segunda-feira, 4 de maio de 2015

BÊBADO, DIRIGINDO, MATOU DUAS PESSOAS E FOI SOLTO PELA JUSTIÇA



ZERO HORA 04 de maio de 2015 | N° 18152


TRÂNSITO ÁLCOOL E DIREÇÃO

Motorista bêbado provoca duas mortes na BR-386, em Canoas

CONDUTOR CHEGOU A SER PRESO pela Polícia Rodoviária Federal, mas conseguiu habeas corpus e vai responder ao crime em liberdade



Um motorista embriagado provocou a morte de duas pessoas na madrugada de ontem, na BR-386, em Canoas, na Região Metropolitana. De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Brayan William de Freitas, 20 anos, conduzia um Ford Fiesta no sentido Canoas-Interior. Ao realizar uma ultrapassagem, ele invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente contra uma motocicleta, na altura do km 441 da rodovia.

Com o impacto, a motocicleta ainda atingiu um outro veículo, um Fiat Uno, que seguia o fluxo. As vítimas, que estavam na motocicleta, foram identificadas como Letícia Leite Garcia e Denis Borges da Rocha, ambos de 27 anos. A passageira chegou a receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas acabou falecendo ainda no local. Rocha, piloto da motocicleta, teve uma perna amputada. Ele foi encaminhado em estado gravíssimo ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, não resistiu aos ferimentos e morreu.

Conforme a PRF, o motorista do Fiesta alegou que estava voltando de uma festa de casamento. O jovem, que reside em Nova Santa Rita, foi submetido ao teste do bafômetro e a embriaguez, constatada. O condutor foi preso em flagrante, indiciado por duplo homicídio doloso e levado ao Presídio Central de Porto Alegre. Horas depois, conseguiu habeas corpus e foi liberado. Por não ter antecedentes, vai responder ao crime em liberdade.

Conforme a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado, o número de homicídios culposos de trânsito julgados no Rio Grande do Sul – incluindo os causados por condutores alcoolizados – quintuplicou nos últimos anos, saltando de 962 em 2010 para 4.905 em 2014.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

RACHAS DE MOTO EM RODOVIAS PARA CHEGAR A 299 KM POR HORA

G1 FANTÁSTICO Edição do dia 26/04/2015


Grupo faz 'rachas' de moto e tenta chegar a 299 km/h em rodovias. Fantástico acompanhou operação da polícia contra o grupo. Vídeos na internet mostram motoqueiros dirigindo em altas velocidades nas estradas.




Corridas de motos superpotentes em uma das principais rodovias de São Paulo. Vídeos que estão na internet mostram que esse tipo criminoso de corrida, conhecido como “racha” ou “pega”, se repete em várias estradas do Brasil.

As motos deveriam andar a 100, 110 km/h, que é a velocidade permitida na maioria das estradas brasileiras. Deveriam.

“273 mais ou menos. Louco demais. Obrigado Deus”, diz um dos motoqueiros no vídeo.

Na Paraíba, um grupo de motoqueiros ganhou fama e até um apelido: "Clube do 299".

Eles aceleram muito, com um objetivo: chegar a 299 km/h.

“A partir do momento que ele atingiu aquilo, registrou aquilo, aquilo vai fazer ele ser mais respeitado como motociclista que corre mais”, diz Anderson Poddis, assessor de comunicação da PRF-PB.

“Vários deles furaram blitz, chegando inclusive a ter a possibilidade de atropelar um dos guardas da Polícia Rodoviária Federal. São verdadeiras armas nas mãos daqueles que não querem cumprir a legislação”, afirma Bertrand Araujo Asfora, procurador-geral de Justiça da Paraíba.

Nos últimos quatro meses, a Polícia Rodoviária Federal acompanhou cada movimento desses motoqueiros da Paraíba. Descobriu que eles usavam grupos restritos nas redes sociais para marcar as corridas.

É na BR-230, a principal rodovia do estado da Paraíba, que os motoqueiros faziam os rachas. Na estrada, a velocidade máxima permitida é de 110 km/h.

