sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CHOQUE NO BOLSO PARA DESPERTAR A CONSCIÊNCIA


ZH 31 de outubro de 2014 | N° 17969


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira




Haverá choro e ranger de dentes a partir deste sábado, quando entram em vigor os novos valores das multas para quem faz ultrapassagem em local proibido nas estradas. Não faltarão vozes para dizer que o sentido das multas, que tiveram aumento de até 900%, é meramente arrecadatório e que o ideal é educar os motoristas para que não cometam infrações. É verdade, mas, quando a educação não funciona, o choque no bolso é uma técnica eficaz para despertar a consciência.

Qualquer aprendiz sabe que, se existe uma placa de ultrapassagem proibida, é porque naquele ponto o desrespeito à regra coloca em risco a vida de quem faz a manobra e a de quem vem em sentido contrário. Na prática, motoristas experientes desafiam o perigo o tempo todo nas estradas e ultrapassam em curvas, sem enxergar o que está à frente, como se participassem de uma brincadeira de roleta-russa. Com o aumento do valor das multas, espera-se que os apressadinhos tenham mais cuidado.

As novas regras também têm por objetivo inibir os rachas e as ultrapassagens pelo acostamento, comuns até em vias duplicadas, quando se formam engarrafamentos. A multa para quem for flagrado ultrapassando pelo acostamento ficará sete vezes mais cara. Pula de R$ 127,69 para R$ 957,70. Para quem forçar uma ultrapassagem de risco a multa sobe 10 vezes: de R$ 191,54 para R$ 1.915,40.

Para os motoristas envolvidos em rachas, a multa passará de R$ 574,62 para R$ 1.915,40, e as penas ficarão mais duras. Hoje, esses infratores são condenados a, no máximo, dois anos de reclusão. Com a nova lei, o tempo pode aumentar para seis anos, se houver lesão corporal, ou para 10, quando resultar em morte.

Autor do projeto apresentado em 2007, aprovado em maio e sancionado agora pela presidente Dilma Rousseff, o deputado Beto Albuquerque (PSB) justifica que 60% das mortes no trânsito ocorrem em choques frontais. Na maioria dos casos, diz ele, são provocadas por ultrapassagens indevidas.

No Brasil, as mortes por acidentes de trânsito aumentaram 41,7% em 10 anos. No Rio Grande do Sul, houve aumento de 16,9%.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

REPRESSÃO À IMPRUDÊNCIA



ZERO HORA 30 de outubro de 2014 | N° 17968


LUÍSA MARTINS

FISCALIZAÇÃO. Vai pesar ainda mais no bolso


Multas ficarão até 900% mais caras a partir de sábado. Mudança vai atingir ultrapassagens em local proibido ou pelo acostamento e motoristas que fazem rachas. Tempo de prisão em caso de crime de trânsito também aumenta


A partir de sábado, motoristas que provocarem situações de risco no trânsito estarão sujeitos a pagar mais caro pelas infrações. Em alguns casos, muito mais caro: o aumento no valor das multas, determinado a partir da sanção presidencial de uma lei que altera 11 artigos do Código Brasileiro de Trânsito, pode chegar a 900%. Os artigos se referem, principalmente, a ultrapassagens em estradas e a disputas de rachas. As mudanças, conforme o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), podem resultar em mais segurança para motoristas e pedestres, além de preservar a infraestrutura urbana.

Quem for flagrado ultrapassando pelo acostamento, por exemplo, em vez de receber multa de R$ 127,69, como prevê a lei atual, vai passar a pagar R$ 957,70 – valor mais de sete vezes maior.

– O bolso é a parte mais sensível do ser humano, por isso há esperança de que a nova lei reduza o número de ocorrências – afirma Rafael Roco de Araújo, doutor em Engenharia com ênfase em Sistemas de Transportes e professor da PUCRS.

Envolvidos em rachas ou corridas não autorizadas também estarão sujeitos a penas mais duras. Atualmente, esses motoristas são condenados a, no máximo, dois anos de reclusão. Com a nova lei, o tempo pode aumentar para seis anos, caso haja lesão corporal, ou para 10, quando resultar em morte.

O projeto foi elaborado em 2007 pelo deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) e sancionado em maio pela presidente Dilma Rousseff. A mortes por acidentes de trânsito no Brasil aumentaram 41,7% em 10 anos, segundo o Mapa da Violência 2013, divulgado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela). Ainda que o Rio Grande do Sul tenha caído de 18º para 21º no ranking, houve aumento de 16,9%.

