segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

JORNALISTA CICLISTA MORRE ATROPELADO EM SC



ZERO HORA 28 de dezembro de 2015 | N° 18398


SANTA CATARINA

Jornalista gaúcho morre após ser atropelado em Florianópolis. RÓGER BITENCOURT pedalava na rodovia SC-401 com mais cinco pessoas



O ciclista e jornalista Róger Bitencourt, 49 anos, morreu após ser atropelado por um carro, na manhã de ontem, em Florianópolis. Ele pedalava na SC-401 e foi atingido próximo ao viaduto de Jurerê.

Gaúcho de Porto Alegre, Róger morava há 22 anos em Santa Catarina, onde era vice-presidente da Associação Catarinense de Imprensa. No momento da batida, ele pedalava com mais cinco pessoas pelo acostamento da rodovia, no sentido bairro-centro. Conforme Sander Demira, um dos membros da equipe, ele e o colega Jacinto Silveira iam à frente do pelotão quando foram atingidos por uma Parati de cor preta, que rodou alguns metros até parar.

Sander conta que algumas pessoas retiraram a chave da ignição e impediram a fuga do motorista, Gustavo Raupp Schardosim, que, de acordo com o cabo Cristiano Lemonie, da Polícia Militar Rodoviária (PRMv), apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e o exame de sangue e foi encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia de Florianópolis. O médico que atendeu a ocorrência, no entanto, atestou que ele não estava embriagado. Schardosim, 39 anos, segue detido.

A outra vítima, Jacinto Silveira, foi encaminhada para o Hospital Celso Ramos com escoriações e lesões pelo corpo, mas está bem.

No tempo livre, Róger treinava para provas de triatlo e maratonas. Formado em Jornalismo pela PUCRS, trabalhou no Diário Catarinense e na RBS TV. Atuou também como professor de Jornalismo da Univali (Itajaí) e da Universidade Federal de Santa Catarina. Foi secretário estadual de Comunicação e era sócio-fundador da Fábrica de Comunicação. Deixa a esposa e uma filha.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

TRÂNSITO, UMA TRAGÉDIA QUE ASSOLA MUITO O BRASIL



JORNAL DO COMÉRCIO 27/10/2015


Os acidentes rodoviários matam cerca de 1,25 milhão de pessoas por ano, de acordo com um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, muitos acidentes são evitáveis, e países pobres são desproporcionalmente afetados.

Sabe-se que os acidentes rodoviários matam mais homens do que mulheres e são a maior causa de morte de jovens de 15 a 29 anos em todo mundo. Além das vidas, é um ônus financeiro, custando à economia global cerca de 3% do PIB. Nos países pobres e de renda média, onde ocorrem 90% das mortes mas onde estão apenas metade dos veículos conduzidos no mundo , esse percentual sobe para até 5%.

O pior para o Brasil é que, em 2013, foram 41.059 pessoas mortas em acidentes de trânsito. Isso equivale a 112 pessoas mortas por dia durante um ano.

Dentre os países das Américas, o Brasil apresenta uma taxa de mortalidade de 23,4 por 100 mil habitantes. Ficamos, tristemente, apenas atrás da República Dominicana.

Para nós, latino-americanos, o automóvel é muito mais do que símbolo de status; representa a sensação de poder. Atrás de um volante, muitos homens se tornam autênticos donos do mundo. Por isso, correm demais, não obedecem sinalização e, menos ainda, faixas de segurança.

Também deve-se lembrar, por uma questão de justiça, que os pedestres não colaboram muito para que o trânsito em geral seja melhor. A campanha que alerta no trânsito, somos todos pedestres parece ter pouco efeito prático.

Com 800 mil veículos, basicamente automóveis ou caminhonetes, Porto Alegre, com 1,5 milhão de habitantes, tem um trânsito saturado. Até os anos de 1980, só pessoas abastadas tinham automóveis. Por isso, era o sonho de consumo da maioria das famílias, vindo até mesmo antes da famosa casa própria. Com a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH), ficou mais acessível adquirir uma residência, fosse apartamento, ou mesmo uma casa tradicional.

Passadas três décadas após o fim do BNH, por causa da demagogia em não reajustar as prestações diante da inflação mais alta que havia, chegou a vez da popularização dos automóveis. Isenções fiscais, muito financiamento e automóveis populares, os folclóricos 1.0, tornaram felizes milhões de brasileiros.
Não que antes não fabricassem modelos baratos, como também, na época, o popular "Pé de boi". Porém, à entrada de milhões de veículos em circulação não correspondeu uma conscientização para mais cuidados em ruas, avenidas e estradas.