Na rodovia, entre João Pessoa e Campina Grande, os motoqueiros cometem infrações gravíssimas: fazem ultrapassagens perigosas em local não permitido e até pilotam sem segurar o guidão.

Os motoqueiros faziam questão de compartilhar os vídeos com os amigos. Em janeiro, policiais gravaram um dos rachas do Clube do 299. No vídeo, todas as motos passam voando. Algumas estão indo tão rápido que o radar nem consegue registrar a velocidade.

Para mostrar o tamanho do perigo, o Fantástico fez um teste no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Primeiro, pedimos a um piloto profissional que dirigisse a 110 km/h. E depois, a mais de 200 km/h.

E os freios? Como funcionam numa situação dessas? A 110 km/h, a moto parou depois de percorrer 34 metros. A mais de 200 km/h, a moto percorreu 143 metros, uma distância quatro vezes maior até parar.

“Na estrada, a chance de morrer é alta. Por quê? Primeiro, você não controla as variáveis. Você não sabe se tem uma sujeira no chão, uma ondulação. A 200 por hora, uma ondulação é suficiente para derrubar”, alerta Roberto Manzini, especialista em direção defensiva.

Na sexta-feira (24), o Fantástico acompanhou a operação contra o Clube do 299 na Paraíba.

Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Ministério Público já tinham provas suficientes para apreender as motos e as habilitações dos integrantes do grupo. Segundo as investigações, quem organizava as corridas clandestinas era o empresário Gibran Moraes. Ele aparece em vários vídeos fazendo manobras arriscadas e em altíssima velocidade.

No apartamento de Gibran, os policiais também encontraram um revólver e munição até para fuzil. Em um vídeo, o empresário aparece atirando com uma pistola 9 milímetros, que é de uso exclusivo das Forças Armadas. Por causa da munição de fuzil que é de uso restrito, Gibran continua preso.

Na operação policial desta semana, na Paraíba, dez motoqueiros acusados de participar dos rachas tiveram a habilitação apreendida. Ou seja, não podem dirigir.

“É uma questão de provar que ‘ah, eu não sou medroso. Não aconteceu nada’. Hoje. E amanhã? A chance de dar errado e de se matar é grande e ainda matar terceiros”, diz Roberto Manzini, especialista em direção defensiva.

sábado, 25 de abril de 2015

CINTO NO BANCO DE TRÁS NÃO É HÁBITO


ZERO HORA 25 de abril de 2015 | N° 18143


NATHÁLIA CARAPEÇOS


TRÂNSITO SEM NOÇÃO DO PERIGO

PESQUISAS APONTAM POUCA ADESÃO ao acessório por passageiros que sentam na parte traseira dos veículos, e especialistas reforçam a necessidade de conscientização sobre essa prática, que pode salvar vidas em caso de acidentes


Assim como engatar a primeira marcha para arrancar o carro é uma ação quase automática, colocar o cinto de segurança também deveria ser – seja no banco da frente ou no traseiro. Mas, segundo pesquisas de órgãos ligados ao trânsito, essa ainda é uma realidade distante de boa parte dos passageiros, principalmente quando o assunto é o uso do acessório para quem está atrás.

Dados coletados pela Ford e apresentados neste mês mostram que, na Europa, mais de um terço das pessoas não usam o cinto de segurança quando viajam no banco traseiro. No Brasil, a situação não é diferente. Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um levantamento apontando que apenas 37,3% usavam sempre o cinto atrás, enquanto 73,2% diziam utilizar o acessório na frente.

A PRINCIPAL INFRAÇÃO NAS ESTRADAS ESTADUAIS

Os gaúchos também não mantêm bons hábitos quando o assunto é o uso do cinto. Pesquisa encomendada pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran), em 2012, mostrou que 30,9% não colocam o item no assento traseiro.

No ano passado, a infração do artigo 167 do Código de Trânsito Brasileiro (o não uso do acessório pelo condutor ou passageiro em qualquer um dos bancos), ficou em 6º lugar no ranking de multas. Já nas rodovias estaduais, o quadro é ainda pior. Dados do Comando Rodoviário da Brigada Militar apontam que a falta do cinto foi a infração mais registrada em 2014.

