terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O VALOR DA VIDA

ZERO HORA 10 de dezembro de 2013 | N° 17640



EDITORIAIS


É possível imaginar, no Brasil, uma ampla e disseminada cultura da prevenção, capaz de substituir o característico jeitinho quando o que estão em jogo são vidas humanas? O Grupo RBS e o Ministério Público do Estado acham que sim e, por isso, estão lançando hoje um programa de prevenção de riscos e de acidentes, com o propósito de conscientizar a população gaúcha de que providências muitas vezes singelas têm potencial para poupar vidas. A exemplo do que vem ocorrendo há quase um mês em Santa Catarina, em conjunto com o Ministério Público do Estado vizinho, a campanha denominada Uma Vida Vale Muito tem enfoque predominantemente editorial. O ponto de partida é o de que pequenas e grandes tragédias nascem da falta de planejamento, da irresponsabilidade, do descumprimento de normas e procedimentos que parecem simples formalidades, mas que acabam se revelando imprescindíveis. O objetivo é o de fazer com que essas questões mereçam atenção no devido tempo, não depois de os danos terem ocorrido.

Quantas vezes os gaúchos em particular, assim como um número considerável de pessoas em todo o mundo, já se perguntaram o que poderia ter sido feito e por quem para se evitar uma catástrofe como a da boate Kiss, em Santa Maria? Ninguém duvida de que faltou bom senso e sobraram incúrias nesse caso. E isso tanto por parte de agentes públicos, que não cumpriram com suas atribuições, como de agentes privados, que apelaram para o caminho mais fácil, burlando normas e obrigações. Como entender então que, mesmo depois da perda de centenas de jovens e do sofrimento torturante disseminado entre pessoas de suas relações, a falta de cuidados mínimos, capazes de preservar o dom maior, que é a vida, continue a persistir como regra?

Uma mudança individual e coletiva, capaz de reduzir as margens para riscos à integridade dos seres humanos, é perfeitamente factível num plano imediato e a mais longo prazo. Depende acima de tudo de maior conscientização. Os pais precisam saber até que ponto crianças e mesmo adolescentes estão preparados para enfrentar determinadas situações, sem se expor em excesso. Adultos precisam também dar o exemplo e prestar o máximo de orientação sobre questões como o trânsito e suas armadilhas – particularmente no caso de quem é motociclista ou insiste em dirigir depois de beber –, sobre precauções indispensáveis ao entrar na água, sobre premissas básicas de edificações, de instalação de redes de energia elétrica, de segurança em espaços de grandes aglomerações e de tantas outras situações em relação às quais é preciso pensar sempre de forma preventiva. Autoridades, agentes públicos, lideranças de todas as áreas têm que cumprir suas atribuições como os cidadãos esperam e merecem.

Todos têm o dever de contribuir de alguma forma para a proteção e a preservação da vida. A missão compete a cada um e não pode ser negligenciada, nem transferida.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

GASTOS COM VÍTIMAS DE ACIDENTES SOBEM 45%


No ano passado, Ministério da Saúde desembolsou R$ 211 milhões com internações

JULIANA CASTRO E LETÍCIA LINS 
O GLOBO
Atualizado:1/12/13 - 16h06


Internado em Recife: Wilson Carvalho, de 16 anos, teve fraturas na bacia e na perna O Globo / Hans von Manteuffel


RIO e RECIFE — O Ministério da Saúde tem desembolsado mais recursos para atender pessoas feridas em acidentes de de trânsito. Aumentaram as internações e o custo por elas, de acordo com os dados da pasta. Em 2012, o custo por 159.251 internações chegou a R$ 211 milhões. Já em 2003, foram gastos R$ 144,8 milhões com 109.696 internações em consequência das colisões. Esse último valor já está corrigido pela inflação do período, para permitir a comparação.

Entre janeiro e agosto deste ano, 102.146 pessoas foram parar no hospital por conta de acidentes de trânsito, o que significa um crescimento de 78% em relação ao mesmo período de 2003. O Ministério da Saúde informou que lançou uma estratégia para melhorar o atendimento de vítimas de causas externas, que incluem os acidentes de trânsito. Este ano, a pasta criou a Linha de Cuidado do Trauma na Rede de Atenção às Urgências e Emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) e definiu um incremento de 80% a mais para pagamento de serviços referentes a 148 procedimentos.

Diante do aumento de acidentes, a pasta estabeleceu regras para habilitação de centros especializados em trauma, com o objetivo de organizar a rede hospitalar, padronizar e agilizar o atendimento às vítimas de violências e acidentes em geral e, com isso, evitar óbitos, complicações e sequelas graves.