– As multas estão defasadas há muito tempo. Exalto a maior severidade principalmente em relação às ultrapassagens, que podem acabar em choques frontais. Levando em conta a velocidade com que esses veículos transitam, quase sempre há mortos ou, pelo menos, feridos – diz João Fortini Albano, professor de Engenharia de Produção e Transportes da UFRGS.

EM CASO DE REINCIDÊNCIA, MULTA SERÁ DOBRADA

A nova lei ainda determina que, se houver reincidência, a multa será reaplicada em dobro, podendo chegar a R$ 3.830,80.

– Pesando no bolso, pode ser também que pese a consciência – afirma o professor da UFRGS.

O Denatran garante que 5% dos recursos das multas são direcionados ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), algo que a ativista Diza Gonzaga, presidente da ONG Vida Urgente, vê com bons olhos, mas com ressalvas. Ela deseja um percentual maior dedicado a iniciativas que cuidem não só da educação, mas da melhoria das estradas:

– A educação no trânsito é um processo permanente que deve abarcar todos os níveis de ensino, do infantil ao adulto. Gostaria que essa verba fosse utilizada para aprimorar a engenharia de trânsito: se uma curva é chamada “da morte” ou uma estrada é apelidada “do inferno”, algo está errado.



 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

MENINO É ATROPELADO NA CALÇADA POR VEÍCULO CONDUZIDO POR POLICIAL AFASTADO POR PROBLEMAS PSICOLÓGICOS



ZERO HORA 28 de outubro de 2014 | N° 17966

CLÁUDIO GOLDBERG RABIN E FERNANDA DA COSTA


ACIDENTE ATROPELADO POR POLICIAL. Menino tem pé arrancado ao ser atingido por carro

VEÍCULO CONDUZIDO POR SOLDADO passou sobre criança domingo à noite, em Palmeira das Missões. O estado do garoto de sete anos é gravíssimo


A noite de comemoração de um aniversário se transformou em um pesadelo para a família de Gabriel da Silva Kruger, sete anos. Atropelado enquanto brincava na calçada, em Palmeira das Missões, no norte do Estado, o garoto teve o pé arrancado, três costelas quebradas e um pulmão perfurado. O quadro relatado à família pelos médicos que cuidam de Gabriel é pouco animador: ele passou parte da noite em coma e segue em estado gravíssimo. Mais forte do que o desejo de Justiça em relação ao motorista responsável pelo atropelamento, um policial militar, o que a família mais anseia é ver Gabriel recuperado.

– Só queremos que ele escape dessa – diz o tio do menino, Edson Vander Sieben, 42 anos.

Ele estava com o sobrinho em uma festa de aniversário e testemunhou o acidente. Para o garçom, é difícil aceitar que Gabriel tenha sido atropelado na calçada e por alguém que deveria zelar por sua segurança, um policial:

– Esse cidadão tinha de dar exemplo. Queremos que ele responda na Justiça pelo que fez.

Gabriel foi atropelado pelo soldado Endrigo Petter, que está afastado do trabalho há mais de um ano, em licença médica por problemas psicológicos, conforme o major Carlos Aguiar, subcomandante do 39º Batalhão de Polícia Militar de Palmeira das Missões. Petter dirigia um Corsa pela Rua Maris de Barros, no centro de Palmeira das Missões, quando perdeu o controle do carro e invadiu a calçada, na noite de domingo.

Conforme Sieben, o veículo passou sobre Gabriel e atingiu outras duas pessoas. O menino teve o pé direito arrancado, da canela para baixo, e desmaiou.

Gabriel foi levado ao hospital do município e, na madrugada, transferido para o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, onde está internado no CTI.

Após o atropelamento, o soldado foi agredido por moradores com chutes e socos e ferido por golpe de faca no abdômen. Encaminhado ao hospital de Passo Fundo, já recebeu alta. Ontem, Petter teve a prisão decretada pela Justiça. Ele pode responder pelos crimes de lesão corporal ou tentativa de homicídio. O inquérito policial deve ser concluído em até 10 dias.

domingo, 26 de outubro de 2014

75 POR CENTO DOS ACIDENTES FATAIS COM JOVENS ENVOLVE ÁLCOOL



CORREIO DO POVO 25/10/2014


Estudo aponta que álcool está ligado em 75% dos acidentes fatais com jovens. Campanhas de conscientização são lançadas para diminuir o problema


Hygino Vasconcellos



Um número alarmante. Segundo estudos científicos, 75% dos acidentes fatais com jovens estão ligados ao álcool. O alerta foi dado pelo psiquiatra Gustavo Teixeira, que recentemente lançou o livro “Manual Antidrogas”. Ele ressalta que diversos estudos apontam que o uso abusivo do álcool está relacionado a um número “assustador” de acidentes automobilísticos entre adolescentes. Segundo estudos americanos, aproximadamente 40% dos afogamentos e até 50% dos estupros de estudantes universitários estão também relacionados ao uso abusivo do álcool.