– Alguém sem cinto dentro do carro é um risco para os demais. Há uma ideia errada de que atrás é mais seguro. Na frente, as pessoas se sentem mais vulneráveis, além de terem receio da fiscalização – afirma a engenheira e especialista em segurança viária Christine Nodari, que integra o Laboratório de Sistemas de Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).



O que leva à conduta arriscada



Para especialistas, não há um fator único que determine a resistência ao cinto no banco de trás.

– O grau de ignorância e descrença quanto à gravidade do tema é maior do que a gente pensa – diz o sociólogo e especialista em educação e segurança no trânsito Eduardo Biavati.

Presidente do Instituto de Segurança do Trânsito, David Duarte Lima destaca que existe o conceito natural entre as pessoas de que sentar atrás é mais seguro.

– É algo que já ouvi em vários Estados – conta.

Outros dois pontos aparecem ligados ao não uso do cinto no banco traseiro: a desinformação e a dificuldade para multar. O diretor-geral do Detran gaúcho, Ildo Mário Szinvelski, reforça a necessidade de aliar os dois temas:

– Se a educação e a conscientização não têm efeito, não resta outro caminho a não ser a fiscalização rígida.

Para a especialista em psicologia do trânsito Aurinez Rospide Schmitz, do Instituto Ande Bem, as pessoas têm dificuldade cultural de compreender o perigo da falta desse hábito.

– Quem segue as regras é considerado o medroso – ressalta.

Diante isso, o consenso entre especialistas e poder público é de que a maior aposta deve ser em campanhas e ações de conscientização.

O planejamento deve incluir linhas específicas por faixa etária, com foco nos jovens. A atuação junto a escolas é vista como um dos principais pontos, assim como a participação da família.

– Trazer exemplos em disciplinas da escola, como a física, é uma boa opção – sugere Biavati.

Depois da educação, o reforço na fiscalização é considerado como outro ponto importante.

– No caso do uso do cinto na frente, foi um fator decisivo para as pessoas usarem. Não dá para deixar isso de lado – ressalta a engenheira Christine Nodari.

Por lei, se alguém não estiver usando o cinto no veículo, a responsabilidade recai sobre o motorista. Esse processo é questionado por Aurinez. Para ela, não é necessária uma alteração na legislação, mas, sim, uma mudança de visão sobre o papel de cada um no trânsito.

– Os passageiros têm de se sentir corresponsáveis e cada um precisa fazer a sua parte – diz.

O diretor-geral do Detran afirma que ações educativas são a principal estratégia do órgão.

– Esses materiais devem mostrar a realidade. Não há segunda chance – diz Szinvelski.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

BLOQUEIO CRIMINOSO


ZERO HORA 24 de abril de 2015 | N° 18142


EDITORIAL




O direito de protestar e de reivindicar não pode ser confundido com uma pretensa autonomia para prejudicar os outros. É o que acontece quando caminhoneiros utilizam seus veículos para bloquear rodovias ou jogam pedras nos veículos de colegas que decidem continuar rodando. Mesmo que o governo tenha sido leniente na negociação, criando a expectativa de que poderia resolver problemas imediatos da categoria, a reação violenta é injustificável. Foi assim quando dos primeiros protestos, marcados pelo radicalismo de parte expressiva dos que paralisaram suas atividades, e se repete agora em alguns setores da mobilização.

Nenhuma questão setorial, sob quaisquer argumentos, pode ameaçar o direito de ir e vir. A situação dos caminhoneiros foi agravada por uma série de fatores, a começar pela desaceleração da economia, pelo excesso de prestadores de serviços e, como decorrência, pelo achatamento nos preços dos fretes. Junta-se a isso a elevação dos combustíveis e dos pedágios e está criado o cenário que descapitaliza os que, por décadas, vêm oferecendo a maior contribuição ao trans- porte de cargas no país.

