt, que estava no Uno. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dos outros quatro feridos.

Em Bom Jesus, por volta das 22h30min desta sexta-feira, uma mulher morreu em um acidente na BR-285, na altura do km 70,4. Segundo a PRF, um Citroen C3, com placas de Cavaria, capotou após colidir no canteiro central no trevo de acesso ao Passo do Governador. Segundo a ocorrência, haviam três pessoas no carro. Eles foram encaminhados em estado grave ao Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria. Rudinara Rodrigues, uma das passageiras, morreu no hospital. O condutor foi submetido ao teste de bafômetro que acusou 0,14mG/L. Os ocupantes não estariam usando o cinto de segurança.

Em Butiá, o condutor de um Gol, com placas de Minas do Leão, morreu ao colidir com um caminhão, com placas de Taquari, na altura do km 176 da BR-290. O acidente ocorreu por volta das 1h30min deste sábado. O motorista do caminhão não sofreu lesões.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A INDÚSTRIA DA MULTA




ZERO HORA 14 de julho de 2015 | N° 18226


LEONARDO MÜLLER*




Quase 1,5 milhão de multas já foram aplicadas nas rodovias, ruas e avenidas do Rio Grande do Sul nos primeiros cinco meses deste ano. Isto é quase 50% de aumento comparado com mesmo período do ano passado. São 400 mil infrações a mais!

Eu fiz essa pesquisa (site do Detran-RS) depois de ler várias reclamações dos meus amigos no WhatsApp sobre o excesso de radares móveis nas estradas. Alguns dos equipamentos que ficam nas mãos dos policiais rodoviários são capazes de flagrar o motorista acima da velocidade a até um quilômetro de distância.

Sim, estão multando mais, como perceberam meus amigos. Também fui atrás dos motivos. Resumem-se a dois: melhores equipamentos e gestão mais inteligente.

A Polícia Rodoviária Federal informou que uma operação iniciada no final do ano passado, que coloca pardais em sequência nos trechos mais violentos, está dando bons resultados. Multa os apressadinhos e diminui os acidentes. Nas estradas federais, já foram registradas quase 300 mil multas a mais do que no ano passado, comparando também os cinco primeiros meses do ano. Nesse número, estão incluídas infrações registradas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

A Polícia Rodoviária Estadual também coloca na conta dos radares móveis o aumento do número das multas. Trinta equipamentos, todos os dias, estão apontados para os carros. Nas estradas estaduais, são quase 100 mil multas a mais, incluindo o trabalho do Daer e do Detran-RS. Também é preciso ressaltar a operação de novos pardais.

A multa se torna uma indústria. Isso porque o dinheiro arrecadado com os infratores tem que gerar melhorias nas estradas. O Código de Trânsito Brasileiro é claro. “Art. 320. A receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito”. A falta de recursos não pode ser desculpa para suspender investimentos no trânsito gaúcho.

*Apresentador e repórter da TVCOM RS

sexta-feira, 10 de julho de 2015

EMBRIAGUEZ NO TRÂNSITO GEROU CONDENAÇÃO POR MORTES




ZERO HORA 10 de julho de 2015 | N° 18222


EMBRIAGUEZ NO TRÂNSITO


Condenado a 15 anos e nove meses de prisão



MOTORISTA FOI ACUSADO de provocar acidente com duas mortes em agosto de 2013, em Lajeado.

Depois de 15 horas de julgamento no Fórum de Lajeado, no Vale do Taquari, o pedreiro Altair Teixeira Carvalho, 36 anos, foi condenado ontem a 15 anos e nove meses de prisão por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Desde agosto de 2013, ele está detido no Presídio Estadual de Lajeado, após causar um acidente que resultou na morte de pai e filho na BR-386, nas proximidades do Shopping Lajeado.

Na ocasião, além de estar com a carteira de habilitação suspensa, o condutor fugiu do local e acabou preso horas depois, em casa, dormindo. O teste do bafômetro indicou 0,8 miligramas de álcool por litro de ar expelido (mais do que o dobro do limite).

Como já cumpriu um sexto da pena, os advogados entrarão com um pedido para que Carvalho vá para o regime semiaberto. Para Zanone Júnior, um dos advogados do réu, a pena foi mais rigorosa do que o esperado. O motivo, segundo o advogado, são multas e problemas relacionados ao trânsito anteriores ao acidente. O pedreiro, no entanto, não quis recorrer da sentença.

– Ficamos surpresos pela atitude do nosso cliente. Mas ele não quer recorrer. Está trabalhando no presídio desde que foi detido e deve continuar com bom comportamento – afirmou Zanone.

Por volta de 23h do dia 3 de agosto de 2013, o casal Lissandro Stroher de Mello, 36 anos, e Janaína Estigarriba da Silva, 31 anos (hoje com 33), viajava em uma Pajero com os filhos Igor, 11 anos, e Larissa, sete anos, de Santa Maria para Caxias do Sul. Carvalho, que seguia no sentido contrário, perdeu o controle do automóvel Gol e colidiu contra a lateral da Pajero. Mello e Igor, que estavam no lado esquerdo da caminhonete, morreram na hora. Janaína e Larissa sofreram ferimentos leves.

Em fevereiro deste ano, conforme reportagem publicada por Zero Hora, Carvalho era o único motorista preso sob a acusação de homicídio de trânsito em todas as cadeias do Rio Grande do Sul.

Janaína viajou de Caxias para Lajeado, na companhia de parentes e amigos, para participar do júri como testemunha. A promotoria procurou enquadrar as duas mortes causadas no acidente no artigo 121 do Código Penal (homicídio doloso), com pena prevista de seis a 20 anos de reclusão. A omissão de socorro foi relacionada ao artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro, cuja pena é de seis meses a um ano de detenção (ou multa). A defesa tentou desclassificar os casos de homicídios dolosos para culposos (a pena seria de dois a quatro anos de reclusão para cada morte).

segunda-feira, 22 de junho de 2015

PONTES INSEGURAS NO RS

ZERO HORA 22/06/2015 - 04h03min

Precariedade de infraestrutura exige reformas em 30 pontes do Rio Grande do Sul. Estruturas velhas sem manutenção, excesso de carga nos caminhões e carência de técnicos nos órgãos responsáveis agravam situação de travessias no Estado

Por: Caio Cigana
*Colaborou Humberto Trezzi




Ponte Guarita, que liga duas cidades no Noroeste, é exemplo de precariedade e corre risco de sucumbir Foto: Diogo Zanatta / Especial


O descontrole sobre o estado das pontes no Rio Grande do Sul, agravado pela falta de fiscalização do excesso de carga nos caminhões, põe à prova a sorte de quem circula pelas estradas. Estruturas antigas sem manutenção, carência de técnicos nos órgãos responsáveis e verbas escassas se somam para potencializar o risco de quedas.

O caso mais recente no Estado é o da centenária ponte Júlio de Castilhos, em 31 de maio, em Jaguari, na Região Central. Sem suportar o peso de carreta bitrem, a travessia sucumbiu e reacendeu o alerta para a necessidade de medidas preventivas para melhorar as condições de segurança das pontes. A carência de técnicos no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (Daer) é nítida: de 850 pontes e viadutos em vias estaduais, cerca de 60% ainda precisam passar por vistoria. Outro dado alarmante é que, das 317 estruturas já avaliadas, 30 precisam de intervenção urgente.


Atento à deficiência, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) promete começar a auditar no próximo mês os planos de manutenção de pontes do Daer, da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e dos 497 municípios. A iniciativa dá prosseguimento a um levantamento tornado público em janeiro, cujo resultado demonstrou que o Daer e 10 municípios analisados, que compreendem um terço da população, não tinham um inventário completo das obras de arte sob sua reponsabilidade – pontes, viadutos e túneis –, plano completo de manutenção das estruturas ou informação como data da última vistoria.

Diante do quadro, foram enviados ofícios para os gestores avisando que estes pontos passarão a ser mais cobrados no ciclo anual de auditorias. Além da questão da segurança, as pontes são importantes para a atividade econômica e o desenvolvimento regional no Estado, observa o TCE.

– Comunicamos que faríamos este trabalho para que tomassem providências. Vamos olhar documentos comprobatórios de vistorias e ver se há no orçamento verba separada para reparos – exemplifica a auditora do TCE Andrea Mallmann, que prevê ter concluídas as auditorias em abril de 2016.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-RS), Melvis Barrios Junior, o caso de Jaguari e outros de queda de pontes ocorridos no Estado nos últimos anos não são problemas pontuais.

– A situação é simples. Não existe manutenção nas pontes das rodovias estaduais e federais. As rodovias estão praticamente abandonadas, em péssimo estado de conservação. Essa si­tua­­ção só tende a se agravar e os levar a um colapso – diz Barrios, que também critica a falta de sinalização indicativa de capacidade de peso nas pontes.

Na avaliação do presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Afrânio Kieling, o maior problema é que, com a escassez de recursos públicos, a infraestrutura do Estado e as pontes não acompanharam a evolução da frota, que tem veículos cada vez maiores.

Barrios aponta que, além da falta de recursos, os órgãos responsáveis têm carência de profissionais como engenheiros para fazer o diagnóstico da situação das obras de arte e a situação se agrava com a falta de fiscalização do excesso de peso nos caminhões. Hoje, Daer e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não têm nem sequer uma balança de pesagem funcionando no Estado. Para João Fortini Albano, professor de transporte da Escola de Engenharia da UFRGS, a fiscalização é primordial:

– O excesso de peso precisa ser fiscalizado porque provoca destruição acelerada dos pavimentos e, nas pontes, o colapso das estruturas.