O médico João da Veiga preside o Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto em Pernambuco, instituído em 2011, quando o problema começou a se agravar no estado, onde a frota de motos evoluiu 337% entre 2003 e setembro deste ano. Segundo ele, hoje, o primeiro lugar de internação nos setores de trauma é o acidentado de moto.

— A julgar pelo Hospital da Restauração, em Recife, que acompanhei de perto por muito tempo, o impacto não só no Ministério da Saúde como na própria Previdência é grande. Normalmente, esses pacientes estão em idade laboral, passam em média 45 dias internados, necessitam de no mínimo duas cirurgias e ficam até seis meses sem trabalhar. Quando deixam o hospital, 11% se aposentam devido a amputações ou desfuncionalização dos membros — afirma Veiga.

Em Recife, os traumas causados por motocicletas eram a quarta causa de internação nas emergências da capital pernambucana até o final da década passada. Agora, já respondem pela ocupação de 90% dos leitos de alta complexidade nas áreas de traumatologia e neurocirurgia dos quatro maiores hospitais públicos da cidade.

Antes, a liderança pertencia às armas de fogo, atropelamentos e colisões. Os óbitos em transportes terrestres já somam 41,2% do total registrado em Pernambuco. Só este ano, já foram 591 mortes, sendo 23 de crianças.

Wilson da Silva Carvalho, de 16 anos, pilota desde menino motos no município sertanejo de Manari, a 372 quilômetros de Recife. No dia 3 de outubro, ele trafegava por uma rodovia federal, quando bateu em um caminhão, que fugiu sem prestar socorro. Wilson foi levado para o setor de traumas do Hospital da Restauração, a maior emergência da capital. Teve fraturas na bacia e na perna.

— De moto, não quero saber nunca mais na vida — disse o estudante, que ganhava dinheiro consertando motos.

Pernambuco criou regras para tentar diminuir número de colisões

Segundo levantamento feito pelo Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto em Pernambuco, em 22 hospitais públicos e unidades de pronto atendimento do estado — as chamadas unidades sentinelas — 25.176 pessoas foram atendidas como vítimas de acidentes com transportes terrestres entre janeiro e agosto deste ano. Destas, 72% viajavam em motos.

O problema é ainda maior entre aqueles que usam a moto para trabalhar diariamente. Isso levou o estado a impor algumas regras, como a obrigação do uso de placa vermelha nas motos usadas para o trabalho (caso, por exemplo, de entregadores) e a exigir o uso de equipamentos de proteção, como capacete, cotoveleiras, joelheiras, botas e coletes refletivos. Os efeitos já começaram a surtir, com queda de 46% na entrada de pacientes graves nos hospitais, segundo informações do presidente do comitê, João da Veiga.

Outra medida, segundo ele, que começa a dar resultados positivos é a aplicação da Lei Seca, com blitzes permanentes. O número de óbitos em consequência de acidentes de motos caiu de 815 (em 2011) para 757 em (2012). Caso a média de 2013 se mantenha, o número de mortes pode ainda ser menor do que 2012.

— A exigência das placas vermelhas nas motos de trabalho e a Lei Seca são o que mais influenciam na redução de óbitos. No ano passado, a Lei Seca abordou 282.215 veículos, dos quais mais de 90 mil eram motos. Fizemos campanhas educativas, mas não surtiram efeitos — afirmou Veiga.

Até 2020, ONU quer diminuir à metade número de acidentes

A Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução publicada no dia 2 de março de 2010, proclamou o período de 2011 a 2020 a Década de Ações para a Segurança Viária. A meta é reduzir em 50% os acidentes de trânsito em todo o mundo, que matam cerca de 1,3 milhão de pessoas por ano.

A Resolução recomendou aos 192 países-membros da ONU a elaboração de um plano diretor para guiar as ações nessa área durante os próximos dez anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai coordenar os esforços globais ao longo da década e monitorar os progressos em âmbitos nacional e internacional.

A medida foi criada em função dos índices alarmantes de mortes no trânsito em todo o mundo. O Brasil, por exemplo, está entre os cinco países onde mais ocorrem acidentes com mortes no trânsito.

— Entre os desafios está o de educar a população a fim de adquirir comportamentos mais seguros no trânsito. O acidente, além de causar um grande impacto no PIB, gera outro às famílias. É preciso também um controle efetivo da velocidade, por meio de equipamentos eletrônicos, além de desenvolver programas para melhorar o comportamento dos usuários no trânsito — afirmou Maria Cristina Hoffmann, coordenadora-geral de Qualificação do Fator Humano no Trânsito do Denatran.