Algumas demandas podem ter viabilidade discutida, desde que não representem a transferência de altos custos aos contribuintes. Outras, como o improvável tabelamento dos fretes, são assuntos de mercado e assim devem ser tratadas, pois independem da vontade de governos. O que não pode persistir é a ação de piquetes, com o bloqueio de rodovias e a criação de ambientes de tensão. As autoridades, como ocorreu quando do movimento de fevereiro, devem ter presença ostensiva nesses locais, para que a lei se sobreponha à baderna e a atos criminosos.


domingo, 5 de abril de 2015

JOVENS MORREM EM ACIDENTE DE CARRO

ZERO HORA 05/04/2015 | 07h0

por Bruna Scirea

Corpos de jovens mortos em acidente são velados em Santo Cristo. Cerimônia coletiva ocorre no Centro Social Paroquial da cidade de cerca de 15 mil habitantes



Foto: Pietro Fuhr / Arquivo Pessoal


Os corpos dos quatro jovens que morreram em um acidente na ERS-472, em Santa Rosa, na tarde deste sábado, são velados no Centro Social Paroquial de Santo Cristo, no noroeste do Rio Grande do Sul, nesta madrugada.

A cerimônia ocorre com três dos caixões lacrados, em função de o carro ter incendiado após colidir contra uma árvore na lateral da rodovia. Após terem passado por exame de DNA, foram confirmadas as identidades das vítimas: os primos Matheus Schreiner e Tiago Schreiner, Cassiano Utzig e Leonardo Henkes — todos naturais de Santo Cristo. A missa de enterro está marcada para as 16h30min na Igreja Matriz da cidade que tem cerca de 15 mil habitantes.

Os quatro jovens eram amigos e estavam na região para passar o feriado de Páscoa em família. Como de costume, resolveram se reunir — desta vez, em um churrasco na casa de Cassiano. Pouco antes do fim da tarde, a turma de amigos se dividiu em dois carros e foi para Santa Rosa, onde fariam uma surpresa e buscariam a namorada de um deles. No retorno a Santo Cristo, no entanto, o carro em que os quatro estavam saiu da pista, colidiu em uma árvore e pegou fogo às margens da ERS-472.

Leonardo Henkes, 19 anos, morava em Ivoti, no Vale do Sinos, e cursava o último ano do Ensino Médio. Ele buscava formação técnica em Mecânica na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo. Conforme amigos, ele deixa os pais e uma irmã mais velha. O corpo de Leonardo é o único que está sendo velado com caixão aberto. No momento do acidente, ele foi arremessado para fora do veículo e foi o primeiro a ser reconhecido.

Matheus Schreiner, 19 anos, cursava o 5º semestre de Medicina Veterinária na Unijuí, em Ijuí. Segundo amigos, ele deixa pais, uma irmã e a namorada — colega de faculdade com quem estava junto há mais de um ano.

Cassiano Utzig, 19 anos, estudava Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Colorado fanático, o jovem deixa uma irmã de 16 anos e os pais.

Tiago Schreiner, 19 anos, cursava Informática na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), em Santo Ângelo. O jovem deixa os pais e o irmão gêmeo, que fazia o mesmo trajeto, mas em outro carro, no momento do acidente.

Carro pegou fogo após colidir com árvore

O acidente aconteceu por volta das 18h, na rodovia que liga Santa Rosa a Três de Maio (ERS-472). As vítimas estavam em um Focus, que saiu da pista no quilômetro 160 e colidiu com uma árvore. O veículo pegou fogo e três pessoas morreram carbonizadas, conforme o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM).



Fotos: Pietro Fuhr, Arquivo Pessoal



O Focus tem placas de Santo Cristo, cidade localizada a cerca de 20 quilômetros de Santa Rosa. Conforme o CRBM, a hipótese é que o veículo tenha saído da pista devido a uma aquaplanagem, pois chovia no momento do acidente. A rodovia não ficou bloqueada por causa da ocorrência.