A deficiência na fiscalização também pode ter sido fator determinante para a queda da ponte sobre o Rio Jacuí na RSC-287, entre Agudo e Restinga Seca, em 2010, que matou cinco pessoas. O fato fez o Crea-RS se mobilizar em torno de um projeto de lei que obrigava a realização periódica de vistoria nas obras de arte no Estado. A iniciativa acabou arquivada na Assembleia Legislativa no mesmo ano, mas agora a entidade promete voltar à carga para reavivar a proposta.

40 quilômetros a mais por um pilar rachado

Entre as 30 pontes em que foi detectada necessidade de reforma, duas estão na mesma via, a ERS-330, no Norte. Elas ficam entre Palmeira das Missões e Três Passos e apresentam problemas estruturais. A Ponte Guarita, metálica, está localizada no km 60 (entre a ERS-317, para Redentora, e a BR-468, para Três Passos), e a Ponte Taipa, de madeira, fica no km 120 (próxima ao acesso a Palmeira das Missões). As duas foram inspecionadas e tiveram sua rotina alterada pelo Daer. Cada uma tinha capacidade para suportar veículos com até 24 toneladas. Por questão de segurança – o Daer não revela quais os problemas –, foi proibida a passagem de veículos com mais de 10 toneladas.

Na Guarita, vigas de sustentação estão podres e com parafusos enferrujados. E um pilar de concreto, vital para apoio da estrutura, está rachado, o que justifica a redução do peso permitido aos veículos que cruzam por ela. O prefeito Derli da Silva Quadros, de Dois Irmãos das Missões, encabeça há meses tratativas para a melhoria da ponte. Inclusive disponibilizou um barco para que funcionários do Daer analisem o local, 20 dias atrás.

– O problema já acontece há dois anos. A redução do peso permitido na ponte dificulta escoamento da produção agrícola, já que as carretas dos cerealistas precisam fazer uma volta de 40 quilômetros para chegar no vizinho município de Redentora – reclama Derli.

O QUE O TCE QUER SABER

- Se há lista de pontes sob responsabilidade do órgão ou município e informações como localização e última vistoria realizada.
- Relação dos contratos de manutenção e detalhes como valores e prazos.
- Existência de plano de manutenção das obras e orçamento para estas construções.

Daer atua em duas frentes

Mesmo limitado pela crise financeira do Estado e com falta de pessoal, o Daer diz não estar paralisado. O diretor-geral da autarquia, Ricardo Nuñez, sustenta que duas iniciativas tentam melhorar o monitoramento das 850 obras de arte sob responsabilidade do departamento.

Em um primeiro momento, os especialistas do Daer sediados na Capital treinaram e passaram orientações para os engenheiros das 17 unidades regionais para uma vistoria superficial das estruturas. Das 850 pontes e viadutos, 317 já passaram, desde o início do ano, por esta análise inicial. Destas, em 115 pontes e um viaduto foram detectados possíveis problemas e foram revisados.

– Foi verificado que 30 precisavam de alguma intervenção. Algumas já ocorreram – diz o diretor-geral.

Em outra frente, o Daer promete usar parte do recursos do Banco Mundial obtidos no governo anterior para investimentos em infraestrutura e contratar empresa especializada com mergulhadores para verificar fundações e pilares de pontes, que ficam submersos. Devido à burocracia da licitação, o serviço deve ser executado apenas em 2016.

A carência de pessoal é outro gargalo para melhorar o monitoramento das pontes nas estradas estaduais. O Daer conta com 81 engenheiros, a metade do necessário, reconhece Nuñez.

– Especialistas em obras de arte temos dois ou três – admite.

Vistoria do departamento
- 850 pontes e viadutos sob sua responsabilidade
- 317 passaram por análise preliminar
- 116 aparentaram ter algum problema
- 30 precisavam de alguma intervenção

Balanças paradas no Estado


Posto de pesagem de veículos na Região Central é tomado de mato e, assim como outros 10 no RS, está desativado (Foto: Ronald Mendes, BD, 13/10/2014)

Outra ameaça às pontes, o excesso de carga está sem fiscalização nas balanças do Daer e do Dnit no Estado. No órgão federal, nenhum dos 11 postos de pesagem no Rio Grande do Sul está em funcionamento. O trabalho parou em todo o país em julho do ano passado, quando uma decisão judicial considerou irregular a contratação de trabalhadores terceirizados para executar o serviço, uma saída adotada para driblar a carência de pessoal.

Na tentativa de manter algum controle sobre o problema, em dezembro o Dnit licitou serviço de coleta de dados de veículos pesados, incluídos no Plano Nacional de Pesagem, com a previsão de 35 postos integrados automatizados de fiscalização. Destes, dois serão implantados no Estado, mas ainda estão na fase de elaboração do projeto básico: um na BR-158, entre Cruz Alta e Júlio de Castilhos, e outro na BR-472, entre Itaqui e São Borja.

O Dnit sustenta que, de forma mais automatizada, o novo sistema deve permitir a pesagem com os veículos em movimento e agilizar o processo de fiscalização.
A única balança do Daer, na RS-122, em Bom Princípio, também não está operando. A saída imaginada pela autarquia para apertar a fiscalização em vários pontos do Estado é organizar blitzes em parceria com o policiamento rodoviário.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

DIRIGNDO TÁXI MESMO COM LICENÇA BLOQUEADA



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162

MAURÍCIO TONETTO


 ATROPELAMENTO DE CICLISTA. Permissionário alega que não sabia da suspensão de taxista



DONO DO TÁXI dirigido por Daniel Trindade Coelho descadastrou ontem o motorista que estava com licença bloqueada desde março por atropelar e matar um ciclista e, mesmo assim, seguia trabalhando

Após a divulgação de imagens que mostram o taxista Daniel Trindade Coelho trabalhando normalmente em Porto Alegre com o veículo Voyage, prefixo 2742, o permissionário do táxi, Elias de Souza, 82 anos, descadastrou o condutor ontem. Trindade foi o motorista que atropelou e matou o ciclista Joel Fagundes, em fevereiro, perto do aeroporto Salgado Filho.

De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), ele está com a licença suspensa desde 18 de março. Porém, mesmo com a ordem para não trafegar até a data do julgamento na Justiça – ainda indefinida –, seguia trabalhando na região do aeroporto, como revelou Zero Hora em reportagem ontem. Souza disse que a EPTC não comunicou a suspensão e que eles foram pegos de surpresa:

– Hoje (ontem), a EPTC ligou e foi sucinta: ou descadastra o carteirão (licença) dele (Trindade), ou iriam apreender o carro. O carro continua trabalhando normal. O carteirão está com ele que terá de levar lá. Vou descadastrá-lo.

Ricardo de Souza, 52 anos, filho do permissionário e agora o único taxista vinculado ao pai, disse que, devido à repercussão, foi até a sede da EPTC e que só então foi informado que a licença de Trindade estava suspensa. Ele diz que a determinação foi aplicada na terça- feira. Segundo ele, Trindade foi chamado na EPTC em março, quando compareceu com uma advogada, mas o órgão não teria mencionado a suspensão.

Presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari assegura que suspensão está no sistema do órgão desde 18 de março, e que a família do taxista recebeu notificações para que entregasse a licença à prefeitura:

– Fizemos diversas tentativas, e ele sistematicamente ignorou.

Cappellari salienta que Souza comprometeu-se formalmente a não entregar mais o carro a Trindade após o atropelamento e morte do ciclista. Porém, durante a semana passada, Zero Hora acompanhou os movimentos do taxista e constatou que ele dirige normalmente pela cidade.

IMPUNIDADE COM QUEM MATA



ZERO HORA 14 de maio de 2015 | N° 18162


FÊCRIS VASCONCELLOS



Da última vez em que eu vi o Bruno, ele me acalmava o choro de uma despedida que deveria ter prazo de validade dizendo: “Calma, seis meses passam rápido”. Ainda entre soluços, eu respondi “mas muita coisa acontece em seis meses”. Numa das raras vezes em que eu preferia estar errada, infelizmente, muito aconteceu e nã tornamos a nos ver. Sua vida de garoto de vinte e poucos anos, alegre, fã de Beatles, inteligente e gentil, teve fim pelas mãos de um taxista que furava o sinal vermelho da Avenida João Pessoa em alta velocidade num final de tarde ensolarado de sábado.

Contudo, numa das não raras vezes em que eu preferia estar certa, nada aconteceu em seis meses. E nada aconteceu também nos oito anos que se passaram desde então. Quero pedir desculpas aos pais e à irmã do Bruno por tocar novamente nessa dolorosa ferida – que pulsa em mim toda vez que eu vejo alguém de bicicleta na rua, ouço uma das músicas que a gente gostava ou passo na Rua da República, onde tantas vezes nos encontramos –, mas ao ler uma matéria como a publicada em ZH no dia 12 de maio (13 no jornal impresso), que mostra como um taxista que já matou três pessoas no trânsito segue trabalhando como taxista livremente, sinto a impunidade e a dor esfregadas na minha cara. Sinto meu coração despedaçado. Nada, absolutamente nada resultou da morte do meu querido amigo.