A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, realizada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que consultou 1.455 alunos de 64 turmas do 9 ano (adolescentes com idade entre 13 a 14 anos) de 52 escolas de Porto Alegre, não apontou resultados melhores. Em um dos questionários, 78,2% dos jovens porto-alegrenses afirmaram que já experimentaram alguma vez bebida alcoólica índice acima do registrado no país, de 66,6%. Em relação a outras capitais brasileiras, Porto Alegre fica, neste quesito, em segundo lugar junto com Curitiba e atrás de Florianópolis, com índice de 78,8%.

Além disso, 29% dos alunos gaúchos admitiram que já sofreram algum episódio de embriaguez, o que deixa a cidade na terceira posição. Na primeira posição fica novamente Florianópolis, com 31,1%, e logo atrás Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com 30,7%. O psiquiatra do Hospital de Clínicas, Thiago Pianca, entende que a situação da Capital não é muito diferente em relação aos outros estados, já que a variação dos índices é pequena. “O consumo precoce é um problema nacional.”

Conforme Pianca, a ingestão do álcool por crianças e adolescentes vai agir diretamente no cérebro, nas partes que estão em desenvolvimento, responsáveis pelo controle do impulso.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

RODOVIAS FEDERAIS PIORARAM NO GOVERNO DILMA



O Estado de S.Paulo 19 Outubro 2014 | 03h 04


OPINIÃO



Pioraram, no governo Dilma Rousseff, os indicadores de qualidade da malha rodoviária brasileira, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2014. Houve pouco investimento, deterioração das condições de segurança e aumento do número - de 219, em 2011, para 289, em 2014 - de pontos críticos, tais como cruzamentos entre rodovias e ferrovias no mesmo nível, pontes caídas, queda de barreiras, presença de máquinas em operação nas pistas e buracos grandes. Se as rodovias brasileiras fossem todas boas ou ótimas, o País teria economizado R$ 1,79 bilhão em 2014, calcula o diretor da Confederação Nacional dos Transportes Bruno Batista.

Nos últimos 10 anos, o número de veículos em circulação cresceu 122% e a extensão das rodovias pavimentadas, apenas 13,8%, segundo o levantamento. Entre 2010 e 2014, o número de quilômetros pavimentados avançou apenas 5,6%. Como o volume de tráfego aumentou mais, as rodovias ficaram mais perigosas, exigindo mais dos motoristas.

De um total de 203,5 mil km de rodovias pavimentadas e de 1,69 milhão de km que formam a malha brasileira, a pesquisa abrangeu 98,4 mil km - mas só 32,4% estavam em perfeitas condições de rodagem. Nos 18,9 mil km sob concessão privada, 14,3 mil km (75,7%) registravam condições ótimas ou boas, mais que o dobro do porcentual registrado pelas estradas sob gestão pública (34,7%). Em 2013, apenas 4,4 mil km de estradas federais foram licitados e passaram à administração privada, mas não houve tempo suficiente para uma expressiva ampliação de investimentos.

As rodovias são responsáveis por mais de 60% do transporte de carga no País. Viabilizam o deslocamento das safras de grãos colhidas principalmente na Região Centro-Oeste para os grandes portos do Sudeste e do Sul. Delas depende, portanto, parte do gigantesco superávit do agronegócio brasileiro, superior a US$ 80 bilhões no ano passado. De boas rodovias também depende a competitividade dos produtos brasileiros exportados, mas a CNT calcula que o mau estado das rodovias eleve em 26% o custo do transporte.