Além do CRBM, uma equipe do Corpo de Bombeiros teve de ser acionada para atender o acidente, para conter o incêndio no veículo. Uma equipe do Instituto-Geral de Perícias (IGP) chegou ao local pouco antes das 20h, para analisar as circunstâncias do acidente.

A colisão aumentou para pelo menos 16 o número de mortes neste feriadão de Páscoa, conforme levantamento realizado pelo Grupo RBS a partir do meio-dia de quinta-feira.



* Zero Hora

sexta-feira, 3 de abril de 2015

SÃO 34 MORTES EM CINCO ANOS



ZERO HORA 03 de abril de 2015 | N° 18121


TRÂNSITO 10 ANOS DE ESPERA




Fim da duplicação da ERS-118 não tem prazo


COM OBRA PARALISADA desde outubro do ano passado e sem definição de data para retomar construção, governo estadual evita previsão exata e afirma que meta é finalizar os 22 quilômetros, entre Sapucaia do Sul e Gravataí, até o final do mandato

A maior ponte do mundo, com 165 quilômetros de extensão, levou quatro anos para ser construída na China. Uma cidade inteira se ergueu do nada em três anos e meio para virar capital do Brasil em 1960. No Rio Grande do Sul, a duplicação de 22 quilômetros de uma rodovia vai completar uma década sem conclusão.

Como as obras da ERS-118 entre Sapucaia do Sul e Gravataí estão paradas desde outubro e sem prazo para serem retomadas, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) já descartou a previsão do governo anterior de terminar o serviço – iniciado em 2006 – ainda neste ano.

Até agora, foram implantados 10,9 quilômetros de pista nova de concreto – média de pouco mais de um quilômetro por ano –, mas a pista antiga não começou a ser restaurada. Como resultado, os motoristas enfrentam desvios, trechos de asfalto irregular e buracos. As explicações para a lentidão do projeto incluem falta de dinheiro e demora na remoção de casas e comércios no trajeto da rodovia.

ESTUDO FINANCEIRO TRAVA RETOMADA DO SERVIÇO

Em razão da escassez financeira, no momento não há nem prazo exato para a retomada ou o fim dos trabalhos. Segundo o diretor- geral do Daer, Ricardo Nuñez, é preciso primeiro verificar quanto dinheiro o Piratini terá disponível. Segundo Nuñez, “a meta é concluir a duplicação neste governo”.

– Estamos fazendo levantamento para entender as dificuldades, para apresentar ao governador e ver com quanto recurso poderemos contar e o que poderemos executar neste ano e nos próximos três – sustenta o diretor do Daer.

O valor já gasto na duplicação, que foi projetada pela primeira vez em 1996, chega a R$ 65,9 milhões. Os valores originais previstos nos contratos de cada um dos três trechos licitados separadamente – o que também complica a uniformidade da duplicação – somam R$ 127,6 milhões.



Atraso motiva reocupação de terrenos já desapropriados


Em razão da letargia, alguns terrenos que já haviam sido liberados para dar lugar a nova pista voltaram a ser ocupados por moradores e comerciantes. Proprietários de uma revenda de autopeças, Éverton Trindade, 38 anos, e Fábio Trindade, 36, desocuparam há cerca de um ano uma faixa de 10 metros à margem da rodovia.

Removeram carcaças de carros e chegaram a implantar colunas da nova cerca, mais recuada, para dar espaço à nova estrada. Como ela não veio, os automóveis velhos voltaram para a beira da ERS, e a construção da cerca nova parou.

– Foi na Páscoa do ano passado que alguém passou por aqui para falar com a gente pela última vez. Como nada aconteceu, ocupamos o espaço de novo – argumenta Éverton, garantindo que volta a liberar a área se necessário.

Em outro ponto, três casebres foram reerguidos e se encontram novamente em processo de reintegração de posse. A maior parte das áreas já liberadas para a duplicação, porém, permanece vazia. Ainda falta desapropriar outros 200 terrenos de comércios e casas.



À espera de duplicação há quase 10 anos, o trecho de 22 quilômetros entre Sapucaia do Sul e Gravataí registrou 34 mortes e 1.297 acidentes nos últimos cinco anos – média de um a cada 33 horas.