É o que a gente pensa quando perde alguém dessa maneira brutal: “Tomara que isso abra os olhos da sociedade e das autoridades para que ninguém mais morra desse jeito”. Errado. Nada acontece. Gente como o Bruno e o Joel – artista e arquiteto da Capital, atropelado perto do aeroporto, cuja morte mobilizou a cidade – segue morrendo e gente como esse taxista ou o que matou o meu amigo segue impunemente carregando nossos familiares e amigos pela rua, destruindo nossos corações e nossas esperanças de que finalmente algo vai acontecer. Mas nada vai.

As brechas na legislação, que permitem que motoristas imprudentes matem no trânsito e sigam livres de punição mais severa, fazem com que haja uma permissão para matar no Brasil. O carro tem o poder de matar alguém. Dirigi-lo com irresponsabilidade, desrespeitando limites e sob o efeito de drogas que colocam a vida de outras pessoas em risco, deveria ser punido com mais rigor. E quem mata no trânsito por consequência dessa imprudência deveria ser punido como quem sai na rua assumindo o risco de matar alguém.

Mas eu estava muito errada. Nada acontece em seis meses.

Editora de Entretenimento e Vida&Estilo de ZH Digital

segunda-feira, 4 de maio de 2015

BÊBADO, DIRIGINDO, MATOU DUAS PESSOAS E FOI SOLTO PELA JUSTIÇA



ZERO HORA 04 de maio de 2015 | N° 18152


TRÂNSITO ÁLCOOL E DIREÇÃO

Motorista bêbado provoca duas mortes na BR-386, em Canoas

CONDUTOR CHEGOU A SER PRESO pela Polícia Rodoviária Federal, mas conseguiu habeas corpus e vai responder ao crime em liberdade



Um motorista embriagado provocou a morte de duas pessoas na madrugada de ontem, na BR-386, em Canoas, na Região Metropolitana. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Brayan William de Freitas, 20 anos, conduzia um Ford Fiesta no sentido Canoas-Interior. Ao realizar uma ultrapassagem, ele invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente contra uma motocicleta, na altura do km 441 da rodovia.

Com o impacto, a motocicleta ainda atingiu um outro veículo, um Fiat Uno, que seguia o fluxo. As vítimas, que estavam na motocicleta, foram identificadas como Letícia Leite Garcia e Denis Borges da Rocha, ambos de 27 anos. A passageira chegou a receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas acabou falecendo ainda no local. Rocha, piloto da motocicleta, teve uma perna amputada. Ele foi encaminhado em estado gravíssimo ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Conforme a PRF, o motorista do Fiesta alegou que estava voltando de uma festa de casamento. O jovem, que reside em Nova Santa Rita, foi submetido ao teste do bafômetro e a embriaguez, constatada. O condutor foi preso em flagrante, indiciado por duplo homicídio doloso e levado ao Presídio Central de Porto Alegre. Horas depois, conseguiu habeas corpus e foi liberado. Por não ter antecedentes, vai responder ao crime em liberdade.

Conforme a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado, o número de homicídios culposos de trânsito julgados no Rio Grande do Sul – incluindo os causados por condutores alcoolizados – quintuplicou nos últimos anos, saltando de 962 em 2010 para 4.905 em 2014.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

RACHAS DE MOTO EM RODOVIAS PARA CHEGAR A 299 KM POR HORA

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 26/04/2015


Grupo faz 'rachas' de moto e tenta chegar a 299 km/h em rodovias. Fantástico acompanhou operação da polícia contra o grupo. Vídeos na internet mostram motoqueiros dirigindo em altas velocidades nas estradas.




Corridas de motos superpotentes em uma das principais rodovias de São Paulo. Vídeos que estão na internet mostram que esse tipo criminoso de corrida, conhecido como “racha” ou “pega”, se repete em várias estradas do Brasil.

As motos deveriam andar a 100, 110 km/h, que é a velocidade permitida na maioria das estradas brasileiras. Deveriam.

“273 mais ou menos. Louco demais. Obrigado Deus”, diz um dos motoqueiros no vídeo.

Na Paraíba, um grupo de motoqueiros ganhou fama e até um apelido: "Clube do 299".

Eles aceleram muito, com um objetivo: chegar a 299 km/h.

“A partir do momento que ele atingiu aquilo, registrou aquilo, aquilo vai fazer ele ser mais respeitado como motociclista que corre mais”, diz Anderson Poddis, assessor de comunicação da PRF-PB.

“Vários deles furaram blitz, chegando inclusive a ter a possibilidade de atropelar um dos guardas da Polícia Rodoviária Federal. São verdadeiras armas nas mãos daqueles que não querem cumprir a legislação”, afirma Bertrand Araujo Asfora, procurador-geral de Justiça da Paraíba.

Nos últimos quatro meses, a Polícia Rodoviária Federal acompanhou cada movimento desses motoqueiros da Paraíba. Descobriu que eles usavam grupos restritos nas redes sociais para marcar as corridas.

É na BR-230, a principal rodovia do estado da Paraíba, que os motoqueiros faziam os rachas. Na estrada, a velocidade máxima permitida é de 110 km/h.

Na rodovia, entre João Pessoa e Campina Grande, os motoqueiros cometem infrações gravíssimas: fazem ultrapassagens perigosas em local não permitido e até pilotam sem segurar o guidão.

Os motoqueiros faziam questão de compartilhar os vídeos com os amigos. Em janeiro, policiais gravaram um dos rachas do Clube do 299. No vídeo, todas as motos passam voando. Algumas estão indo tão rápido que o radar nem consegue registrar a velocidade.

Para mostrar o tamanho do perigo, o Fantástico fez um teste no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Primeiro, pedimos a um piloto profissional que dirigisse a 110 km/h. E depois, a mais de 200 km/h.

E os freios? Como funcionam numa situação dessas? A 110 km/h, a moto parou depois de percorrer 34 metros. A mais de 200 km/h, a moto percorreu 143 metros, uma distância quatro vezes maior até parar.

“Na estrada, a chance de morrer é alta. Por quê? Primeiro, você não controla as variáveis. Você não sabe se tem uma sujeira no chão, uma ondulação. A 200 por hora, uma ondulação é suficiente para derrubar”, alerta Roberto Manzini, especialista em direção defensiva.

Na sexta-feira (24), o Fantástico acompanhou a operação contra o Clube do 299 na Paraíba.

Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Ministério Público já tinham provas suficientes para apreender as motos e as habilitações dos integrantes do grupo. Segundo as investigações, quem organizava as corridas clandestinas era o empresário Gibran Moraes. Ele aparece em vários vídeos fazendo manobras arriscadas e em altíssima velocidade.

No apartamento de Gibran, os policiais também encontraram um revólver e munição até para fuzil. Em um vídeo, o empresário aparece atirando com uma pistola 9 milímetros, que é de uso exclusivo das Forças Armadas. Por causa da munição de fuzil que é de uso restrito, Gibran continua preso.

Na operação policial desta semana, na Paraíba, dez motoqueiros acusados de participar dos rachas tiveram a habilitação apreendida. Ou seja, não podem dirigir.

“É uma questão de provar que ‘ah, eu não sou medroso. Não aconteceu nada’. Hoje. E amanhã? A chance de dar errado e de se matar é grande e ainda matar terceiros”, diz Roberto Manzini, especialista em direção defensiva.

sábado, 25 de abril de 2015

CINTO NO BANCO DE TRÁS NÃO É HÁBITO


ZERO HORA 25 de abril de 2015 | N° 18143


NATHÁLIA CARAPEÇOS


TRÂNSITO SEM NOÇÃO DO PERIGO

PESQUISAS APONTAM POUCA ADESÃO ao acessório por passageiros que sentam na parte traseira dos veículos, e especialistas reforçam a necessidade de conscientização sobre essa prática, que pode salvar vidas em caso de acidentes


Assim como engatar a primeira marcha para arrancar o carro é uma ação quase automática, colocar o cinto de segurança também deveria ser – seja no banco da frente ou no traseiro. Mas, segundo pesquisas de órgãos ligados ao trânsito, essa ainda é uma realidade distante de boa parte dos passageiros, principalmente quando o assunto é o uso do acessório para quem está atrás.

Dados coletados pela Ford e apresentados neste mês mostram que, na Europa, mais de um terço das pessoas não usam o cinto de segurança quando viajam no banco traseiro. No Brasil, a situação não é diferente. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um levantamento apontando que apenas 37,3% usavam sempre o cinto atrás, enquanto 73,2% diziam utilizar o acessório na frente.

A PRINCIPAL INFRAÇÃO NAS ESTRADAS ESTADUAIS

Os gaúchos também não mantêm bons hábitos quando o assunto é o uso do cinto. Pesquisa encomendada pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran), em 2012, mostrou que 30,9% não colocam o item no assento traseiro.

No ano passado, a infração do artigo 167 do Código de Trânsito Brasileiro (o não uso do acessório pelo condutor ou passageiro em qualquer um dos bancos), ficou em 6º lugar no ranking de multas. Já nas rodovias estaduais, o quadro é ainda pior. Dados do Comando Rodoviário da Brigada Militar apontam que a falta do cinto foi a infração mais registrada em 2014.

– Alguém sem cinto dentro do carro é um risco para os demais. Há uma ideia errada de que atrás é mais seguro. Na frente, as pessoas se sentem mais vulneráveis, além de terem receio da fiscalização – afirma a engenheira e especialista em segurança viária Christine Nodari, que integra o Laboratório de Sistemas de Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).



O que leva à conduta arriscada



Para especialistas, não há um fator único que determine a resistência ao cinto no banco de trás.