De acordo com a ONU, as colisões ferem de 20 a 50 milhões de pessoas a cada ano e, em muitos países, os cuidados de emergência às vítimas são inadequados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

FOTO A 170 KM/H

G1 FANTÁSTICO 01/12/2013 21h18

‘Nunca me preocupei em risco com ela’, diz pai de jovem de foto a 170 km/h. Fantástico teve acesso à última foto registrada num celular, dentro do carro. Ela mostra o velocímetro em 170 km/h, acima do permitido em qualquer estrada brasileira.



O Fantástico deste domingo descobre motoristas viciados no perigo! Isso, numa semana marcada por muitos acidentes:atropelamento, batidas graves, capotamento.

Na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em Itanhaém, no Litoral de São Paulo, o asfalto foi marcado por uma freada.

O que explica alguém perder o controle desse jeito? Sair bruscamente da pista da esquerda, cruzar a da direita, o acostamento, entrar por uma área gramada e simplesmente decolar, bater - voando mesmo- contra uma pilastra. Este caso ainda está sendo investigado, mas tudo aponta para alta velocidade.

Quem viu, de perto, não tem dúvidas. Miriam e Moisés estavam na porta do mercadinho, logo em frente.

“Velocidade alta. Vimos vindo e não sabia se o carro ia vir pra cá, se ia colidir lá na viga”, diz o comerciante Moises Ebert da Eira.

O filho deles, de sete anos, também viu tudo.

“Meu filho começou a gritar: - ‘mãe, eu não quero dirigir quando eu crescer, eu não quero dirigir”, conta a comerciante Mirian Costa Chaves.

O Fantástico teve acesso à última foto registrada num celular, dentro do carro. Ela mostra o velocímetro em 170 km/h, bem acima do permitido em qualquer estrada brasileira. Muito abaixo do que você vai ver a partir de agora.

Atingir 300 km/h, como no vídeo mostrado na reportagem, não é novidade entre turmas que se reúnem num shopping, na Rodovia dos Bandeirantes, entre São Paulo e Campinas. É um ponto de encontro de motoqueiros, principalmente nas manhãs de domingo.

A nosso pedido, um perito usa um radar portátil para medir a velocidade dos veículos que passam. O radar marca as velocidades de 162 km/h, 174 km/h, 182 km/h, 213 km/h.


Velocidade pura ou por competição. Os rachas são chamados de "Bandeirantes Moto GP", referência ao Moto Grand Prix, o campeonato mais importante do motociclismo mundial. Mas isso, no meio de uma rodovia movimentada, cheia de famílias, num dia de folga.

“A conduta imprudente dele traz risco a ele e ao próximo, que muitas vezes tá transitando e tomando as precauções”, disse o Tenente Aldemir Tomas Bravo da Polícia Militar. Rodoviária.

Num vídeo mostrado na reportagem, a correria é também sobre quatro rodas. O carro chega perto de 280 por hora. Costurando entre as faixas da rodovia. A passageira incentiva e elogia. O motorista zomba das motos que deixou pra trás. Mas, no final, cumprimentos. São todos parceiros.

Mas quem é Luciano? O carro do vídeo está no nome de um parente de Luciano Simões Neto, que é quem usa o veículo em competições amadoras. O Fantástico tentou falar com ele. Mas quando se identificou, a ligação foi interrompida.

Sumiram da internet vídeos como um em que Luciano lança um desafio. "Careca terrorista" é o apelido daquele motociclista do vídeo a 300 por hora, que encontramos neste fim de semana no interior de São Paulo. Sem mostrar o rosto, ele e um amigo, conhecido como "Abusadão 299", falaram sobre velocidade.

“Pra mim é a melhor coisa do mundo, cara. Não tem, a melhor sensação que existe. É uma coisa que te deixa com um êxtase muito bom. Não tem como explicar. A adrenalina é muito boa”, disse Abusadão.

“Você não vê a velocidade que tá, a hora que vê já está chegando a 330. Medo eu tenho, que é perigoso. Tem os carros na pista, tudo, com família. Mas não tem outro lugar pra andar. Eu ando na estrada devido ao custo de andar no circuito fechado”, disse Careca.

“Não pretendo parar. Eu não vou largar uma paixão minha, um hobby, meu lazer, pra ficar preso dentro de casa”, afirma Abusadão.

Para o advogado especialista em trânsito Maurício Januzi, os vídeos são provas de crimes.
“Que crime? Direção perigosa. Vai preso? Nunca!”.