A conclusão da obra, que se encontra parada desde outubro, é apontada como uma maneira de reduzir a violência no trânsito na região, onde se alternam pontos de pista simples com outros de pista dupla, desvios e locais com o pavimento deteriorado. O trecho também é considerado vital para o transporte de cargas, já que une cidades importantes da Grande Porto Alegre como Sapucaia, Esteio, Cachoeirinha e Gravataí.

– Se fosse em qualquer outro país, seria proibido o tráfego nesta estrada nas condições atuais. É um absurdo que a obra demore tanto tempo – lamenta o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado (Setcergs), Afrânio Kieling.

No ano passado, conforme registros do Comando Rodoviário da Brigada Militar, oito das nove mortes registradas em todos os 80 quilômetros da ERS-118 ocorreram no trecho afetado pelo projeto de duplicação – com alta densidade urbana, saídas de ônibus e caminhões, entre outros focos de risco. Do começo de 2010 até o final de 2014, ocorreram 53 mortes em acidentes em toda a via.

A SITUAÇÃO POR TRECHO
1) KM 0 AO KM 5
-Construtora: Conterra
-Andamento da obra: 7%
-Valor inicial previsto:
2) KM 6 AO KM 11
-Construtora: Sultepa
-Andamento da obra: 50%
-Valor inicial previsto:
3) KM 12 AO KM 22
-Construtora: Triunfo
-Andamento da obra: 71%
-Valor inicial previsto:

segunda-feira, 23 de março de 2015

OBRAS FEDERAIS NO RS PISAM NO FREIO

ZERO HORA 23/03/2015 | 04h02
por Caio Cigana


Duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, é um dos projetos que mais sofrem atraso em razão da demora no repasse de dinheiro vindo da União. Escassez de recursos também afeta os serviços de manutenção de estradas




Recém iniciada, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, é uma incógnita Foto: Lauro Alves / Agencia RBS


O cinto apertado do governo federal, em busca de economia para colocar as contas do país em dia, pôs um pé no freio na construção e duplicação de rodovias federais no Estado. O atraso de cerca de R$ 140 milhões no pagamento por serviços realizados, aliado a aumento nos preços do asfalto, paralisa ou diminui o ritmo em obras de pelo menos três estradas, além de afetar a manutenção de vias existentes.

Levantamento da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) indica que, no país, a dívida do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) com as construtoras é de R$ 1,4 bilhão. No Estado, seria 10% do total, estima o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem (Sicepot-RS).


Uma das mais impactadas é a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas. Dos nove lotes, dois estão totalmente paralisados e os outros sete têm andamento lento, com a pavimentação de asfalto parada. Recém iniciada, a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, é cercada de dúvidas, diz o presidente do Sicepot-RS, Nelson Sperb Neto:

– Até outubro, era prioridade. Mas como não é restauração nem está em fase de conclusão, não sabemos o que vai acontecer.

O trabalho de conservação e restauração das rodovias existentes também está comprometido. Conforme o Sicepot, apenas 40% das obras estão com andamento normal. Para completar, as empresas também depararam com um aumento de 35% no preço do asfalto vendido pela Petrobras. Com isso, alega a entidade, os contratos ficam desequilibrados e a saída seria o Dnit cobrir a diferença devido ao aumento de custos não previsto.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-RS), Melvis Barrios Junior, o contingenciamento pode sair mais caro:

– A descontinuidade ou a redução do ritmo de uma obra acarreta custos maiores porque o que já foi feito vai se deteriorando.

Dnit afirma que vai regularizar verbas

Na busca por cortar gastos, o governo federal anunciou no fim de fevereiro contingenciamento de R$ 32,6 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de restos a pagar de 2013. Pelos cálculos da Aneor, no primeiro quadrimestre, o Ministério dos Transportes dispõe de apenas R$ 560 milhões para pagar construtoras.