– O grau de ignorância e descrença quanto à gravidade do tema é maior do que a gente pensa – diz o sociólogo e especialista em educação e segurança no trânsito Eduardo Biavati.

Presidente do Instituto de Segurança do Trânsito, David Duarte Lima destaca que existe o conceito natural entre as pessoas de que sentar atrás é mais seguro.

– É algo que já ouvi em vários Estados – conta.

Outros dois pontos aparecem ligados ao não uso do cinto no banco traseiro: a desinformação e a dificuldade para multar. O diretor-geral do Detran gaúcho, Ildo Mário Szinvelski, reforça a necessidade de aliar os dois temas:

– Se a educação e a conscientização não têm efeito, não resta outro caminho a não ser a fiscalização rígida.

Para a especialista em psicologia do trânsito Aurinez Rospide Schmitz, do Instituto Ande Bem, as pessoas têm dificuldade cultural de compreender o perigo da falta desse hábito.

– Quem segue as regras é considerado o medroso – ressalta.

Diante isso, o consenso entre especialistas e poder público é de que a maior aposta deve ser em campanhas e ações de conscientização.

O planejamento deve incluir linhas específicas por faixa etária, com foco nos jovens. A atuação junto a escolas é vista como um dos principais pontos, assim como a participação da família.

– Trazer exemplos em disciplinas da escola, como a física, é uma boa opção – sugere Biavati.

Depois da educação, o reforço na fiscalização é considerado como outro ponto importante.

– No caso do uso do cinto na frente, foi um fator decisivo para as pessoas usarem. Não dá para deixar isso de lado – ressalta a engenheira Christine Nodari.

Por lei, se alguém não estiver usando o cinto no veículo, a responsabilidade recai sobre o motorista. Esse processo é questionado por Aurinez. Para ela, não é necessária uma alteração na legislação, mas, sim, uma mudança de visão sobre o papel de cada um no trânsito.

– Os passageiros têm de se sentir corresponsáveis e cada um precisa fazer a sua parte – diz.

O diretor-geral do Detran afirma que ações educativas são a principal estratégia do órgão.

– Esses materiais devem mostrar a realidade. Não há segunda chance – diz Szinvelski.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

BLOQUEIO CRIMINOSO


ZERO HORA 24 de abril de 2015 | N° 18142


EDITORIAL




O direito de protestar e de reivindicar não pode ser confundido com uma pretensa autonomia para prejudicar os outros. É o que acontece quando caminhoneiros utilizam seus veículos para bloquear rodovias ou jogam pedras nos veículos de colegas que decidem continuar rodando. Mesmo que o governo tenha sido leniente na negociação, criando a expectativa de que poderia resolver problemas imediatos da categoria, a reação violenta é injustificável. Foi assim quando dos primeiros protestos, marcados pelo radicalismo de parte expressiva dos que paralisaram suas atividades, e se repete agora em alguns setores da mobilização.

Nenhuma questão setorial, sob quaisquer argumentos, pode ameaçar o direito de ir e vir. A situação dos caminhoneiros foi agravada por uma série de fatores, a começar pela desaceleração da economia, pelo excesso de prestadores de serviços e, como decorrência, pelo achatamento nos preços dos fretes. Junta-se a isso a elevação dos combustíveis e dos pedágios e está criado o cenário que descapitaliza os que, por décadas, vêm oferecendo a maior contribuição ao trans- porte de cargas no país.

Algumas demandas podem ter viabilidade discutida, desde que não representem a transferência de altos custos aos contribuintes. Outras, como o improvável tabelamento dos fretes, são assuntos de mercado e assim devem ser tratadas, pois independem da vontade de governos. O que não pode persistir é a ação de piquetes, com o bloqueio de rodovias e a criação de ambientes de tensão. As autoridades, como ocorreu quando do movimento de fevereiro, devem ter presença ostensiva nesses locais, para que a lei se sobreponha à baderna e a atos criminosos.


domingo, 5 de abril de 2015

JOVENS MORREM EM ACIDENTE DE CARRO

ZERO HORA 05/04/2015 | 07h0

por Bruna Scirea

Corpos de jovens mortos em acidente são velados em Santo Cristo. Cerimônia coletiva ocorre no Centro Social Paroquial da cidade de cerca de 15 mil habitantes



Foto: Pietro Fuhr / Arquivo Pessoal


Os corpos dos quatro jovens que morreram em um acidente na ERS-472, em Santa Rosa, na tarde deste sábado, são velados no Centro Social Paroquial de Santo Cristo, no noroeste do Rio Grande do Sul, nesta madrugada.

A cerimônia ocorre com três dos caixões lacrados, em função de o carro ter incendiado após colidir contra uma árvore na lateral da rodovia. Após terem passado por exame de DNA, foram confirmadas as identidades das vítimas: os primos Matheus Schreiner e Tiago Schreiner, Cassiano Utzig e Leonardo Henkes — todos naturais de Santo Cristo. A missa de enterro está marcada para as 16h30min na Igreja Matriz da cidade que tem cerca de 15 mil habitantes.

Os quatro jovens eram amigos e estavam na região para passar o feriado de Páscoa em família. Como de costume, resolveram se reunir — desta vez, em um churrasco na casa de Cassiano. Pouco antes do fim da tarde, a turma de amigos se dividiu em dois carros e foi para Santa Rosa, onde fariam uma surpresa e buscariam a namorada de um deles. No retorno a Santo Cristo, no entanto, o carro em que os quatro estavam saiu da pista, colidiu em uma árvore e pegou fogo às margens da ERS-472.

Leonardo Henkes, 19 anos, morava em Ivoti, no Vale do Sinos, e cursava o último ano do Ensino Médio. Ele buscava formação técnica em Mecânica na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo. Conforme amigos, ele deixa os pais e uma irmã mais velha. O corpo de Leonardo é o único que está sendo velado com caixão aberto. No momento do acidente, ele foi arremessado para fora do veículo e foi o primeiro a ser reconhecido.

Matheus Schreiner, 19 anos, cursava o 5º semestre de Medicina Veterinária na Unijuí, em Ijuí. Segundo amigos, ele deixa pais, uma irmã e a namorada — colega de faculdade com quem estava junto há mais de um ano.

Cassiano Utzig, 19 anos, estudava Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Colorado fanático, o jovem deixa uma irmã de 16 anos e os pais.

Tiago Schreiner, 19 anos, cursava Informática na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), em Santo Ângelo. O jovem deixa os pais e o irmão gêmeo, que fazia o mesmo trajeto, mas em outro carro, no momento do acidente.

Carro pegou fogo após colidir com árvore

O acidente aconteceu por volta das 18h, na rodovia que liga Santa Rosa a Três de Maio (ERS-472). As vítimas estavam em um Focus, que saiu da pista no quilômetro 160 e colidiu com uma árvore. O veículo pegou fogo e três pessoas morreram carbonizadas, conforme o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM).



Fotos: Pietro Fuhr, Arquivo Pessoal



O Focus tem placas de Santo Cristo, cidade localizada a cerca de 20 quilômetros de Santa Rosa. Conforme o CRBM, a hipótese é que o veículo tenha saído da pista devido a uma aquaplanagem, pois chovia no momento do acidente. A rodovia não ficou bloqueada por causa da ocorrência.



Além do CRBM, uma equipe do Corpo de Bombeiros teve de ser acionada para atender o acidente, para conter o incêndio no veículo. Uma equipe do Instituto-Geral de Perícias (IGP) chegou ao local pouco antes das 20h, para analisar as circunstâncias do acidente.

A colisão aumentou para pelo menos 16 o número de mortes neste feriadão de Páscoa, conforme levantamento realizado pelo Grupo RBS a partir do meio-dia de quinta-feira.



* Zero Hora

sexta-feira, 3 de abril de 2015

SÃO 34 MORTES EM CINCO ANOS



ZERO HORA 03 de abril de 2015 | N° 18121


TRÂNSITO 10 ANOS DE ESPERA




Fim da duplicação da ERS-118 não tem prazo


COM OBRA PARALISADA desde outubro do ano passado e sem definição de data para retomar construção, governo estadual evita previsão exata e afirma que meta é finalizar os 22 quilômetros, entre Sapucaia do Sul e Gravataí, até o final do mandato

A maior ponte do mundo, com 165 quilômetros de extensão, levou quatro anos para ser construída na China. Uma cidade inteira se ergueu do nada em três anos e meio para virar capital do Brasil em 1960. No Rio Grande do Sul, a duplicação de 22 quilômetros de uma rodovia vai completar uma década sem conclusão.

Como as obras da ERS-118 entre Sapucaia do Sul e Gravataí estão paradas desde outubro e sem prazo para serem retomadas, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) já descartou a previsão do governo anterior de terminar o serviço – iniciado em 2006 – ainda neste ano.

Até agora, foram implantados 10,9 quilômetros de pista nova de concreto – média de pouco mais de um quilômetro por ano –, mas a pista antiga não começou a ser restaurada. Como resultado, os motoristas enfrentam desvios, trechos de asfalto irregular e buracos. As explicações para a lentidão do projeto incluem falta de dinheiro e demora na remoção de casas e comércios no trajeto da rodovia.

ESTUDO FINANCEIRO TRAVA RETOMADA DO SERVIÇO

Em razão da escassez financeira, no momento não há nem prazo exato para a retomada ou o fim dos trabalhos. Segundo o diretor- geral do Daer, Ricardo Nuñez, é preciso primeiro verificar quanto dinheiro o Piratini terá disponível. Segundo Nuñez, “a meta é concluir a duplicação neste governo”.

