segunda-feira, 19 de março de 2012

BALANÇO TRÁGICO NO FIM DE SEMANA GAÚCHO

Balanço trágico. Acidente na Fronteira Oeste eleva para 18 o número de mortes no trânsito gaúcho no final de semana. Levantamento leva em conta ocorrências registradas entre o meio-dia de sexta e o meio-dia de segunda - ZERO HORA ONLINE, 19/03/2012 | 09h24

Um acidente na Fronteira Oeste elevou para 18 o número de mortes no trânsito gaúcho no fim de semana. Depois das 5h30min desta segunda-feira, houve duas colisões em sequência no km 511 da rodovia Santana do Livramento-Rosário do Sul (BR-158), em Santana do Livramento, envolvendo três caminhões. O fluxo de veículos na estrada ficou em meia pista.

Um homem, que tinha parado o carro no acostamento e saído do veículo após o primeiro acidente, acabou atropelado pelo terceiro caminhão, morrendo no local. A vítima foi identificada pela Polícia Rodoviária Federal como Duvar Luiz Peralta de Mello, 47 anos. Cesar Augusto Fernandes Trindade, motorista de um dos caminhões, foi encaminhado a um hospital de Rosário do Sul com ferimentos graves.

Desde o meio-dia de sexta-feira até a manhã desta segunda, o trânsito gaúcho já soma pelo menos 18 vítimas fatais. Conforme levantamento realizado por Zero Hora, Rádio Gaúcha e Agência RBS e que se encerra ao meio-dia desta segunda, o sábado foi o dia mais violento, com nove mortes. Na sexta foram seis e no domingo, duas.

Os casos mais graves, registrados em Rio Grande — Sul — e Tramandaí — Litoral Norte — somaram sete óbitos. No primeiro, a colisão entre uma van e um caminhão causou a morte de cinco pessoas, na sexta-feira, na rodovia Rio Grande-Pelotas (BR-392).

Veja as outras ocorrências:

Domingo

Taquara — Por volta das 4h, Fabiano Marcelino dos Santos, 32 anos, morreu após colidir o veículo Kadett com placas de Parobé em uma árvore. O fato ocorreu no km 2 da rodovia que liga Taquara a Igrejinha (ERS-115). Santos ficou preso nas ferragens e seu corpo foi retirado próximo das 9h, após a chegada do Instituto Geral de Perícias.

Arroio do Tigre — Um homem morreu à noite em acidente na rodovia Arroio do Tigre-Salto do Jacuí (RSC-481). Conforme a polícia, ele perdeu o controle do veículo no km 92 e colidiu contra uma árvore. O acidente ocorreu por volta das 20h. A vítima ainda não foi identificada.

Sábado

Gravataí — Um motociclista morreu no final da tarde em acidente na rodovia que liga Cachoeirinha a Gravataí (ERS-020). Conforme a polícia, Carlos Augusto da Silva Monteiro, de 43 anos, perdeu o controle na moto e bateu em um GM Classic no km 9.

Osório — Uma mulher de 78 anos morreu depois de o carro em que ela estava ser atingido por outro veículo. Geni Freitas de Oliveira estava a bordo de uma Parati quando o carro foi atingido lateralmente por um Fox na Avenida Marcílio Dias.

Arroio Grande — O motorista de um carro morreu à noite na colisão com um caminhão no km 577 da rodovia Arroio Grande-Jaguarão (BR-116). Juarez Benedito Cardoso, 67 anos, dirigia um automóvel Renault Clio quando se chocou na traseira de um caminhão que seguia na mesma direção.

Feliz — Um motociclista morreu ao colidir frontalmente com uma caminhonete Toyota Hilux, por volta das 16h. Segundo o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), Marino Evaldo Fuhr, de 18 anos, invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com a caminhonete no km 9 da rodovia que liga Feliz a Bom Princípio (ERS-452).

Taquara — Um homem morreu após capotar a caminhonete que dirigia, por volta do meio-dia. Segundo o CRBM, Luiz Tadeu Rosa Camargo, de 47 anos, perdeu o controle do veículo em uma curva, no km 52 da rodovia Taquara-Igrejinha (ERS-020).

Imbé — Um mulher morreu após o carro em que estava atropelar um cavalo na rodovia Osório-Imbé (ERS-786). O Vectra trafegava no sentido Osório-Imbé quando atingiu o animal por volta das 3h. A vítima foi identificada como Natália Florentino José, 26 anos.

Jaguari — Um homem morreu na localidade de Linha 11 depois de cair de uma caminhonete. De acordo com a Brigada Militar (BM), Nelson Gabriel Domingos, de 46 anos, estava na carroceria de uma S-10 quando, após uma freada brusca, caiu do veículo, vindo a falecer.