A superintendência do Dnit no Estado afirma que não foi comunicada oficialmente sobre a paralisação de obras e discorda da projeção do Sicepot de que apenas 40% dos trabalhos de reparos e manutenção transcorrem normalmente. A sede do órgão, em Brasília, informa que fará o reequilíbrio relacionado ao aumento do asfalto nos contratos e sustenta que, após a aprovação do orçamento de 2015 pelo Congresso semana passada, é esperado decreto do Executivo sobre a programação financeira, "o que possibilitará a regularização dos compromissos".

Em visita na última sexta-feira ao Estado, a presidente Dilma Rousseff não deu boas notícias e classificou como "significativo" o contingenciamento de recursos.

Ampliação em hospital tem custo reduzido

Nem todas as obras têm o ritmo atrapalhado pelo contingenciamento de recursos federais. O melhor exemplo é a ampliação do Hospital de Clínicas, na Capital. O projeto, que vai permitir a oferta de 150 novos leitos, está orçado em R$ 397 milhões e tem previsão de ser concluído no prazo, em novembro de 2017.

– Não temos nenhum problema com recursos nem de sequência da obra – assegura o engenheiro Fernando Martins Pereira da Silva, assessor técnico da administração central do Clínicas.

Apesar dos atrasos no cronograma inicial, a nova ponte sobre o Guaíba também tem agora andamento normal, confirma o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem (Sicepot-RS). Outro projeto de rodovia com ritmo adequado, de acordo com o levantamento da entidade, é a travessia urbana de Santa Maria, com a duplicação de estradas que cortam a cidade.

Listadas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as barragens de Jaguari e Taquarembó, na Metade Sul, também não sofrem com falta de recurso, garante Gilmar Carabajal, diretor do departamento de irrigação da Secretaria de Obras do Estado. As construções foram retomadas no ano passado.

Projetos afetados pelo atraso ou indefinição nas verbas

Duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas
Dois dos nove lotes estão totalmente paralisados, segundo o Sicepot. De acordo com a entidade, os outros sete lotes têm trabalhos lentos e todos estão com a parte de revestimento asfáltico parada.

Contorno de Pelotas
Obra dividida em dois lotes. Segundo o Dnit, o 1A deve ser concluído em maio. Para o lote 1B, a previsão de término é primeiro semestre de 2016 – até o ano passado, o prazo era o fim de 2015. Conforme o Sicepot, a obra do primeiro lote tem um bom ritmo e, a do segundo, sofre com lentidão e tem a pavimentação por asfalto parada.

Duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande
De acordo com o Sicepot, pendências ambientais e de definição de recursos para 2015 ameaçam a obra. Segundo o Dnit, há trabalho nos lotes 2, 3 e 4, mas o lote 1 ainda espera a liberação da Funai. A obra era para ter começado em 2013, mas foi iniciada apenas no fim do ano passado.

Restauração e conservação de rodovias pavimentadas
Apenas cerca de 40% das obras com andamento normal, segundo o Sicepot. O Dnit discorda do percentual.

Andamento de projetos com recursos federais no Estado

Prolongamento da BR-448 (Rod. do Parque)
Foi anunciado em abril de 2013 pela presidente Dilma. Seria um trecho de 18,7 quilômetros até Portão e depois outro de oito quilômetros até Estância Velha. A ampliação até Portão teve a licitação para estudos, projetos e obra lançada em outubro passado, mas deve ser revogada pelo Dnit pela necessidade de ajustes. A promessa é de a obra ficar pronta até o fim de 2017. O trecho Portão-Estância Velha está em estudos.

Prolongamento da BR-392
Também anunciado em abril de 2013, o trecho de Santa Maria a Santo Ângelo, com 235 quilômetros, deveria ter começado em 2014, com conclusão em três anos. O Dnit realiza Estudo de Impacto Ambiental. O trajeto já está aprovado no Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental. A promessa agora é que a obra se inicie em 2016.

Nova ponte do Guaíba
Era para ter iniciado em maio passado, mas só começou em outubro, quatro anos depois do anúncio de que seria construída. A previsão de entrega é setembro de 2017. A obra terá 2,9 quilômetros e duas faixas de tráfego. Nesta primeira fase, o consórcio responsável pelo empreendimento trabalha nos projetos, nas ações de reassentamento de cerca de mil famílias e na fabricação das peças pré-moldadas que irão compor a travessia. O Dnit promete o andamento no prazo da obra.