– Estamos fazendo levantamento para entender as dificuldades, para apresentar ao governador e ver com quanto recurso poderemos contar e o que poderemos executar neste ano e nos próximos três – sustenta o diretor do Daer.

O valor já gasto na duplicação, que foi projetada pela primeira vez em 1996, chega a R$ 65,9 milhões. Os valores originais previstos nos contratos de cada um dos três trechos licitados separadamente – o que também complica a uniformidade da duplicação – somam R$ 127,6 milhões.



Atraso motiva reocupação de terrenos já desapropriados


Em razão da letargia, alguns terrenos que já haviam sido liberados para dar lugar a nova pista voltaram a ser ocupados por moradores e comerciantes. Proprietários de uma revenda de autopeças, Éverton Trindade, 38 anos, e Fábio Trindade, 36, desocuparam há cerca de um ano uma faixa de 10 metros à margem da rodovia.

Removeram carcaças de carros e chegaram a implantar colunas da nova cerca, mais recuada, para dar espaço à nova estrada. Como ela não veio, os automóveis velhos voltaram para a beira da ERS, e a construção da cerca nova parou.

– Foi na Páscoa do ano passado que alguém passou por aqui para falar com a gente pela última vez. Como nada aconteceu, ocupamos o espaço de novo – argumenta Éverton, garantindo que volta a liberar a área se necessário.

Em outro ponto, três casebres foram reerguidos e se encontram novamente em processo de reintegração de posse. A maior parte das áreas já liberadas para a duplicação, porém, permanece vazia. Ainda falta desapropriar outros 200 terrenos de comércios e casas.



À espera de duplicação há quase 10 anos, o trecho de 22 quilômetros entre Sapucaia do Sul e Gravataí registrou 34 mortes e 1.297 acidentes nos últimos cinco anos – média de um a cada 33 horas.

A conclusão da obra, que se encontra parada desde outubro, é apontada como uma maneira de reduzir a violência no trânsito na região, onde se alternam pontos de pista simples com outros de pista dupla, desvios e locais com o pavimento deteriorado. O trecho também é considerado vital para o transporte de cargas, já que une cidades importantes da Grande Porto Alegre como Sapucaia, Esteio, Cachoeirinha e Gravataí.

– Se fosse em qualquer outro país, seria proibido o tráfego nesta estrada nas condições atuais. É um absurdo que a obra demore tanto tempo – lamenta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado (Setcergs), Afrânio Kieling.

No ano passado, conforme registros do Comando Rodoviário da Brigada Militar, oito das nove mortes registradas em todos os 80 quilômetros da ERS-118 ocorreram no trecho afetado pelo projeto de duplicação – com alta densidade urbana, saídas de ônibus e caminhões, entre outros focos de risco. Do começo de 2010 até o final de 2014, ocorreram 53 mortes em acidentes em toda a via.

A SITUAÇÃO POR TRECHO
1) KM 0 AO KM 5
-Construtora: Conterra
-Andamento da obra: 7%
-Valor inicial previsto:
2) KM 6 AO KM 11
-Construtora: Sultepa
-Andamento da obra: 50%
-Valor inicial previsto:
3) KM 12 AO KM 22
-Construtora: Triunfo
-Andamento da obra: 71%
-Valor inicial previsto:

segunda-feira, 23 de março de 2015

OBRAS FEDERAIS NO RS PISAM NO FREIO

ZERO HORA 23/03/2015 | 04h02
por Caio Cigana


Duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, é um dos projetos que mais sofrem atraso em razão da demora no repasse de dinheiro vindo da União. Escassez de recursos também afeta os serviços de manutenção de estradas




Recém iniciada, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, é uma incógnita Foto: Lauro Alves / Agencia RBS


O cinto apertado do governo federal, em busca de economia para colocar as contas do país em dia, pôs um pé no freio na construção e duplicação de rodovias federais no Estado. O atraso de cerca de R$ 140 milhões no pagamento por serviços realizados, aliado a aumento nos preços do asfalto, paralisa ou diminui o ritmo em obras de pelo menos três estradas, além de afetar a manutenção de vias existentes.

Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) indica que, no país, a dívida do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) com as construtoras é de R$ 1,4 bilhão. No Estado, seria 10% do total, estima o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem (Sicepot-RS).


Uma das mais impactadas é a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas. Dos nove lotes, dois estão totalmente paralisados e os outros sete têm andamento lento, com a pavimentação de asfalto parada. Recém iniciada, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, é cercada de dúvidas, diz o presidente do Sicepot-RS, Nelson Sperb Neto:

– Até outubro, era prioridade. Mas como não é restauração nem está em fase de conclusão, não sabemos o que vai acontecer.

O trabalho de conservação e restauração das rodovias existentes também está comprometido. Conforme o Sicepot, apenas 40% das obras estão com andamento normal. Para completar, as empresas também depararam com um aumento de 35% no preço do asfalto vendido pela Petrobras. Com isso, alega a entidade, os contratos ficam desequilibrados e a saída seria o Dnit cobrir a diferença devido ao aumento de custos não previsto.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-RS), Melvis Barrios Junior, o contingenciamento pode sair mais caro:

– A descontinuidade ou a redução do ritmo de uma obra acarreta custos maiores porque o que já foi feito vai se deteriorando.

Dnit afirma que vai regularizar verbas

Na busca por cortar gastos, o governo federal anunciou no fim de fevereiro contingenciamento de R$ 32,6 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de restos a pagar de 2013. Pelos cálculos da Aneor, no primeiro quadrimestre, o Ministério dos Transportes dispõe de apenas R$ 560 milhões para pagar construtoras.

A superintendência do Dnit no Estado afirma que não foi comunicada oficialmente sobre a paralisação de obras e discorda da projeção do Sicepot de que apenas 40% dos trabalhos de reparos e manutenção transcorrem normalmente. A sede do órgão, em Brasília, informa que fará o reequilíbrio relacionado ao aumento do asfalto nos contratos e sustenta que, após a aprovação do orçamento de 2015 pelo Congresso semana passada, é esperado decreto do Executivo sobre a programação financeira, "o que possibilitará a regularização dos compromissos".

Em visita na última sexta-feira ao Estado, a presidente Dilma Rousseff não deu boas notícias e classificou como "significativo" o contingenciamento de recursos.

Ampliação em hospital tem custo reduzido

Nem todas as obras têm o ritmo atrapalhado pelo contingenciamento de recursos federais. O melhor exemplo é a ampliação do Hospital de Clínicas, na Capital. O projeto, que vai permitir a oferta de 150 novos leitos, está orçado em R$ 397 milhões e tem previsão de ser concluído no prazo, em novembro de 2017.

– Não temos nenhum problema com recursos nem de sequência da obra – assegura o engenheiro Fernando Martins Pereira da Silva, assessor técnico da administração central do Clínicas.

Apesar dos atrasos no cronograma inicial, a nova ponte sobre o Guaíba também tem agora andamento normal, confirma o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem (Sicepot-RS). Outro projeto de rodovia com ritmo adequado, de acordo com o levantamento da entidade, é a travessia urbana de Santa Maria, com a duplicação de estradas que cortam a cidade.

Listadas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as barragens de Jaguari e Taquarembó, na Metade Sul, também não sofrem com falta de recurso, garante Gilmar Carabajal, diretor do departamento de irrigação da Secretaria de Obras do Estado. As construções foram retomadas no ano passado.

Projetos afetados pelo atraso ou indefinição nas verbas

Duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas
Dois dos nove lotes estão totalmente paralisados, segundo o Sicepot. De acordo com a entidade, os outros sete lotes têm trabalhos lentos e todos estão com a parte de revestimento asfáltico parada.

Contorno de Pelotas
Obra dividida em dois lotes. Segundo o Dnit, o 1A deve ser concluído em maio. Para o lote 1B, a previsão de término é primeiro semestre de 2016 – até o ano passado, o prazo era o fim de 2015. Conforme o Sicepot, a obra do primeiro lote tem um bom ritmo e, a do segundo, sofre com lentidão e tem a pavimentação por asfalto parada.

Duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande
De acordo com o Sicepot, pendências ambientais e de definição de recursos para 2015 ameaçam a obra. Segundo o Dnit, há trabalho nos lotes 2, 3 e 4, mas o lote 1 ainda espera a liberação da Funai. A obra era para ter começado em 2013, mas foi iniciada apenas no fim do ano passado.

Restauração e conservação de rodovias pavimentadas
Apenas cerca de 40% das obras com andamento normal, segundo o Sicepot. O Dnit discorda do percentual.

Andamento de projetos com recursos federais no Estado

Prolongamento da BR-448 (Rod. do Parque)
Foi anunciado em abril de 2013 pela presidente Dilma. Seria um trecho de 18,7 quilômetros até Portão e depois outro de oito quilômetros até Estância Velha. A ampliação até Portão teve a licitação para estudos, projetos e obra lançada em outubro passado, mas deve ser revogada pelo Dnit pela necessidade de ajustes. A promessa é de a obra ficar pronta até o fim de 2017. O trecho Portão-Estância Velha está em estudos.

Prolongamento da BR-392
Também anunciado em abril de 2013, o trecho de Santa Maria a Santo Ângelo, com 235 quilômetros, deveria ter começado em 2014, com conclusão em três anos. O Dnit realiza Estudo de Impacto Ambiental. O trajeto já está aprovado no Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental. A promessa agora é que a obra se inicie em 2016.