Sexta-feira

Carazinho — Uma mulher morreu atropelada por um caminhão à tarde. Zeli da Conceição da Silva, de 74 anos, foi atingida ao atravessar a rua, no centro da cidade. Segundo a Brigada Militar, a vítima chegou a ser encaminhada ao Hospital de Carazinho, mas não resistiu. O motorista do caminhão prestou socorro à idosa.

domingo, 11 de março de 2012

KAMIKAZES NA ESTRADA

Oscar Bessi Filho - CORREIO DO POVO, 11/03/2012


Quem assistiu ao último "Repórter Record", domingo passado, deve ter ficado de cabelos em pé. E passou a aplicar suas economias nalgum fundo de fomento à criação do teletransporte - talvez único meio seguro de se chegar nalgum lugar. Num piscar de olhos, some daqui, aparece lá. Sem pegar estrada. Sem temer a roleta russa. Tipo pó de pirlimpimpim, do Monteiro Lobato. Só com mágica. E olhe lá. Ainda mais com certas engenharias de estradas, cujos trechos asfaltados não preveem sequer alguns centímetros de acostamento para pedestres ou ciclistas.

A matéria, produzida pela corajosa equipe de repórteres da TV Record, mostrou como o tráfico de drogas está contaminando as estradas do país. Num belo trabalho da Polícia Civil catarinense, a rotina diária de traficantes e usuários de cocaína e crack foi toda filmada. Uma rede imensa caiu. Mas o comércio não para. Caminhoneiros se drogam para suportar as horas ininterruptas de estrada e cometem barbaridades inimagináveis no trânsito. Como um que, drogado, perdeu o controle do caminhão e matou cinco operários numa obra da via. Cinco mortos. Cinco famílias destruídas. O caminhoneiro? Graças à impunidade institucional brasileira, está livre. Nas estradas. E de caminhão. Talvez usando mais e mais drogas.

Tenho familiares e amigos que trabalham em caminhão. Que encaram estradas. E não concordo com o rapaz que disse que 90% dos caminhoneiros, hoje, usam drogas. É desculpa esfarrapada de piá arteiro. Todo mundo faz, então, eu pensei que também podia. Mentira. Aposto que a maioria dos caminhoneiros fica longe de drogas, traficantes e dos já superados rebites. Agora, o problema cresce. O que fazer para conter isso?

Agir, neste caso, não é bater com força só na paleta - ou no bolso - do caminhoneiro. Tem que se fiscalizar as empresas, também. Transportadoras e contratantes. Aquela que estimular, permitir ou determinar longos deslocamentos, sem os devidos intervalos para descanso conforme pede a saúde humana, tem que tomar multa pesada. Ou fechar por determinado período, até aprender que não só sobre lucros caminha a humanidade. E basta espiar os tacógrafos para se conferir. Não é difícil. Bastaria vontade aos legisladores. Outra ação? Limitar o transporte de carga e passageiros pelas estradas. E o estado que não investir em linhas férreas, transporte aquático e alternativas perderia verbas federais. E tudo com prazo. Ou vão deixar as estradas explodirem? Chega de kamikazes alucinados, soltos por aí, matando famílias inteiras. É preciso mais do que só trabalho policial para mudar isso. É preciso deixar o mero lucro de lado e pensar um pouco - pelo menos um pouco! - em favor da vida.

sexta-feira, 9 de março de 2012

IMPUNIDADE ESTIMULADA

EDITORIAL ZERO HORA 09/03/2012

Por absoluta e inexplicável inércia de administradores municipais, nada menos do que 46,3% das cidades gaúchas continuam fora do Sistema Integrado de Trânsito, o que as impede de aplicar multas de competência do município aos infratores. Trata-se de um estímulo à impunidade, que precisa ser corrigido com urgência, até mesmo porque a aplicação de multas justas, além de proteger a população, garante o retorno rápido do investimento feito na regularização.

Saudado desde 1998 como um instrumento com potencial para atuar de forma efetiva na redução da mortandade no tráfego, o Código de Trânsito Brasileiro só pode contribuir para o alcance desses objetivos se cada instância da federação arcar com a sua parte nesse processo. Infelizmente, não é o que vem ocorrendo em um grande número de administrações municipais, ainda hoje sem qualquer condição de punir quem trafega em alta velocidade ou ultrapassa sinal vermelho, por exemplo, colocando permanentemente em risco a vida de integrantes da comunidade.

Tão grave quanto o descaso de administradores públicos com a questão do trânsito é o fato de as razões estarem mais na falta de vontade política de enfrentar o problema do que propriamente na insuficiência de recursos. Até mesmo prefeitos em débito perante as comunidades no âmbito do trânsito reconhecem que os custos materiais e financeiros para a implementação das providências são mínimos e podem ser compensados pelo aumento da arrecadação.