Ele explica que a maioria dos casos não vai além de multas, apreensões de veículos e de carteiras. E mesmo se houver prisão, a pena máxima é de três anos, que acaba sendo cumprida em regime aberto. Mas o que seria o ideal?

“Pena mínima de quatro, pena máxima de oito. Por que? Porque se ele for condenado a quatro, ele vai começar a cumprir no semi aberto. Ele vai passar um tempo na cadeia pra refletir sobre essa conduta”, destaca o presidente da comissão de trânsito da OAB/SP, Maurício Januzi.

E a própria publicação das imagens também é crime.

“A partir do momento que eu posto isso nas rede sociais, eu to incentivando a prática de crimes, que é um outro crime: incitação ao crime, chama no código penal”, disse o advogado.

O que nos leva novamente ao caso de Itanhaém. Do carro daquela foto a 170 km/h, que nem chegou a ser enviada.

O mundo da alta velocidade, legal ou ilegal, costuma ser associado a carrões, motores possantes. Mas esses destroços são de um carro popular, modelo 1.0. O próprio sexo de quem estava no volante não deixa de ser surpreendente.

Giovana Dias de Souza Alves morreu uma semana antes de completar 20 anos, na segunda feira passada. Meses atrás, ela já tinha publicado na internet uma foto a cento e oitenta por hora.

“Ela tirou a foto, uma outra pessoa dirigindo. Mas ela não estava dirigindo”, disse a tia de Giovana, Silvana Dias.

A família, desolada, diz que Giovanna era uma jovem tranquila, prudente, estava no caminho entre o trabalho e a faculdade.
“A gente só se pergunta a todo dia, toda hora, cada minuto, pergunta, o que aconteceu, o que está acontecendo. A gente tá perdido, a gente tá procurando uma resposta”, conta a tia da menina.

Todos resistem à ideia de um comportamento irresponsável.

“Eu já andei muito com ela, a minha profissão é motorista, por aí vocês tiram uma ideia. Eu nunca me preocupei em risco com ela”, disse o pai da jovem, Manoel Messias Alves.

“Tudo bem que a velocidade complicou, complica tudo. Mas eu acho que é mais essa parte de celular, que hoje eles não esperam nada, tem que ser tudo na hora, tudo instantâneo. O que um está fazendo, o outro tem que saber”, disse o tio Vinícius Santos Lima.

“Que a vida dela, nosso sofrimento, não seja em vão, porque é um aviso”, destaca o pai.

domingo, 1 de dezembro de 2013

MULTA E GUINCHO

Lei desacreditada pela justiça
ZERO HORA 01 de dezembro de 2013 | N° 17631


EDITORIAL INTERATIVO


A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou em primeiro turno nesta semana um projeto que multiplica por três e até mesmo por cinco o valor de multas para motoristas que cometem infrações graves de trânsito, tais como promover ou participar de rachas, dirigir com carteira de habilitação vencida ou fazer manobras perigosas, entre as quais arrancadas bruscas e derrapagens. Além da multa pesada, os infratores serão punidos com a suspensão por 12 meses do direito de dirigir e ainda terão seus veículos apreendidos. A apreensão, prevista no Código Brasileiro de Trânsito mas pouco utilizada pelas autoridades, tem potencial dissuasório até mesmo superior às multas. Se o veículo está transformado em arma pela irresponsabilidade do condutor, nada mais apropriado do que desarmá-lo. Diferentemente da retenção, que é uma medida administrativa e prevê a liberação do veículo tão logo a irregularidade seja solucionada, a apreensão pode privar o proprietário da posse e uso do veículo por até 30 dias tempo suficiente para o infrator refletir sobre o seu comportamento.

A matéria em tramitação no Congresso ainda depende de votação colegiada no próprio Senado e de análise da Câmara, mas tem boas chances de passar, uma vez que os legisladores estão cada vez mais conscientes de que a violência do trânsito precisa ser combatida com mais eficácia. Mesmo com os engarrafamentos constantes nos grandes centros urbanos, o país continua registrando um número elevado de acidentes fatais, a maioria deles decorrente da má condução, do excesso de velocidade, das ultrapassagens indevidas, do uso de álcool e drogas por motoristas inconsequentes.

Os números da tragédia do trânsito brasileiro são expressivos, mas invariavelmente mascaram a dor das vítimas e de seus familiares. Dizer que morrem 50 mil pessoas a cada ano nas estradas produz um efeito. Quando se constata, porém, que uma menina de 11 anos foi atropelada, morta e abandonada à beira da estrada pelo atropelador, como aconteceu recentemente em Porto Alegre, o drama humano ganha outra dimensão. Crimes de trânsito têm que ser punidos com o máximo de rigor, até mesmo com cadeia em alguns casos.