Nova ponte do Guaíba
Era para ter iniciado em maio passado, mas só começou em outubro, quatro anos depois do anúncio de que seria construída. A previsão de entrega é setembro de 2017. A obra terá 2,9 quilômetros e duas faixas de tráfego. Nesta primeira fase, o consórcio responsável pelo empreendimento trabalha nos projetos, nas ações de reassentamento de cerca de mil famílias e na fabricação das peças pré-moldadas que irão compor a travessia. O Dnit promete o andamento no prazo da obra.

Duplicação da rodovia BR-392 entre Pelotas e Rio Grande
Está concluída, de acordo com o Dnit.

BR-116 na Região Metropolitana
Viaduto de Sapucaia do Sul está concluído e liberado ao tráfego. As melhorias operacionais do trecho já foram licitadas e as empresas contratadas. Atualmente estão trabalhando nos projetos, conforme prevê a modalidade de contratação.

Duplicação da rodovia BR-386 entre Tabaí e Estrela

Os trabalhos começaram em novembro de 2010 e deveriam estar completamente prontos em 2013. O andamento está atrasado por impasse com a Fundação Nacional do Índio (Funai) devido à remoção de aldeia indígena às margens da estrada, o que impede o andamento das obras em dois quilômetros, em Estrela. O Dnit espera realizar a mudança da comunidade indígena para a nova aldeia até o fim de abril. Assim, poderá dar continuidade aos trabalhos, que seriam concluídos no ainda fim deste ano, estima o departamento.

Travessia urbana de Santa Maria

A duplicação de 14,1 quilômetros nas BR-158 e BR-287 está com andamento normal, segundo levantamento do Sicepot. Será feita a duplicação das estradas que cortam a cidade. A largada no projeto, orçado em R$ 309 milhões, foi dada em dezembro passado. A previsão é de que a travessia seja concluída em três anos.

Barragens Taquarembó e Jaguari
Mesmo sob responsabilidade do Estado, são obras listadas no PAC. Iniciadas em 2009, foram paralisadas em 2011 e 2012 por falta de recursos e suspeitas de irregularidades. Têm agora contratados R$ 141,8 milhões, sendo 99% da União. Segundo a Secretaria de Obras do Estado, não há problema de repasse de recursos. Os trabalhos foram reiniciados ano passado. Ambas têm previsão de conclusão em março de 2016. Taquarembó contempla Dom Pedrito, Lavras do Sul e Rosário do Sul. Jaguari abrange São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul.

Hospital de Clínicas
Obras na Capital estão dentro do cronograma e inclusive com redução de R$ 11 milhões no orçamento em relação à previsão inicial de R$ 408 milhões. Previsão é de ficar pronta em novembro de 2017.

Hidrelétricas de Garabi e Panambi
Apresentam atraso em relação ao cronograma original. No caso da usina de Garabi, está em andamento o cadastramento socioeconômico e imobiliário na área rural. Na usina de Panambi, o mesmo trabalho e o licenciamento ambiental foram paralisados pela Justiça Federal. As duas obras, no Rio Uruguai, serão feitas com a Argentina. O início estava previsto para 2018. Cinco anos atrás, a intenção era dar a largada em 2012.

Ferrovia Norte-Sul
O Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental do prolongamento da ferrovia entre Panorama (SP) e Rio Grande, no sul do Estado, seria concluído em abril do ano passado. O prazo passou para dezembro e agora a estatal federal Valec espera que esteja concluído ainda no primeiro semestre deste ano.

Reforma e ampliação do terminal de passageiros no aeroporto Salgado Filho
Depois de sucessivos atrasos, tem previsão para ficar pronta em janeiro de 2017. Dos 105 milhões orçados pela Infraero no ano passado para as obras, apenas 10% foram aplicados.

Ampliação dos sistemas de pistas e pátios de aeronaves no Salgado Filho
Apresenta boa velocidade de realização das obras e deve ficar pronta daqui a dois meses. No ano passado, foram aplicados no projeto R$ 71,2 milhões dos R$ 71,9 milhões orçados pela estatal.

Prolongamento da pista no Salgado Filho

A informação mais recente da Infraero, administradora do aeroporto, é que a obra, prometida há mais de 15 anos, não deve começar antes de dezembro de 2016. O obstáculo é a remoção das famílias que moram nas proximidades.

quinta-feira, 19 de março de 2015

INSTRUTORES DE TAXISTAS SÃO AFASTADOS



ZERO HORA 19 de março de 2015 | N° 18106


CARLOS ROLLSING


TRÂNSITO. DESVIO NO VOLANTE. Senat afasta instrutores de taxistas

DEPOIS DE SEREM FLAGRADOS por reportagem de ZH em atitudes inadequadas, dois professores do curso de formação obrigatório estão impedidos de realizar atividades até resultado de sindicância


Flagrados pela reportagem de ZH em atitudes inadequadas durante o curso obrigatório de formação de taxistas da unidade de Porto Alegre do Sest-Senat, os instrutores Mauro Alcântara e Jayson Machado foram afastados ontem das atividades.

Eles seguirão sem ministrar aulas enquanto durar uma sindicância que será instalada pelo diretor do Sest-Senat, Carlos Becker Berwanger, para apurar os fatos.

– A sindicância deve levar 15 ou 20 dias. Vamos analisar outras questões além das levantadas (na reportagem). Decisões mais específicas vão ser tomadas após a conclusão da sindicância. Aí, sim, vou tomar as medidas cabíveis e legais – disse o diretor, sem detalhar quais poderão ser as sanções adotadas pela entidade.

Entre 23 e 27 de fevereiro, a reportagem de ZH frequentou o curso de formação de taxistas e flagrou o instrutor Alcântara dando dicas sobre como fazer “contratos de gaveta” para comprar placas de táxi, o que é ilegal. Ele também relatou episódio em que ameaçou agredir uma mulher durante uma discussão no trânsito.

Já o professor Machado descreveu aos alunos um atrito que teve com um motoboy. No desfecho da história, ele lista reações que poderia ter tomado para derrubar o motociclista, causando um acidente. Alcântara, que deu aulas de legislação de trânsito e transporte, trabalha há dois anos como instrutor do Sest-Senat. Machado, do módulo de direção defensiva, é professor da instituição há três anos. Por mês, eles participavam do processo de formação de cerca de cem taxistas.

DIRETOR DIZ QUE NÃO NOTOU CONDUTA FORA DO NORMAL

Ambos também ministravam aulas em outros cursos oferecidos pela entidade, como para condutores de veículos escolares, ônibus, lotações, cargas perigosas, operador de empilhadeira, veículos de emergência, gestão, logística e até treinamentos para agentes da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC). Embora fossem funcionários com certo tempo de casa, o diretor do Sest-Senat afirmou que jamais havia percebido qualquer anormalidade no comportamento deles.

– Em nenhum momento pude constatar atitude que desvirtuasse a condição deles como instrutores. Isso é bastante subjetivo. Tem de estar presente dentro da sala de aula, e meu papel não é ficar dentro da sala, eu dirijo a entidade. Se, porventura, tivesse observado alguma atitude em desacordo, teria tomado providências imediatas – afirmou Becker.

A EPTC também afirmou que nunca havia recebido qualquer notícia ou reclamação sobre o comportamento dos instrutores, embora eles fossem antigos no exercício da função.

quarta-feira, 18 de março de 2015

CURSO PARA FORMAR (MAUS) TAXISTAS

ZERO HORA 18 de março de 2015 | N° 18105

por Carlos Rollsing


Em curso para formação de taxista, instrutores ensinam como burlar legislação de licença
Aulas obrigatórias para obter carteira de motorista de táxi na Capital são recheadas de relatos de professores orgulhosos de seus maus comportamentos no trânsito



Reportagem frequentou curso obrigatório para taxistas no Senat da Capital Foto: Carlos Rollsing / Agência RBS


Dicas para alunos efetuarem negócios irregulares, professores contando com empolgação experiências pessoais de agressividade no trânsito, animosidade contra motociclistas e futuros profissionais do transporte público revelando a intenção de enganar passageiros.

Situações como as relatadas acima foram documentadas por ZH durante uma semana, período em que a reportagem frequentou o curso de formação profissional para condutores de táxi, no Serviço Nacional de Aprendizagem no Transporte (Senat), no bairro Humaitá, em Porto Alegre.

Para obter o chamado “carteirão” da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) que autoriza o exercício da função de taxista na Capital, é obrigatório fazer o curso de formação do Senat. É a primeira e mais importante das etapas. Sem isso, não há carteirão.


Na prática, a EPTC, vinculada à prefeitura, terceiriza ao Senat a aplicação do curso. São 45 horas-aula, ao custo de R$ 160 pagos pelo aluno. Fazem parte do aprendizado os módulos qualidade em atendimento, cidadania, legislação de trânsito e direção defensiva, entre outros. No último dia, é aplicada uma prova com 20 questões objetivas.

Por mês, o Senat forma cerca de cem profissionais de táxi. São 25 alunos por turma, uma por semana. Matriculada regularmente, a reportagem de ZH frequentou o curso entre 23 e 27 de fevereiro, se identificando apenas como alguém que buscava no táxi uma nova oportunidade de trabalho.

Durante os cinco dias, o que aconteceu nas aulas ajuda a explicar a má fama de parte dos taxistas, que acabam denegrindo a imagem da categoria e prestando serviços de qualidade questionável, e o caos no trânsito em Porto Alegre, tomado por atitudes agressivas. Veja a seguir os principais fatos registrados por ZH em vídeo e áudio.



