sexta-feira, 22 de novembro de 2013

TRANSITO MAIS GENTIL

BLOG AUTOMUNDI, 13 DE MAIO DE 2010

A onda no momento é a campanha “Trânsito mais gentil” da Seguradora Porto Seguro. No trânsito hoje, podemos ver o adesivo da campanha colado em diversos carros, o que mostra que o brasileiro está realmente disposto a ter um tráfego melhor nas ruas do país. O slogan da campanha é bem convidativo ( e particularmente falando, um slogan muito bem criado e totalmente voltado a reflexão de todos nós ao ouvir, sinceramente me faz realmente pensar a tentar mudar para um trânsito melhor ) mas será que essa campanha mudará a situação das ruas?



Nos dias de hoje, a cada dia que saimos de carro seja num trajeto curto, ou numa viagem longa, sempre nos deparamos com um acidente, colisão, atropelamento, motoqueiros caídos. Tudo isso se tornou uma cena cotidiana.



Você já parou para pensar quantas pessoas morrem todos os dias em acidentes de trânsito? não importa como o acidente aconteceu, que alias existem diversas causas para isso, acredito que as duas principais hoje são dirigir alcolizado e excesso de velocidade ou as duas juntas, além de outras, a famosa “barbeiragem”, ou seja um motorista que dirige de maneira imprudente, sem atenção, que não respeita os sinais de trânsito, e as vezes até acidentes causados por pessoas inexperientes ao volante, que mesmo q não sejam o carro qu colidiu, causaram a colisão. Devido e todos esses fatores, morrem mais pessoas no transito do que de doenças terminais.

Mas como podemos resolver essa questão que tanto aflige o brasileiro? O Automundi vai “REFORÇAR” alguns items, que com certeza você já sabe, mas nem sempre faz:


- NUNCA BEBA SE FOR DIRIGIR

- Use SEMPRE o cinto de segurança

- Crianças devem sempre rodar no banco de trás do veículo ( a partir desse mes, somente na cadeirinha protegida pelo cinto de segurança do mesmo ).

- Respeite sempre a velocidade máxima permitida na via, as sinalizações e leis de trânsito.

- Mantenha sempre seu veículo em boa condições

- Nunca transite pelo acostamento das rodovias

- Ao fazer ultrapassagens, esteja sempre atento aos outros veículos

- Atenção redobrada em dias de chuva

- Nos cruzamentos esteja atento aos pedestres, pois nem sempre eles estarão atentos em você e nso outros carros

- Evite brigas no transito

- Procure sempre dar passagem

- Respeite a faixa de pedestres

- Ao sentir sono, se possível passe a direção a outro condutor habilitado ou se não ouver, em caso de uma viagem longa, procure um lugar seguro, pare e durma um pouco ( se nem isso for possível, tome o bom e velho cafezinho bem forte e procure triplicar a atenção ).

- Ao fazer uma curva ao lado de um onibus, não se esqueça que a traseira do onibus ira “comer” parte da faixa ao lado.

- Ao estacionar utilizando a baliza, não se esqueça que a frente do seu veículo irá “comer” a faixa ao lado de onde você estiver estacionando.

- Tome cuidado com freadas bruscas, você não sabe se o carro atrás de você estará atento.

- Dê passagem aos motociclistas

- NUNCA BEBA SE FOR DIRIGIR, SE BEBEU NÃO DIRIJA ( SIM, DE NOVO COM CAPS LOCK LIGADO PARA VOCÊ SEMPRE SE LEMBRAR DISSO ).
Esses são alguns tópicos que você deve sempre se lembrar quando abrir a porta do carro entrar e for sair, não importa a distância do trajeto.