Duplicação da rodovia BR-392 entre Pelotas e Rio Grande
Está concluída, de acordo com o Dnit.

BR-116 na Região Metropolitana
Viaduto de Sapucaia do Sul está concluído e liberado ao tráfego. As melhorias operacionais do trecho já foram licitadas e as empresas contratadas. Atualmente estão trabalhando nos projetos, conforme prevê a modalidade de contratação.

Duplicação da rodovia BR-386 entre Tabaí e Estrela

Os trabalhos começaram em novembro de 2010 e deveriam estar completamente prontos em 2013. O andamento está atrasado por impasse com a Fundação Nacional do Índio (Funai) devido à remoção de aldeia indígena às margens da estrada, o que impede o andamento das obras em dois quilômetros, em Estrela. O Dnit espera realizar a mudança da comunidade indígena para a nova aldeia até o fim de abril. Assim, poderá dar continuidade aos trabalhos, que seriam concluídos no ainda fim deste ano, estima o departamento.

Travessia urbana de Santa Maria

A duplicação de 14,1 quilômetros nas BR-158 e BR-287 está com andamento normal, segundo levantamento do Sicepot. Será feita a duplicação das estradas que cortam a cidade. A largada no projeto, orçado em R$ 309 milhões, foi dada em dezembro passado. A previsão é de que a travessia seja concluída em três anos.

Barragens Taquarembó e Jaguari
Mesmo sob responsabilidade do Estado, são obras listadas no PAC. Iniciadas em 2009, foram paralisadas em 2011 e 2012 por falta de recursos e suspeitas de irregularidades. Têm agora contratados R$ 141,8 milhões, sendo 99% da União. Segundo a Secretaria de Obras do Estado, não há problema de repasse de recursos. Os trabalhos foram reiniciados ano passado. Ambas têm previsão de conclusão em março de 2016. Taquarembó contempla Dom Pedrito, Lavras do Sul e Rosário do Sul. Jaguari abrange São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul.

Hospital de Clínicas
Obras na Capital estão dentro do cronograma e inclusive com redução de R$ 11 milhões no orçamento em relação à previsão inicial de R$ 408 milhões. Previsão é de ficar pronta em novembro de 2017.

Hidrelétricas de Garabi e Panambi
Apresentam atraso em relação ao cronograma original. No caso da usina de Garabi, está em andamento o cadastramento socioeconômico e imobiliário na área rural. Na usina de Panambi, o mesmo trabalho e o licenciamento ambiental foram paralisados pela Justiça Federal. As duas obras, no Rio Uruguai, serão feitas com a Argentina. O início estava previsto para 2018. Cinco anos atrás, a intenção era dar a largada em 2012.

Ferrovia Norte-Sul
O Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental do prolongamento da ferrovia entre Panorama (SP) e Rio Grande, no sul do Estado, seria concluído em abril do ano passado. O prazo passou para dezembro e agora a estatal federal Valec espera que esteja concluído ainda no primeiro semestre deste ano.

Reforma e ampliação do terminal de passageiros no aeroporto Salgado Filho
Depois de sucessivos atrasos, tem previsão para ficar pronta em janeiro de 2017. Dos 105 milhões orçados pela Infraero no ano passado para as obras, apenas 10% foram aplicados.

Ampliação dos sistemas de pistas e pátios de aeronaves no Salgado Filho
Apresenta boa velocidade de realização das obras e deve ficar pronta daqui a dois meses. No ano passado, foram aplicados no projeto R$ 71,2 milhões dos R$ 71,9 milhões orçados pela estatal.

Prolongamento da pista no Salgado Filho

A informação mais recente da Infraero, administradora do aeroporto, é que a obra, prometida há mais de 15 anos, não deve começar antes de dezembro de 2016. O obstáculo é a remoção das famílias que moram nas proximidades.