DIA 1 - Em seis minutos, aula sobre como derrubar um motoboy


O primeiro dia de curso foi dedicado ao módulo de direção defensiva com o instrutor Jayson Machado. Uma das características dos educadores do Senat é utilizar parte do tempo de aula para contar experiências pessoais no trânsito. Jayson dedicou seis minutos para relatar um atrito que sofrera recentemente com um motoboy na Avenida Carlos Gomes. O trânsito estava parado pela tranqueira, e o motorista do veículo ao lado do instrutor fez uma leve manobra que aproximou os carros, quase tocando espelho com espelho. Isso impedia que os motociclistas utilizassem o chamado corredor (vão entre os carros) para driblar o congestionamento. Foi quando Jayson percebeu a aproximação agressiva de um motoboy.

– Daqui a pouco ele (motoboy) trancou o dedo na buzina: biiiiiiiiippp. Quando ele trancou o dedo na buzina, ele levantou a perninha dele. Tipo assim, dizendo ‘vocês não têm noção, por que não deixam o corredor para mim? Agora azar é o teu, eu vou arrancar o teu espelho’. Só que ele iria arrancar o espelho de um cara que não cometeu nenhum erro. Se ele queria arrancar espelho, que arrancasse o do outro cara, porque o erro não tinha sido meu. Aonde eu quero chegar com isso? Que até para arrancar espelho tu tem de ser malandro, meu. Viu a burrice desse motoboy? Ele me avisou, ele já veio com o pé levantado e a mão na buzina, lá detrás. Baita de um trouxa – detalhou Jayson, arrancando risos da turma.

Com os alunos curiosos, ele deu continuidade ao relato, listando uma série de ações violentas que poderia tomar no desenlace do conflito.

– Eu pensei comigo: esse louco vai arrancar o meu espelho mesmo? Esse louco vai me azarar, mesmo eu não tendo culpa nenhuma? Não, ele não vai me azarar. Já que ele quer me azarar, eu sou mais malandro do que ele. O que tu acha que eu, um professor, fiz aqui? Ele levantou o pé e ia arrancar o meu espelho. Letra A: abri a porta. Ele ‘dele’ (bateu) na minha porta. Eu tenho seguro e ele pagou a franquia para colocar uma porta nova ali. Letra B: abri o vidro, coloquei o braço para fora e fiz ele parar. Letra C: ah, tu vai me foder? Então eu vou te foder primeiro. Botei uma primeira e botei a frente do meu carro e fechei ele. Ele deu no meio dos dois e rolou no chão. Motoboy trouxa, né? Esse louco deu sorte que encontrou na frente dele um professor – relatou Jayson, entre gargalhadas dos alunos.

No final, o instrutor disse que apenas apertou um botão do painel que recolhe o retrovisor do carro, deixando de lado as alternativas que causariam danos físicos ao motoboy.

Não houve um apontamento da necessidade de convivência pacífica entre os diferentes no trânsito. A cartilha distribuída aos alunos pelo Senat diz, na página 62, que é função do taxista “tratar com educação, polidez e urbanidade os passageiros, os agentes de órgãos fiscalizadores, os demais taxistas, os motoristas, os transeuntes e o público em geral”.



DIA 2 - Instrutor diz como comprar placa de táxi, negócio ilegal


Os turnos da manhã e da tarde foram reservados para aulas com o instrutor Mauro Alcântara sobre legislação de trânsito e de transporte. Nos primeiros minutos, o educador pediu que os alunos se apresentassem, informassem há quanto tempo têm a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e explicassem o motivo de terem escolhido o táxi como profissão.
Um jovem que estava entre os primeiros consultados afirmou que iria “comprar” um táxi em sociedade com o cunhado.

Como as placas são uma concessão pública da prefeitura, a negociação, seja por venda ou aluguel, é proibida. A própria cartilha do Senat diz, na página 74, que “alugar, alienar ou negociar a permissão” é considerada uma “infração incompatível com a prestação do serviço”, o que resulta em multa de 2 mil UFMs (cerca de R$ 6,6 mil) e revogação do direito de explorar o táxi.

É uma falta que está acima das “infrações gravíssimas”.

Mesmo sabendo da irregularidade, o professor deu dicas para que o aluno efetuasse a transação.

– Beleza, meu. Dá grana. Cuida com essa história de comprar táxi porque, oficialmente, não pode. Comprar e vender táxi é tudo contratinho de gaveta, por debaixo dos panos. Cuida que tem de fazer um negócio bem amarradinho, porque senão daqui uns anos chega um neguinho e diz: ‘Me dá que é meu (a placa). Faz um negócio bem feito. Tá, meu velho? – orientou Mauro.

Instantes depois, um aluno que chegou atrasado foi convidado a fazer a apresentação e disse que “compraria placas” em parceria com o padrasto. O instrutor repetiu o alerta:

– Já te digo o que eu disse para os guris antes de tu chegar: não existe compra de placa, não existe aluguel de placa, é tudo por debaixo dos panos, tudo contrato de gaveta. Então tu faz bem amarradinho, contratinho bem feitinho porque, de uma hora para outra, o cara pode chegar e dizer ‘me dá aqui que é meu’. E aí tu fica com um carro cor de laranja, né, todo mundo sabe que já foi táxi, e até para vender o carro é difícil.

Mais tarde, o instrutor contou à turma um episódio de discussão de trânsito na zona sul da Capital em que ele, depois de ser ofendido, ameaçou agredir uma mulher.

Primeiro, Mauro relatou que a mulher lhe proferiu “trocentos” xingamentos e sinais. Indignada, a condutora teria aberto o vidro para ofender o instrutor. Foi nesse ponto que as coisas esquentaram, conforme detalhou Mauro.

– Ela me disse: ‘O que que é, magrão? Se tu falar alguma coisa, vou te dar umas porradas.’ Eu comecei a rir e ela perguntou se eu não estava levando fé. Eu só coloquei a minha cabeça para fora e disse a ela: se tu te comportar que nem homem, vai apanhar que nem homem. Ela levantou o vidro na hora. Era só o que me faltava, né, cara, eu estar completamente certo e ela completamente errada, me enchendo de desaforo, e eu ainda apanhar da mulher – gabou-se.

No curso no Senat, os alunos recebem orientações para se afastarem de discussões e brigas de trânsito, exatamente o oposto do que fez o instrutor.



DIA 3 - Minoria dos alunos disse que iria enganar passageiros


Pela manhã, os alunos assistiram aulas do módulo qualidade com a instrutora Cláudia Feijó. Nesse dia, episódios ilustraram o comportamento de um grupo de pelo menos sete futuros taxistas dentre os 25 alunos da turma. No decorrer das aulas, foram diversas as afirmativas desse time minoritário de alunos que, diante do professor e dos colegas, garantiam que iriam enganar passageiros, alterar o taxímetro e portar porretes ou “amansa-louco” para agredir e ameaçar pessoas que causassem problemas. Em geral, os instrutores não reagiam às confissões. Na quinta-feira pela manhã, um episódio foi emblemático.

Cláudia pediu que os alunos se apresentassem. Um deles afirmou que já trabalha há três anos como taxista em Porto Alegre. Como somente agora fazia o curso para providenciar o carteirão, ele revelou que atuava utilizando o documento de um irmão gêmeo. A instrutora, inicialmente, deu um tratamento mais ameno ao caso.
– Foragido da EPTC (referência ao fato de ele trabalhar irregularmente)? Eu não ouvi isso. Eu escutei, mas não processei. O teu irmão confia em ti, hein? – disse a instrutora.

Ela deu continuidade à aula e, instantes depois, explicava que fidelizar clientes idosos, com um trabalho dedicado e honesto, era um bom caminho para aumentar a renda no táxi.

– Pessoas que tu dá um bom atendimento, tu vai ter retorno. Dá para tirar uma boa grana, aquele que quer trabalhar, não precisa roubar de ninguém – afirmou.

O aluno que já tinha admitido trabalhar ilegalmente, tão logo percebeu a brecha após a frase “não precisa roubar de ninguém”, disparou:

– Às vezes, né.

Os risos foram generalizados.

– Fugitivo da EPTC, usa o carteirão do irmão e acha que às vezes pode roubar? – reagiu a professora.

– Claro que dá – retrucou o aluno.

Cláudia, então, mudou o tom. Para não bater de frente com o rapaz, passou a recordar dois casos que já tinha presenciado de pessoas que entraram no curso alardeando à turma que iriam roubar clientes. Um deles, contou, queria usar o espaço da aula para ensinar a adulterar o taxímetro, o que ela disse ter impedido. O outro era funcionário do pai e lhe aplicava golpes. Ao final, em tom de reprimenda e desabafo, falou:

– Isso é preocupante. Quando a pessoa perde a vergonha, o que tu espera? – lamentou.

Questionada pelo repórter, que se passava por aspirante a taxista, sobre as possíveis providências contra maus alunos, a professora respondeu que não tem poder para reprovar pessoas, mesmo aquelas que confessam atitudes classificadas como infrações na lei.

– Eu não tenho o poder (de reprovar). Eu posso dar o nome lá, o pessoal tem contato com a EPTC – resumiu, explicando que já havia denunciado casos semelhantes à coordenação do curso.