Eu não utilizo seguro da Porto Seguro, tenho alguns pontinhos na minha habilitação, mas estou sempre tentando estar atento para melhorar a situação do transito com minhas ações, vá a algum posto da porto seguro, retire seu adesivo, cole no carro, faça parte das redes sociais da campanha, faça parte você também afinal…

Transito mais gentil, um transito melhor, começa com você!

http://www.transitomaisgentil.com.br/

METADE DAS MORTES DE TRÂNSITO ENVOLVEM ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS

ZERO HORA 21/11/2013 | 20h09

Em Porto Alegre, 50% das mortes no trânsito envolvem álcool e outras drogas. Dados de janeiro a novembro apontam 116 vítimas fatais em acidentes ocorridos na Capital



Recentes pesquisas têm mostrado que o uso de álcool e outras drogas, como maconha e cocaína, compõem o perfil dos acidentes com vítimas fatais no trânsito de Porto Alegre. No último levantamento realizado por técnicos de Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e Delegacia de Delitos de Trânsito, de 42 casos pesquisados em acidentes com vítimas fatais neste ano, 21 (50%) apontaram o envolvimento de álcool, maconha ou cocaína, abrangendo as vítimas ou os causadores dos acidentes fatais.

Os dados de 1º de janeiro a 21 de novembro apontam 116 vítimas fatais no trânsito da Capital.

— Deste total, em 49 casos não houve possibilidade de coleta de dados sobre uso de substâncias como álcool e outras drogas, 25 aguardam resultado da pesquisa, em 21 deu negativo e em 21 foi positivo — afirma Fabiane Moscarelli, coordenadora de Informações de Trânsito da EPTC.

O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, afirma que o enfrentamento desta realidade depende da participação de toda a comunidade.

— As campanhas e atividades de educação para o trânsito são permanentes, além da fiscalização, das blitze diárias, das ações do Balada Segura. Vamos intensificar essas ações durante as festas de final de ano. Mas toda a comunidade deve se envolver realmente para uma verdadeira mudança de cultura. O trânsito, pelo número cada vez mais crescente de veículos nas ruas, já apresenta seus riscos naturais. Imaginem quando existe o envolvimento de álcool e drogas nos acidentes. É muito mais complicado e bem mais grave — enfatiza.

As pesquisas apontam, também, o envolvimento de uma parcela expressiva de jovens nos acidentes fatais no trânsito da Capital.

— Nos últimos cinco anos, de 680 casos de vítimas fatais, 207 (30%) envolveram jovens entre 13 e 25 anos — afirma a técnica de trânsito e transporte da EPTC Diva Yara Mello Leite.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

TRANSITO MATA 980 MIL PESSOAS NO BRASIL EM 31 ANOS


Acidentes de trânsito matam 980 mil pessoas no Brasil em 31 anos. Estudo, que considera o período entre 1980 e 2011, mostra retomada da violência no tráfego, impulsionada pela alta de casos com motos

21 de novembro de 2013 | 11h 05

Bruno Paes Manso - O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - Morreram em acidentes de trânsito no Brasil 980.838 pessoas entre os anos de 1980 e 2011. Neste último ano, o País alcançou a maior taxa de mortes por cem mil habitantes desde que os dados começaram a ser contabilizados. Foram 22,5 mortes por 100 mil habitantes, pico que já havia sido alcançado em 1996, antes da criação do Código Brasileiro de Trânsito, que logo depois que começou a vigorar contribui para quedas importantes nas taxas.

Os dados são do Mapa da Violência 2013, acidentes de trânsito e motocicletas, feita pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos (Cebela).

As motos foram os maiores vilões da retomada da violência no trânsito no Brasil, com crescimento de 742,5% nos últimos 15 anos. Em 1996, morriam por acidentes de moto 0,9 pessoas por 100 mil habitantes. O total cresceu para 7,6 mortes por 100 mil habitantes em 2011. No mesmo período, as mortes em acidentes por automóvel também subiram, mas em proporção menor (41,2%). Em 2011, morreram em acidentes de carro 6,5 pessoas por 100 mil habitantes.