O aumento do valor da multa não se encaixa neste critério. Entra mais como uma medida preventiva, como também deve ser a apreensão do veículo flagrado em infração grave, com potencial para provocar danos a terceiros e aos próprios condutores. O infrator que levar uma multa elevada, tiver o seu carro guinchado e ficar alguns dias sem poder usá-lo vai pensar muito antes de reincidir.

IMPUNIDADE NO TRÂNSITO

ZERO HORA 30/11/2013 | 15h12

Saiba o que acontece quando o motorista não presta socorro

Zero Hora vasculhou todos os 135 registros de homicídios no trânsito em Porto Alegre neste ano para verificar as situações em que os motoristas responsáveis pelas mortes fugiram do local. Foram 10 casos, sendo que na metade deles os motoristas ainda não foram identificados, o que impede a punição.

Letícia Costa




Em fevereiro, o artesão Rodrigo Garcia Carvalho, 48 anos, presenciou a primeira morte do ano em acidente de trânsito na Capital, com socorro negado pelo motorista. Depois deste atropelamento na Avenida Edgar Pires de Castro, zona sul de Porto Alegre, outros nove casos viriam a ocorrer até a sexta-feira, 29 de novembro. Só neste mês, dois deles revoltaram familiares das vítimas: uma adolescente de 15 anos e uma criança de 11 anos.

Dos 135 inquéritos abertos pela Polícia Civil sobre homicídios de trânsito em Porto Alegre neste ano, 10 têm um componente de frieza: a omissão de socorro. Em metade deles, o motorista não foi identificado e permanece impune. Em cinco deles, a polícia identificou o responsável, que responde a inquérito.

Usada como agravante no momento de indiciar o responsável pelo acidente, a omissão dificulta a investigação policial e gera danos à saúde e à integridade da vítima, pois o socorro não é realizado tão rapidamente quanto poderia. Para a família, fica a sensação de que, em alguns casos, a vítima poderia ter sobrevivido.

Carvalho, que parou em um comércio à beira da avenida para tomar um suco e viu todo acidente acontecer na via da Zona Sul, virou testemunha do primeiro caso do ano.
– Estava começando a chover, e o carro à frente da moto reduziu a velocidade. Acho que o motociclista foi desviar e bateu em um Gol, que não parou para prestar socorro. Só olhei o homem no chão, e a reação que tive foi de salvá-lo, porque vinham mais carros atrás. Fui a primeira pessoa a parar no meio da faixa e bloquear o trânsito – relembra o artesão.

EPTC armazena imagens durante apenas uma semana

Acompanhado do filho de 18 anos, Carvalho esperou a polícia chegar e contribuiu com as investigações, que ainda não desvendaram a identidade do motorista. O delegado Cristiano Reschke, titular da Delegacia de Homicídios de Trânsito, comenta que é necessária uma maior disponibilidade da população para relatar tudo o que viu em um acidente.

– Nos casos de fuga, são importantes a prova testemunhal e as imagens do local do acidente ou próximos dele. Algumas pessoas, apesar de presenciarem o acidente, temem se envolver no inquérito e não aguardam a polícia chegar ao local. Um detalhe, que para a pessoa pode não ser importante, muitas vezes elucida o caso – afirma.

Com equipe reduzida para investigar e dar andamento aos 135 inquéritos instaurados somente neste ano para apurar homicídios no trânsito, o delegado ressalta também a importância das câmeras de vigilância nas cidades. Ao flagrarem o acidente, elas viram prova concreta e irrefutável do crime. Em casos sem testemunhas, se tornam fundamentais.

– Temos encontrado dificuldade com a maioria das câmeras. Nos aparelhos privados, muitas não estão gravando. Nos públicos, apresentam problemas com a manutenção ou por manterem gravadas as imagens por um curto período de tempo – relata Reschke.

As 96 câmeras de monitoramento da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) armazenam as imagens por apenas uma semana. De acordo com a assessoria de imprensa, isso ocorre por uma questão de espaço no servidor. Apesar de terem o monitoramento do tráfego como objetivo principal, as imagens das câmeras da EPTC são disponibilizadas para os órgãos de segurança quando solicitadas.

Com relação aos problemas que alguns equipamentos podem apresentar, a empresa alega que a manutenção é diária e que sempre ficou com, no mínimo, mais de 90 câmeras operando normalmente.