Por isso, é uma rotina, após os fins de semana, que sejam contabilizadas vítimas no Rio Grande do Sul e quase uma centena em todo o Brasil. Famílias inteiras são dizimadas na loucura da correria, do descuido, do descumprimento de regras, como a mais básica de todas, não ultrapassar em locais proibidos, geralmente antes de curvas, com a faixa dupla que separa as pistas.

Tudo indica que devemos colocar nos currículos escolares, desde o Ensino Fundamental, aulas para a conscientização de como dirigir e cuidados inerentes para motoristas e pedestres.

Como os jovens, tão logo completam 18 anos, praticamente exigem dos pais o exame para tirar a Carteira Nacional de Habilitação, são eles que, com a volúpia de velocidade e o natural destemor da idade, acabam morrendo mais do que nas outra sfaixas etárias.

Enfim, carro, hoje, tanto pode ser prazer como uma viagem sem volta, em que a morte espreita a cada curva do caminho. Então, educar sempre é a solução.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

VER E SER VISTO


JORNAL DO COMÉRCIO 22/10/2015



Rogério T. Brodbeck




Nosso Estado se caracteriza, em termos de clima e temperatura, por apresentar, por vezes, num só dia, as quatro estações do ano. Isso não sou eu quem diz, é a cultura popular e os "estrangeiros" que aqui aportam, notadamente os do Norte-Nordeste, que muito estranham não só o frio, mas as violentas variações climáticas.

Essas oscilações têm reflexos bem sérios no trânsito nosso de cada dia. E não só nas rodovias, mas também nas vias urbanas. Principalmente no inverno, mas também nas demais estações, nossas regiões, de um modo geral, apresentam, em determinadas horas do dia, o fenômeno da cerração, (ou neblina, ou nevoeiro) quando praticamente não se enxerga a pouco mais de alguns metros adiante.

Ainda bem que muitos dos modelos de nossos veículos vêm hoje equipados com os tais faróis antineblina que muitos espertos insistem em trocar a lâmpada âmbar pelas de xenon para iluminar mais adiante, o que não é a função desse equipamento. Todavia, a maioria da frota não conta com esse opcional, o que não deixa de ser um recurso a menos para aqueles que viajam muito nessas condições.

Então, nesses casos, há que se acender os faróis baixos (a luz alta não adianta nada, só espalha a cerração...) para que os demais condutores possam ver o veículo. Sim, porque no trânsito é mais importante o "ser visto" do que o "ver". Ou seja, quem dirige precisa enxergar o que trafega à sua frente e à sua retaguarda para que possa manter distância segura.

Por isso, não só em dias de cerração, mas em todos aqueles em que a visibilidade é baixa (chuva, nublado, céu encoberto, garoa etc.), trafeguem sempre com os faróis baixos acesos, uma medida que, aliás, está para se tornar obrigatória dia e noite por um projeto de lei recém aprovado na Câmara dos Deputados. Esse procedimento já é obrigatório no caso das motocicletas (muitos pilotos não a cumprem...) e em vários países como no vizinho Uruguai, por exemplo, e já foi, em determinada época, nas rodovias. Luz acesa para poder ser visto, portanto.


Jornalista, advogado e oficial reformado da Brigada Militar

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SE É PELA SEGURANÇA,QUE VOLTEM OS PEDÁGIOS



ZERO HORA 25 de setembro de 2015 | N° 18305


POLÍTICA + | Rosane de Oliveira





Desde que se encerraram os contratos de concessão de estradas estaduais e federais, quem circula pelo Rio Grande do Sul acompanha a deterioração do asfalto, da sinalização e dos acostamentos de BRs essenciais ao escoamento da produção, como a BR-290 e a BR-386. As estradas estaduais pedagiadas passaram para a EGR, que faz algum tipo de manutenção, mas as de responsabilidade do Daer estão repletas de buracos.

Ontem, três homens morreram na BR-290, em Eldorado do Sul, e dois na BR-386, em São José do Erval. Seria irresponsabilidade culpar a estrada pelas mortes, quando se sabe que o acidente quase sempre é produto de uma combinação de fatores, mas essas duas tragédias servem de mote para se discutir a situação das estradas e a necessidade de buscar uma solução.