Desde 2008, as motos são as principais causadores de morte no trânsito brasileiro. Tradicionalmente, os pedestres eram as maiores vítimas. Em 1996, morriam 15,6 pedestres por 100 mil habitantes, total 17 vezes maior do que os mortos em motos. Atualmente, as vítimas nas motocicletas é 25% mais alta do que os que andam a pé.

Entre os Estados, Tocantins lidera as taxas de mortes no trânsito, com 37,9 mortes por 100 mil habitantes. É seguido por Rondônia (37,5 por 100 mil), Mato Grosso (35,2), Piauí (34,7) e Mato Grosso do Sul (34,7). O Estado de São Paulo fica na 25ª colocação, com 17,7 mortes por 100 mil habitantes, a frente do Rio de Janeiro (17,2) e Amazonas (14,4), este último, o trânsito menos violento do Brasil. Nos casos de morte de motociclistas, o campeão é o estado do Piauí, com 30,4 mortes por 100 mil habitantes.

Ainda de acordo com o levantamento, a cidade de Presidente Dutra, no Maranhão, é a cidade com o trânsito mais violento do Brasil. Com população de 45.155 habitantes, teve 219 mortes nos últimos cinco anos, o que significa uma taxa de 285,7 mortes por 100 mil habitantes, total 16 vezes maior do que a do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ESSA HISTÓRIA TEM DE MARCAR

ZERO HORA 20 de novembro de 2013 | N° 17620

MAURICIO TONETTO

ENTREVISTA

Ao ver o Corsa dirigido por Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos, se aproximar rápido da sua EcoSport na esquina das avenidas Pernambuco e Brasil, em Porto Alegre, Eudon Moraes, 50 anos, só teve tempo de gritar “meninas” e pisar no acelerador para escapar de uma colisão violenta. O reflexo foi decisivo, segundo ele, para evitar a morte de todos os ocupantes do carro. Além de Bruna Lopes Capaverde, 15 anos – que não resistiu ao choque, na madrugada de sábado –, estavam no veículo a filha de Moraes e outra adolescente:

– A sinaleira abriu, fui devagarinho, olhei a esquina e, quando percebi, vinha aquela coisa em alta velocidade. Ele ia matar todo mundo, ia pegar no meio do meu carro.

Eudon foi o pai escolhido para buscar as garotas depois de uma festa no bairro Navegantes, às 5h30min. Eles faziam um revezamento para garantir a segurança das jovens na saída das baladas. Conforme relatos colhidos pela Polícia Civil, o Corsa teria cruzado o sinal vermelho e fugido, sendo achado minutos depois por agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) na Avenida Castelo Branco, próximo à ponte do Guaíba. Diego foi detido por 12 horas no Presídio Central, mas está solto.

– É um peso que ele nunca vai tirar da cabeça – avalia Moraes.

A seguir, a entrevista que o pai concedeu a ZH:

Zero Hora – O que o senhor lembra do acidente?

Eudon Moraes – Ele só podia estar em alta velocidade. Eu paro em todos os sinais vermelhos, e a sinaleira já estava aberta para mim. Fui devagarinho, olhei a esquina e, quando percebi, vinha aquela coisa em alta velocidade. Só deu tempo de gritar “meninas” e me atirar para um canto. Ele ia matar todo mundo, ia pegar no meio do meu carro. Ele nem viu o sinal vermelho.

ZH – Qual foi sua reação ao perceber isso?

Moraes – Meu carro é automático, pisei fundo no acelerador para fugir dele mas, mesmo assim, me pegou na roda de trás. Ele desviou para o meu lado e fui jogado contra os pilares. O carro fez uma catapulta e voou em um poste. Me sinto responsável.

ZH – Em que velocidade o senhor estava na hora do acidente?

Eudon Moraes – A uns 40 km/h, no máximo 50 km/h. Recém tinha entrado na avenida. Os peritos me mostraram que ele pegou a minha roda traseira, quase escapei.

ZH – Após a colisão no veículo, o que o senhor fez?