Motoristas em liberdade

Mesmo com a identificação do motorista em metade dos casos que envolvem omissão de socorro e fuga do local, todos aguardam o indiciamento em liberdade. O delegado Cristiano Reschke explica que, nas situações em que o crime é considerado um homicídio culposo (sem intenção de matar), não cabe a prisão preventiva.
Já nos casos de homicídio doloso (quando o condutor quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo), pode haver a representação pela prisão do autor, que será decretada ou não pelo juiz.

A tipificação, que inicialmente é da Polícia Civil, pode mudar durante a investigação. Dos 10 casos na Capital que resultaram em 11 vítimas, apenas dois envolvendo omissão de socorro foram enquadrados como dolosos. A prisão foi solicitada, mas em nenhum deles o motorista está preso, em razão da não decretação da detenção pelo Judiciário.

Responsável por aceitar ou não os pedidos, o Judiciário adota um posicionamento em que a prisão dos motoristas só é decretada em último caso. Nos homicídios culposos, onde a pena é entre dois e quatro anos, o desembargador Nereu Giacomolli, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, explica que uma modificação na legislação, em 2008, só autoriza a prisão preventiva com crimes cuja pena máxima é superior a quatro anos.

Já nos casos onde se entende que houve o dolo eventual por parte dos condutores, como no acidente que matou Bruna Capaverde, 15 anos, no dia 16, e no atropelamento de Emily Caroline da Silva, 11 anos, no dia 22, a prisão só ocorre se a liberdade do motorista prejudicar, por exemplo, o andamento do processo e a ordem pública.

Giacomolli explica que também deve ser analisada a possibilidade de outras medidas cautelares serem aplicadas no lugar da detenção. Na quarta-feira, o pedido de prisão preventiva do motorista que atropelou Emily foi negado. Em compensação, ele teve suspenso o direito de dirigir e foi determinado o recolhimento domiciliar das 20h às 6h.

Em Porto alegre, 10 acidentes, 10 fugas, 10 mortos, 10 casos sem desfecho


3/2/2013, 15h15min
— Vítimas: André Francisco Jonata Reis de Oliveira, 19 anos e Andresa da Silva Barbosa, 18 anos’
— Local: Avenida Edgar Pires de Castro, bairro Lageado
— Como foi: prejudicado pela manobra de um carro, o motociclista André desviou o veículo para a pista contrária. Ele e a passageira Andresa foram atropelados por um Gol. André morreu no local. Andresa foi levada ao HPS, mas não resistiu.
Investigação: foi solicitado registro de pardal da EPTC para identificar o Gol, mas o órgão respondeu que não houve nenhum registro.
— Motorista identificado: não
— Inquérito: em andamento

10/6/2013, 11h34min
— Vítima: Vitor do Nascimento Crispim, 31 anos
— Local: Avenida Icaraí, bairro Cristal
— Como foi: um Palio Adventure atropelou Vitor e fugiu do local. O carro foi achado em cima de um guincho, na região.
— Investigação: as câmeras da EPTC não estavam operando, mas, com a descoberta do veículo sendo recolhido, foi possível identificar o condutor. Ele prestou depoimento e pode responder por homicídio culposo, com fuga do local e omissão de socorro.
— Motorista identificado: sim
— Inquérito: em andamento

14/7/2013, 18h30min
— Vítima: Albano da Silva Moura, 69 anos
— Local: Rua Duque de Caxias, bairro Centro
— Como foi: o porteiro Albano foi atropelado por uma idosa que o teria levado ao HPS e sumido. O porteiro morreu em 9 de setembro.
— Investigação: informada da morte dois meses depois do acidente, a polícia tentou imagens de câmeras de segurança da Assembleia e do Piratini. A AL disse que só guardava as imagens por 30 dias. A polícia tenta com o HPS obter informações da mulher que levou Albano para atendimento.
— Motorista identificado: não
— Inquérito: andamento

29/8/2013, 19h40min
— Vítima: Vilmar Melo da Silva, 55 anos
— Local: BR-290, km 99
— Como foi: Vilmar foi atropelado por um veículo não identificado.
Investigação: polícia pediu imagens da Concepa para tentar identificar o veículo que atropelou, mas a câmera estava virada para o lado contrário no momento do acidente.
— Motorista identificado: não
— Inquérito: em andamento

14/9/2013, 6h
— Vítima: João Laurentino de Oliveira da Rosa, 55 anos
— Local: Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, bairro Rubem Berta
— Como foi: o fiscal de lotação ia para o trabalho de bicicleta quando foi atropelado por uma caminhonete Courier, cujo motorista abandonou o carro e fugiu a pé.
Investigação: a partir dos dados da caminhonete, pertencente a uma mulher, o motorista foi identificado e testemunhas fizeram o reconhecimento. O atropelador depôs à polícia e pode responder por homicídio culposo.
— Motorista identificado: sim
— Inquérito: em andamento