Daí a importância do levantamento anual da CNT sobre o estado das rodovias e os problemas enfrentados por quem se vale delas tanto para se deslocar até o trabalho, a escola ou os centros de lazer como para transportar bens. Qualidade do pavimento, da sinalização, da estrutura de apoio, da geometria das vias, das curvas e dos acostamentos é bem mais do que estatística.

domingo, 19 de outubro de 2014

SEIS MORTES NUMA MADRUGADA VIOLENTA NO RS



ZH 19 de outubro de 2014 | N° 17957

Dani Barcellos

Acidentes. Tragédias no trânsito


Motorista na contramão foi uma de duas vítimas em colisão frontal na Rodovia do ParquePelo menos seis pessoas morreram em acidentes de trânsito na madrugada de sábado, no Rio Grande do Sul.

Na colisão mais grave, foram três vítimas fatais em Santa Rosa. Na Rodovia do Parque (BR-448), o motorista de um Corsa com placas de Canoas teria trafegado pela contramão e atingido frontalmente um Palio Weekend com placas de Fontoura Xavier, no km 14,8, no sentido Interior-Capital por volta das 3h. Os dois motoristas morreram no local e quatro passageiros do Corsa foram levados para o Pronto Socorro de Canoas. Um menino de seis anos ficou gravemente ferido.

Conforme o policial rodoviário federal Adriano Castro, pouco antes do acidente uma testemunha abordou uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas proximidades do aeroporto para contar que um carro na contramão quebrara o seu retrovisor.

Em Santa Rosa, um Gol bateu no canteiro central da Avenida Expedicionário Weber, a principal via da cidade, derrubou um poste, atravessou a pista e colidiu em um caminhão com placas de Encruzilhada do Sul. Até as 9h de sábado, a Brigada Militar confirmava três mortos – dois homens e uma jovem. Segundo a BM, o Gol partiu-se ao meio. Havia cinco tripulantes no carro.

Na BR-448, uma testemunha havia alertado a polícia a respeito de homem que dirigia em sentido contrário



Em São Leopoldo, mulher perde a vida na RS-240

Uma mulher morreu em um acidente no km 02 da RS-240, às 3h30min em São Leopoldo, no Vale do Sinos, também na madrugada de sábado.

Conforme o Grupo Rodoviário de Portão, o Renault Clio, com placas de Portão, saiu da pista, desceu um barranco e se chocou com uma árvore.

A vítima foi identificada como Erci Inês Sesstron, 50 anos. Ela estaria no banco traseiro do Clio, acompanhada pelo cunhado, que dirigia o veículo, e da irmã.

Os dois feridos foram encaminhados ao Hospital Centenário, em São Leopoldo.

sábado, 18 de outubro de 2014

ESTRADAS DESTRUÍDAS



ZH 8 de outubro de 2014 | N° 17956



EDITORIAL




Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), recém divulgada, evidencia o descaso com as estradas gaúchas, que estão se deteriorando em velocidade muito superior à capacidade do governo de investir na manutenção e nas melhorias. É mais um argumento irrefutável para a revisão do atual modelo de administração, e tema inadiável para o debate eleitoral que ora se desenvolve na disputa pelo governo do Estado. O levantamento mostra que as rodovias concedidas à iniciativa privada são melhores do que as administradas pelo poder público e que as piores do ranking são justamente as estaduais.

Enquanto o modelo se mantém como está, é preciso pelo menos que o poder público siga à risca alguns pressupostos elementares para garantir a segurança dos usuários e evitar um custo financeiro adicional para os gaúchos. Se há dificuldades de ampliar a malha pavimentada, o governo tem ao menos o dever de manter o que existe em condições de trafegabilidade. O que se constata, porém, é uma deterioração gradativa de trechos em condições adequadas de trafegabilidade, sob o ponto de vista de aspectos como geometria, pavimentação e sinalização.

Um aspecto particularmente grave é que, além de não conseguir manter as estradas como deveria, o poder público também não cumpre a sua parte sob o ponto de vista da fiscalização, imprescindível para a punição de quem trafega com excesso de peso, por exemplo. Em consequência, as dificuldades são maiores justamente no noroeste do Estado, onde é maior o tráfego de caminhões devido ao escoamento de safras. Isso faz com que os produtores enfrentem uma redução da competitividade. E, ao mesmo tempo, que os consumidores sejam forçados a arcar com o custo adicional do frete.

Num modelo econômico que privilegia o transporte rodoviário, não há perspectiva de crescimento sustentável sem investimentos em infraestrutura, particularmente os relacionados aos deslocamentos de pessoas e transporte de cargas. Por isso, se não tem como garantir pistas com um padrão mínimo de qualidade, o Estado precisa optar logo por um modelo alternativo que permita enfrentar definitivamente essa questão.