CONTRAPONTOS

VANDERLEI CAPPELLARI, DIRETOR-PRESIDENTE DA EPTC - Espero que o Sest-Senat tome medidas duras de correção. Ficou demonstrado que pessoas entram na atividade profissional com a intenção de ludibriar o cliente. É extremamente preocupante o professor dar dicas de ilegalidade, sobre como burlar a lei que proíbe comercialização de placa. Ele precisa ser eliminado da função de instrutor. E também é dado exemplo de como ser mau motorista e provocar acidente com risco de morte. Sem condições de ser um instrutor de direção defensiva.
CARLOS BECKER BERWANGER, DIRETOR DA UNIDADE DO SEST-SENAT - O Senat é uma instituição séria. Temos programa de acompanhamento dos instrutores justamente para não acontecerem essas coisas, mas a gente não está livre, temos quase cem funcionários. Todas as providências vão ser tomadas, inclusive as legais e jurídicas. Quando eu falo em providências, é no geral, em toda a equipe de colaboradores. Vou tomar atitudes para que esses fatos não se repitam. Condeno veementemente a atitude de dois instrutores. Isso me surpreendeu.

domingo, 15 de março de 2015

ACIDENTE COM COLETIVO MATA MAIS DE 49 PESSOAS NA SERRA CATARINENSE

ZERO HORA  em 15/03/2015 | 03h28


Acidente com ônibus na SC-418, em Joinville, é um dos cinco maiores da história do país
Veículo caiu em ribanceira e deixou 49 pessoas mortas na Serra Dona Francisca

por
Leandro Junges



Foto: PMR / Divulgação


Mesmo que o número oficial de mortos ainda possa mudar, o acidente com o ônibus de excursão que levava moradores do bairro São Cristóvão, de União da Vitória (PR), para o litoral paranaense já coloca as curvas da Serra Dona Francisca, em Joinville, como cenário de um dos cinco maiores acidentes rodoviários da história do país. O veículo despencou de uma altura de 400 metros no final da tarde deste sábado, dia 14, deixando mais de 49 pessoas mortas.



Confira abaixo os maiores acidentes rodoviários registrados nas estradas brasileiras, em número de mortos:

1º - Julho de 1987 – 68 mortos


Um ônibus de turismo da Viação Transmuniz bateu de frente com um ônibus da Viação Transnazaré, que transportava romeiros vindos da festa de Santana, na cidade de Belo Vale (MG). O acidente aconteceu na BR-040, que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, próximo ao município de Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. O motorista estava comprovadamente bêbado e o veículo não tinha autorização para trafegar em rodovias.

2º – Março de 1988 – 67 mortos

O segundo maior acidente rodoviário da história do País ocorreu em 1988, quando um caminhão aberto, carregado de trabalhadores (pau de arara) capotou e caiu em uma ribanceira em Cachoeira, na Bahia.

3º – Setembro de 1998 – 53 mortos

Uma batida na rodovia Anhanguera matou 53 pessoas. O acidente envolveu dois ônibus com 98 romeiros de Anápolis (GO) – que voltavam de uma excursão a Aparecida (SP) -, uma carreta carregada com 32 mil litros de combustível e um caminhão carregado com aguardente.

4º – Março de 2015 – 49 mortos (número ainda extraoficial)

Um ônibus que descia a Serra Dona Francisca, em Joinville, rumo a Guaratuba, no Litoral do Paraná, despencou em uma ribanceira com cerca de 400 metros. A excursão saiu de União da Vitória (PR) com adultos e crianças que iriam para a praia.

5º – Janeiro de 2000 – 42 mortos

Um ônibus, um micro-ônibus e dois carros de passeio se envolveram num acidente na BR-470, entre Pouso Redondo e Curitibanos, em Santa Catarina. A maioria dos mortos (39) eram argentinos que vinham para o litoral de Santa Catarina.


ZH 15/03/2015 | 07h57

IML divulga lista de passageiros de tragédia na Serra Dona Francisca. Às 3h deste domingo, órgão confirmou a morte de 49 passageiros





Ônibus despencou de ricambeira de 400 metros de altura na serra catarinense Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

O IML confirmou, até as 3h deste domingo, a morte de 49 vítimas da tragédia na serra Dona Francisca e divulgou a primeira lista de óbitos confirmados e de passageiros. Entre as vítimas do acidente envolvendo o ônibus da empresa Costa Mar Turismo, estão três adolescentes, oito crianças, 14 homens e 24 mulheres.

As operações de resgate já retiraram todas as vítimas do acidente com ônibus, mas não se descarta a possibilidade de que haja mais corpos sob o veículo e na mata. Com a falta de luminosidade e a dificuldade de acesso, as buscas irão recomeçar no início da manhã deste domingo.

A identificação dos corpos já está sendo feita por parentes de primeiro grau das vítimas. Para a operação de identificação, o IML de Joinville está com 15 médicos legais, peritos 15 médicos legais, peritos criminais, auxiliares criminalistas e auxiliares de médico trabalhando nesta madrugada. Um ônibus com familiares deve chegar às 6h deste domingo em Joinville para o reconhecimento das vítimas.

Há 49 mortos confirmados até a manhã deste domingo e 12 pacientes em hospitais. Quatro crianças no Hospital Infantil Jesser Amarante Faria, em Joinville. Outras sete vítimas estão no Hospital Municipal São José, em Joinville, e um paciente no Hospital São Luís, em Campo Alegre.



Lista de óbitos confirmados pelo IML
Anderson Celis Junior
André Luiz Carvalho
Assinara A de Oliveira
Camile Araújo Sieves
Carlos Alberto de Almeida
Cérgio Antonio da Costa (motorista)
Conrado Schier Filho
Darci Crespo Linhares
Deornirce Margarete Fontana Lima
Hildo L. de Souza
Janaina Darcley Ribeiro de Lima
Lariana Regina Vieira
Luiz Cesar Araújo
Maria Anisia Kutianski Agostini
Marise Antunes da Conceição Schier
Marli Terezinha Ribeiro
Mateus Costa
Melissa Jane Da Silva
Renan R. Chrisostemo
Roseli Chrisostemo
Sandra Jiliane Costa
Sônia Regina Vieira
Terezinha D. Carvalho
Thiago Roberto Barbosa
Wesley Araujo Sieves

Lista de passageiros confirmados que aguardam identificação
Alan P Schneider
Dalton Ribeiro
Dionilei M. Lima
Eloisa dos Santos de Almeida
Flávio Ribeiro
Glória Podstaya
Gustavo Felipe Serafim Aquino
Idelzina A. P. Aguiar
João Antônio M. Soares
Juliane Siqueira
Ketelin V. de Souza Ramos
Lenice Aparecida Miranda
Lucélia Soares
Maria D. Souza
Mariza Pinto
Osvaldir Silves
Rejane de Fátima Araújo
Renan Araújo
Ricardo Araújo
Selma Carolina Schneider
Tereza Fernandes Sins
Leonilda Alves dos Santos

Movidos para hospitais Danrlei Crespo Linhares (São José)
Elton Jhon de Almeida (São José)
Lucas K. Vieira (São José)
Rosangela Crespo Linhares (São José)
Alexo de Lima Zenere (Dona Helena)
Alana Pires (Dona Helena)
Elis Cristina Mazur (Dona Helena)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

UM CRIME COM MUITOS CÚMPLICES






ZERO HORA 15 de fevereiro de 2015 | N° 18074


EDITORIAL


No conjunto de irracionalidades geradoras de tragédias no trânsito, o consumo de bebidas alcoólicas por motoristas tem lugar de destaque.


Beber e dirigir é crime tipificado pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que pode resultar em caso de acidente grave, com vítima em pena de detenção de seis meses a três anos, além de multa e suspensão da habilitação. Mas pode-se contar nos dedos os motoristas presos no país em decorrência dessa irresponsabilidade criminosa, que provoca mortes e mutilações aos milhares nas estradas brasileiras, especialmente em feriadões de grande movimentação de veículos como é este do Carnaval. A punição branda, que em muitos casos beira a impunidade, é certamente uma das causas do morticínio no trânsito em nosso país, mas não é a única nem a principal. Antes dela, temos a má formação dos condutores, a falta de educação e de fiscalização, os abusos de toda ordem, a leniência das autoridades e até mesmo estradas mal planejadas e mal sinalizadas.

Nesse conjunto de irracionalidades geradoras de tragédias, o consumo de bebidas alcoólicas por motoristas tem lugar de destaque. Temos uma Lei Seca, que prevê multas pesadas para quem for flagrado com índices de alcoolemia acima dos limites, mas os condutores que bebem sempre acham que não vão ser flagrados. Pior: acham que manterão reflexos suficientes para dominar seus veículos sem grandes riscos.

Por isso ocorrem os acidentes. O álcool, como cansam de advertir os especialistas, provoca redução da sensibilidade visual, da percepção de velocidade e distância. Reduz a coordenação motora e a autocrítica, fazendo com que a pessoa se sinta poderosa. Esse combustível da arrogância transforma pessoas comuns em assassinos.

Os criminosos do trânsito movidos pelo álcool têm muitos cúmplices. Se temos uma legislação suficientemente rigorosa, como sustentam os legisladores e os juristas, são cúmplices todos os agentes públicos que deixam de fiscalizá-la e de aplicá-la. Se motoristas irresponsáveis insistem em dirigir alcoolizados, são cúmplices todos os parentes e amigos que, conhecendo a situação e podendo interferir, deixam de fazê-lo por motivo afetivo ou pela suposição de que nada acontecerá. Se os assassinos do trânsito permanecem impunes, é cúmplice – e vítima – a sociedade, que não consegue criar uma cultura de educação, prevenção e responsabilização consequente para os infratores.