5/10/2013, 0h30min
— Vítima: Jonathan Cristofoli Merlo, 21 anos
— Local: Avenida Padre Cacique, bairro Praia de Belas
— Como foi: o Vectra conduzido por Jonathan colidiu contra um poste e pegou fogo. Uma testemunha disse que um Mégane preto teria entrado na contramão na Padre Cacique, e Jonathan teria desviado, batendo no poste.
Investigação: as imagens do acidente não foram gravadas, pois a câmera da EPTC não estava funcionado. A polícia ainda tenta identificar o motorista do Mégane.
— Motorista identificado: não
— Inquérito: em andamento

6/10/2013, 18h53min
— Vítima: José Antônio de Sá, 54 anos
— Local: Rua Doutor Sebastião Leão, bairro Azenha
— Como foi: morador de rua, José foi atropelado por um veículo vermelho. No local havia uma pedra que teria sido jogada contra ele antes do atropelamento.
Investigação: as primeiras imagens de câmeras de vigilância da prefeitura vieram erradas. Depois, em uma nova solicitação, já havia passado o prazo de sete dias que a EPTC guarda as imagens. A polícia ainda aguarda o laudo para saber se José morreu devido à pedrada ou ao atropelamento.
— Motorista identificado: não
— Inquérito: em andamento

11/11/2013, 6h05min
— Vítima: mulher não identificada
— Local: BR-290, km 91
— Como foi: uma mulher teria sido atropelada por uma Fiorino e depois por um caminhão.
— Investigação: policiais descobriram que uma Fiorino com o para-brisa quebrado tinha envolvimento no acidente. O motorista alegou que não tinha visto no que tinha colidido. O caminhão não foi identificado, e a polícia aguarda os laudos para confirmar a identidade da mulher.
— Motorista identificado: sim
— Inquérito: em andamento

16/11/2013, 5h04min
— Vítima: Bruna Lopes Capaverde, 15 anos
— Local: esquina das avenidas Pernambuco e Brasil, São Geraldo
Como foi: a adolescente voltava de uma festa, de carona com amigas, em uma EcoSport conduzida pelo pai de uma delas, quando o carro colidiu com um Corsa e capotou. O motorista do Corsa fugiu.
— Investigação: o para-choque com a placa do Corsa ficou no local, e o condutor, identificado como Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos, foi localizado por agentes da EPTC. Preso em flagrante, ficou 12 horas no Presídio Central e foi solto para responder em liberdade.
— Motorista identificado: sim
— Inquérito: em andamento. Silva será indiciado por homicídio doloso, com omissão de socorro e embriaguez ao volante.

22/11/2013, 21h45min
— Vítima: Emily Caroline da Silva, 11 anos
— Local: Avenida Oscar Pereira, bairro Cascata
— Como foi: Emily foi atropelada quando estava na companhia de uma irmã e de uma prima. O condutor do Sentra parou o veículo, recolheu a menina do asfalto e a colocou na calçada. Depois fugiu sem perceber que a placa do carro ficou no chão. Emily morreu no HPS.
— Investigação: a polícia identificou o motorista, Thiago Correa Cristovam, 24 anos. Solicitada pela polícia, a prisão preventiva foi negada pela Justiça. Ele depôs e assumiu o atropelamento.
— Motorista identificado: sim
— Inquérito: em andamento. O motorista deve ser indiciado por homicídio doloso com omissão de socorro.


ACIDENTE DE TRÂNSITO MATA ATOR DE VELOZES E FURIOSOS

G1 01/12/2013 00h46

Paul Walker, de 'Velozes e furiosos', morre em acidente de carro. Veículo bateu e pegou fogo no sul da Califórnia, EUA, neste sábado. Ator era passageiro no Porsche de um amigo, que também morreu.

Do G1, em São Paulo



Paul Walker em maio de 2013 (Foto: Filipe Carvalho/Reuters)


O ator Paul Walker, astro da franquia "Velozes e furiosos" ao lado de Vin Diesel, morreu na tarde deste sábado (30), aos 40 anos, em um acidente de carro na cidade de Santa Clarita, no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, informou seu publicitário na conta oficial do ator no Twitter e no Facebook. Ele deixa uma filha, Meadow, de 15 anos.