Se é para a segurança, que voltem os pedágios. Com preços justos e exigência de obras que os antigos contratos não tinham. De nada adianta berrar que pagamos um IPVA caríssimo e outros tantos impostos e que a responsabilidade deveria ser do poder público. Sabemos que governos falidos não investirão o que é necessário em estradas e que as concessões são a alternativa. Não há pedágio mais caro do que a perda de vidas em consequência da má conservação de vias em um país que, no passado, fez a opção equivocada pelo modal rodoviário e acabou com os trens de passageiros.

Quando assumiu o Piratini, Tarso Genro sabia que os contratos tão criticados pelo PT terminariam durante o seu governo. Poderia ter feito nova licitação, em condições melhores, mas preferiu criar uma estatal, a EGR, e devolver as rodovias federais à União. O Dnit demorou para fazer os contratos de conservação e o resultado são estradas que lembram crateras lunares.

José Ivo Sartori diz que fará concessões em parceria com o governo federal, mas não demonstra pressa. Em nove meses, já poderia ter licitado estradas estaduais, como a ERS-324, a Estrada da Morte, que deverá ser assumida por uma empresa privada no trecho entre Passo Fundo e Nova Prata. O que está esperando, não se sabe.



POR UMA FATIA MAIOR

O movimento dos prefeitos gaúchos em defesa da distribuição mais justa da arrecadação com impostos marcará a sexta-feira com uma série de protestos pelo Estado. Ontem, o presidente da Famurs, Luiz Folador (E), mostrou uma maquete simbolizando a divisão de recursos entre os três entes da federação. Hoje, municípios ficam com 18% do dinheiro obtido com impostos, Estados, com 25%, e a União, com 57%.

A entidade apresentou detalhes de pesquisa feita com prefeitos e ressaltou que 96% das prefeituras tiveram de cortar despesas em 2015. A principal estratégia para cortar gastos é a redução da jornada de trabalho, a restrição de viagens e a diminuição de despesas administrativas.

Nos protestos marcados para hoje, haverá ponto facultativo e paralisação em 345 cidades. Prefeitos prometem bloquear rodovias e distribuir panfletos para chamar a atenção da população. Em algumas cidades, como Guaíba e Porto Alegre, as prefeituras decidiram manter as atividades e apenas organizar atos de protesto.



ALIÁS

Por sugestão do deputado Jerônimo Goergen (PP), o Tribunal de Contas fará inspeção especial no sistema de fiscalização do trânsito de mercadorias, abrangendo atuação e estrutura dos postos da Secretaria da Fazenda.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

PREJUÍZOS CAUSADOS POR BURACOS PODEM SER COBRADOS DO PODER PÚBLICO


ZERO HORA 28/07/2015 | 17h07


SAIBA COMO. Advogada especialista em direitos do consumidor explica o que é preciso para pedir o ressarcimento e esclarece em quais casos a Justiça pode ser acionada



Em trechos da Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, o asfalto ficou bastante danificado após a chuvara Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS


Luã Hernandez


Os buracos tomaram conta das ruas nas últimas semanas. Se já são comuns em dias sem chuvaradas, se multiplicaram no Rio Grande do Sul após a sequência de enxurradas. O que muitos não sabem é que em caso de danos — físicos ou materiais — as pessoas podem acionar a Justiça e pedir ressarcimento dos gastos que tiveram, seja com idas ao médico ou com prejuízos com o carro.


A advogada da Campos Escritórios Associados Fabiane Moura, especialista em processo civil e direitos do consumidor, explica o que é preciso para cobrar do Poder Público ou da concessionária responsável e em quais casos a Justiça pode ser acionada.

— Quando você tem seu carro danificado tem que fazer um boletim de ocorrência, tirar fotografias do local, do buraco, e, de preferência, tenta buscar testemunhas para te auxiliar lá na frente. É preciso ter o máximo possível de provas para que o juiz te dê ganho de causa. Se houve dano material, é preciso fazer pelo menos três orçamentos para apresentar à Justiça. Se houve lesão, leve laudo médico, receita, tudo que possa servir como prova — destaca.


Fabiane ainda esclarece que o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor do serviço é responsável pela qualidade do trabalho prestado. Ou seja, se seu carro cair em um buraco em uma rodovia, onde uma concessionária é encarregada da manutenção da pista, é dela que o consumidor irá cobrar. No caso de prejuízo dentro da cidade, onde a prefeitura municipal é responsável, ela será responsabilizada conforme o Código Civil.


Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

Outra situação que também é passível de ressarcimento e até mesmo indenização é relacionada a buracos nas calçadas. Se você se machucou em um deles, junte as mesmas provas que no caso anterior e procure a Justiça.