A melhor forma de o Estado reduzir o elevado número de mortos e feridos em acidentes com veículos é com uma combinação adequada de medidas preventivas e de punição aos infratores. Mas, para que esse objetivo seja alcançado, os municípios precisarão fazer a sua parte.

quarta-feira, 7 de março de 2012

EFEITOS DE 1O DROGAS NA DIREÇÃO DE UM CARRO

Este vídeo mostra os efeitos de dez drogas no motorista na direção de um carro. Recomendo. Muito bom - You tube

ESTRADAS - ESTRESSE, DROGAS E PROSTITUIÇÃO

REPORTAGEM DO FANTÁSTICO

AS DROGAS NO CAMINHO DOS CAMINHONEIROS

REPÓRTER RECORD - REDE RECORD, 04/03/2011 - UM ANO E AINDA ATUAL

PARTE 1



PARTE 2



PARTE 3

PROJETOS ENDURECEM A LEI SECA


REFORÇO NA LEGISLAÇÃO. Tramitam no Congresso ao menos 45 propostas sobre a associação do álcool com o volante, 90% criando regras mais rigorosas - MARCELO GONZATTO, ZERO HORA 07/03/2012

A quantidade e o teor dos projetos em tramitação no Congresso envolvendo embriaguez ao volante sugerem que os legisladores querem aumentar o rigor das punições para quem bebe e dirige. Um levantamento no sistema de busca disponível na internet revela pelo menos 45 propostas diferentes enfocando o problema do álcool no trânsito. Acima de 90% trazem medidas mais duras para os motoristas que ignoram a chamada Lei Seca.

Vários desses projetos são semelhantes e tramitam de forma conjunta para, caso aprovados, se transformarem em uma nova lei única. Analisados separadamente, porém, revelam que a grande maioria das sugestões de mudança no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) procura aumentar penas, facilitar a submissão a exames de alcoolemia como o bafômetro ou impor novos castigos para quem dirige sob efeito do álcool e outras substâncias entorpecentes.

Ontem, o autor de algumas das medidas em análise, o deputado federal Hugo Leal (PSC/RJ), negou que o projeto que deverá alterar a redação da Lei Seca terá o sentido de abrandá-la – como chegou a ser divulgado na imprensa. Ele esclarece que o texto a ser apresentado ainda não está pronto, mas deverá dobrar a penalidade administrativa para motoristas que reincidirem na embriaguez ao volante.

– Não há nenhum tipo de afrouxamento da lei. Pelo contrário. Estamos fazendo adequações para que as provas sejam ampliadas – garantiu.

Uma das ideias é permitir que outros meios, além do bafômetro e do exame de sangue, permitam atestar a embriaguez – entre eles testemunhos, imagens, vídeos, testes de sobriedade e de equilíbrio ou exames clínicos. Diversas outras propostas trazem novas medidas, incluindo até a possibilidade de o motorista embriagado perder a propriedade do veículo em caso de se envolver em acidente.

Para o especialista em trânsito e transporte e professor da Unisinos João Hermes Junqueira, reforçar o arsenal legal pode ser positivo, mas de nada adianta se não houver reforço em fiscalização e aplicação das normas.

– Tudo o que vem para reduzir a acidentalidade é favorável. Mas nem sempre adianta muito, porque temos série de leis que não são cumpridas. Fazer norma para não se cumprir é perda de tempo – avalia.

Exemplos de propostas - Confira algumas das medidas em tramitação no Congresso:

CONCORDÂNCIA PRÉVIA COM EXAMES - O Projeto de Lei 3.194 de 2012, de autoria do deputado paulista Jonas Donizette (PSB), prevê que os candidatos a motorista assinem um termo de autorização e concordância para serem submetidos a testes ou exames para apurar a influência de álcool ou outras substâncias psicoativas, ao conduzir veículo automotor, como requisito para conquistar a CNH.

PERDA DO VEÍCULO EM CASO DE ACIDENTE - Apresentado no ano passado, o projeto 2.852 estabelece que “o motorista alcoolizado poderá perder o veículo automotor na hipótese de provocar acidente de trânsito com ou sem vítima”. Estaria sujeito a essa pena o condutor que estivesse guiando veículo com concentração alcoólica suficiente para ser enquadrado em crime (seis decigramas por litro de sangue).

PENAS MAIS DURAS - Apresentado em 2010 e ainda em tramitação, o projeto 7.596 prevê ampliação do castigo para os condutores que praticarem homicídio culposo na direção de veículo automotor. Hoje, o homicídio culposo resulta em até quatro anos de detenção, podendo ser ampliada em até a metade. A proposta prevê até 15 anos, podendo ser aumentado também pela metade em caso de embriaguez ou uso de tóxicos.

PERDA DO DIREITO À INDENIZAÇÃO - O projeto 6.144 de 2009, que tramita anexado a outra proposta semelhante, estabelece que a recusa do motorista em se submeter ao bafômetro ou outro tipo de teste faz com que se presuma que ele está com concentração alcoólica equivalente à prática de crime. A proposta também prevê perda do direito do proprietário ou condutor do veículo em utilizar o seguro ou receber qualquer indenização por danos pessoais ou materiais em caso de acidente.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É isto aí. Os parlamentares e os magistrados têm que ser coativos contra as ilicitudes, de modo que o autor do fato tema a pena aplicada, perca patrimônio e indenize as suas vítimas. Para tanto, precisam do amparo e salvaguardas de leis penais claras e rigorosas apoiadas pela lei civil. Assim é nos EUA e funciona muito bem. Mas para isto é urgente uma nova e enxuta constituição para que os esforços não barrem no STF.