"Lamentamos confirmar que Paul morreu em um trágico acidente de carro durante um evento beneficente para sua organização Reach Out Worldwide. Era o passageiro no carro de um amigo, no qual ambos perderam a vida", disseram seus publicitários no Facebook.
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Fontes ligadas a Paul Walker disseram ao site que ele estava em um Porsche que bateu em um poste e pegou fogo. Segundo o departamento de Polícia do condado de Los Angeles, o acidente aconteceu por volta das 15h30, no horário local.

"A velocidade foi um fator no acidente", informou o gabinete do xerife do condado de Los Angeles à CNN. Segundo comunicado das autoridades, o resgate chegou quando o veículo ainda estava pegando fogo. Após apagarem as chamas, os bombeiros encontraram dois ocupantes, que foram declarados mortos no local.

O site da organização afirma que o evento de sábado foi destinado a beneficiar as vítimas do tufão Haiyan nas Filipinas. A notícia foi publicada inicialmente pelo site especializado em notícias sobre celebridades TMZ.

A agência Associated Press divulgou fotos de acidente envolvendo um Porsche vermelho na comunidade de Valência, em Santa Clarita, na Califórnia, que ocorreu na tarde deste sábado (30).

Paul Walker Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

Carreira

Paul Walker iniciou seu trabalho como ator quando ainda era criança, primeiro com um comercial para a Pampers, quando ele tinha dois anos, e, em seguida, com participações em programas como "Highway to heaven" ("O homem que veio do céu", no Brasil) e "Touched by an angel" ("Toque de um anjo").

Seus primeiros papéis no cinema foram com personagens coadjuvantes em filmes para adolescentes, mais notavelmente em "Varsity blues", de 1999.

O ator ganhou fama no papel de Brian O’Connor, um ex-policial envolvido em corridas clandestinas de carros, na série de filmes “Velozes e furiosos”.

Walker filmava atualmente a sétima parte de "Velozes e furiosos". A famosa saga automobilística arrecadou quase US$ 2,4 bilhões nas bilheterias de todo o mundo.

Paul também atuou no filme "Hours", uma produção independente programada para ser lançada em 13 de dezembro, nos Estados Unidos. O filme conta a história de um pai que luta para manter o filho recém-nascido vivo, no rescaldo do furacão Katrina em Nova Orleans.
Bombeiros trabalham em Porsche destruído em acidente neste sábado em Valencia, na cidade de Santa Clarita, Califórnia. (Foto: AP Photo/The Santa Clarita Valley Signal, Dan Watson)



Porsche destruído em acidente neste sábado em Valencia, na cidade de Santa Clarita, Califórnia. (Foto: AP Photo/The Santa Clarita Valley Signal, Dan Watson)

Porsche destruído em acidente neste sábado em Valencia, na cidade de Santa Clarita, Califórnia. (Foto: AP Photo/The Santa Clarita Valley Signal, Dan Watson)

PAUL WALKER DE VELOZES E FURIOSOS MORRE EM ACIDENTE DE CARRO

ZERO HORA 01/12/2013 | 08h48

Paul Walker, de 'Velozes e Furiosos', morre em acidente de carro. Ator tinha 40 anos e voltava de um evento beneficente na noite deste sábado


Ator participou do São Paulo Fashion Week, em marçoFoto: Yasuyoshi CHIBA / AFP


O ator americano Paul Walker, 40 anos, protagonista da popular série de filmes "Velozes e furiosos", morreu em um acidente de carro na noite de sábado, informaram seus agentes.

"É com grande pesar que devemos informar que Paul Walker faleceu em um trágico acidente de carro quando participava de um evento de caridade para sua organização Reach Out Worldwide", diz mensagem no Facebook do ator.

"Ele era passageiro no carro de um amigo, e os dois perderam a vida", acrescenta o texto.

Walker se destacou como o policial Brian O'Conner na série cinematográfica "Velozes e furiosos", dividindo elenco com Vin Diesel e Michelle Rodriguez. Ele morreu quando o Porsche vermelho em que estava bateu contra uma árvore e pegou fogo às 15h30min local (21h30 de Brasília) no sábado, na localidade de Santa Clarita, no condado de Los Angeles.

Testemunhas reconheceram Walker e uma pessoa tentou tirá-lo de dentro do veículo em chamas, segundo o jornal Santa Clarita Valley.

Walker fazia uma pausa por causa do feriado do Dia de Ação de Graças nas filmangens da sétima parte de "Velozes e furioso", que devia estrear em julho.

Depois de filmar em Atlanta, a equipe devia viajar para Abu Dhabi em janeiro, segundo o Hollywood Reporter. Nos perfis oficiais do ator no Facebook e no Twitter, a assessoria informou a trágica notícia.