A advogada deixa claro que o prazo para o julgamento da ação é indefinido. Pode ser rápido, assim como pode levar anos. Fabiane também indica os caminhos para o consumidor buscar seus direitos:

— Dependendo do prejuízo pode ser na Justiça comum (não há um valor máximo para o ressarcimento) ou no Juizado Especial Cível, o Juizado de Pequenas Causas (ações de até 20 salários mínimos sem advogado ou até 40 salários mínimos com advogado).


* Diário Gaúcho

sábado, 18 de julho de 2015

CINCO PESSOAS PERDERAM A VIDA EM ACIDENTES DE TRÂNSITO NAS RODOVIAS DO RS



Cinco pessoas perderam a vida em acidentes nas rodovias gaúchas na madrugada deste sábado. Acidentes foram registrados entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado

ZERO HORA 18/07/2015 - 06h27min



Cinco pessoas foram vítimas da violência no trânsito em rodovias do RS entre a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado.

Em Pedro Osório, no sul do Estado, um acidente envolvendo três veículos deixou três pessoas mortas e outras quatro feridas, na BR-116. O acidente ocorreu por volta das 19h30min. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a colisão entre um Fiesta, um Uno Mille e uma Kombi aconteceu na altura do km 571. Morreram na hora do acidente, Carlos Cleber Correa Mota e Adão Hernandes Rodrighiero, que estavam na Kombi e Olmiro Ferreira Schmidt, que estava no Uno. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dos outros quatro feridos.

Em Bom Jesus, por volta das 22h30min desta sexta-feira, uma mulher morreu em um acidente na BR-285, na altura do km 70,4. Segundo a PRF, um Citroen C3, com placas de Cavaria, capotou após colidir no canteiro central no trevo de acesso ao Passo do Governador. Segundo a ocorrência, haviam três pessoas no carro. Eles foram encaminhados em estado grave ao Hospital Nossa Senhora da Oliveira, em Vacaria. Rudinara Rodrigues, uma das passageiras, morreu no hospital. O condutor foi submetido ao teste de bafômetro que acusou 0,14mG/L. Os ocupantes não estariam usando o cinto de segurança.

Em Butiá, o condutor de um Gol, com placas de Minas do Leão, morreu ao colidir com um caminhão, com placas de Taquari, na altura do km 176 da BR-290. O acidente ocorreu por volta das 1h30min deste sábado. O motorista do caminhão não sofreu lesões.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A INDÚSTRIA DA MULTA




ZERO HORA 14 de julho de 2015 | N° 18226


LEONARDO MÜLLER*




Quase 1,5 milhão de multas já foram aplicadas nas rodovias, ruas e avenidas do Rio Grande do Sul nos primeiros cinco meses deste ano. Isto é quase 50% de aumento comparado com mesmo período do ano passado. São 400 mil infrações a mais!

Eu fiz essa pesquisa (site do Detran-RS) depois de ler várias reclamações dos meus amigos no WhatsApp sobre o excesso de radares móveis nas estradas. Alguns dos equipamentos que ficam nas mãos dos policiais rodoviários são capazes de flagrar o motorista acima da velocidade a até um quilômetro de distância.

Sim, estão multando mais, como perceberam meus amigos. Também fui atrás dos motivos. Resumem-se a dois: melhores equipamentos e gestão mais inteligente.

A Polícia Rodoviária Federal informou que uma operação iniciada no final do ano passado, que coloca pardais em sequência nos trechos mais violentos, está dando bons resultados. Multa os apressadinhos e diminui os acidentes. Nas estradas federais, já foram registradas quase 300 mil multas a mais do que no ano passado, comparando também os cinco primeiros meses do ano. Nesse número, estão incluídas infrações registradas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

A Polícia Rodoviária Estadual também coloca na conta dos radares móveis o aumento do número das multas. Trinta equipamentos, todos os dias, estão apontados para os carros. Nas estradas estaduais, são quase 100 mil multas a mais, incluindo o trabalho do Daer e do Detran-RS. Também é preciso ressaltar a operação de novos pardais.

A multa se torna uma indústria. Isso porque o dinheiro arrecadado com os infratores tem que gerar melhorias nas estradas. O Código de Trânsito Brasileiro é claro. “Art. 320. A receita arrecadada com a cobrança das multas de trânsito será aplicada, exclusivamente, em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento, fiscalização e educação de trânsito”. A falta de recursos não pode ser desculpa para suspender investimentos no trânsito gaúcho.

*Apresentador e repórter da TVCOM RS