Moraes – Empurrei o cinto, chutei a porta e saí para olhar as meninas. A que estava atrás do meu banco (a Bruna) eu não enxergava, as outras estavam bem. Fiz a volta no carro e vi que ela estava desacordada, mas o coração batia. Fiquei segurando a cabecinha dela, esperando a ambulância. Foram uns 10 minutos de muita angústia.

ZH – As meninas estavam usando cinto de segurança?

Moraes – Eu mandei todas colocarem, sou até meio paranoico com isso, mas não sei se todas obedeceram. O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) teve de cortar o cinto de uma delas para fazer o atendimento.

Zero Hora – O que o senhor gostaria de dizer para o motorista do Corsa que o atingiu?

Moraes – Nem quero nem ver a fisionomia dele, o baque foi muito grande. A Bruna vivia dormindo na minha casa com a minha filha. As pessoas fazem loucuras, mas devem arcar com as consequências. Essa vai sair caro. É um peso que ele nunca mais vai tirar da cabeça. Essa história tem de marcar de alguma forma.

ZH – Por que o senhor disse que se sente responsável?

Moraes – Eu sei que não tenho culpa, mas elas estavam sob minha guarda. O inconsciente fica me martelando, cada um tem seu tempo. A Bruna era a melhor amiga da minha filha, elas viviam juntas. Está muito difícil.

ZH – O que o senhor pretende fazer daqui para frente?

Moraes – Me engajar em campanhas contra a violência no trânsito e meter a cara no trabalho para esquecer. Eu trabalho com seguro de cargas em acidentes de caminhão, achei que estava preparado para algo assim, mas não. Vou ter de levar, não posso parar para pensar.







Barulho do impacto indica alta velocidade


A Polícia Civil obteve de estabelecimentos comerciais do bairro Navegantes as imagens da colisão entre o Corsa e a EcoSport na madrugada de sábado. Elas foram enviadas ao Instituto Geral de Perícias (IGP), que fará uma simulação para estimar a aceleração dos veículos. Segundo o delegado Wagner Dalcin, que esteve no local minutos depois do acidente e conversou com moradores, os indícios apontam para imprudência:

– Pelo fato de ter gerado a capotagem, provavelmente ele (Corsa) estava em alta velocidade. O barulho do impacto dá uma noção. As testemunhas disseram que foi um som forte.

O trabalho do IGP é fundamental para determinar se Diego será indiciado por homicídio doloso, com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).

– Dá para ver o acidente. Estamos depurando a imagem. É complicado quando as câmeras são de baixa qualidade, por isso solicitei que o IGP faça o parâmetro. Antes da batida não tem marca de frenagem na pista – explica Cristiano Reschke, da Delegacia de Homicídios de Trânsito.

Roberta Rycembel advogada de Diego da Silva, condutor do Corsa, nega que seu cliente tenha fugido após o acidente e que ele estivesse embriagado. Relatos de testemunhas, incluindo PMs e agentes da EPTC, dão conta de que o suspeito apresentava sinais de consumo de bebidas alcoólicas. Como ele se negou a fazer o teste do bafômetro, foi encaminhado para exame clínico, e o médico observou “hálito duvidoso”.

– Foi uma fatalidade. O Diego não estava embriagado, e não houve fuga. Isso será analisado em um segundo momento. Agora, ele quer manter o direito de ficar em silêncio. Vamos aguardar a perícia e os laudos. Ele me relatou que estava trafegando e viu uma luz forte do outro veículo e tirou a mão da direção. Em seguida, se viu andando e estacionou. Para dizer que ele passou no sinal vermelho, tem de provar – diz Roberta.

SUSPEITO DE RACHA ATROPELA E MATA MULHER NA FAIXA DE PEDESTRE


Mulher morre após ser arrastada por carro na zona norte de SP. Jéssica da Silva, de 22 anos, foi atingida quando atravessava faixa de pedestre no começo da madrugada; ocupantes do veículo, que estariam participando de racha, fugiram

20 de novembro de 2013 | 9h 14

Renato Vieira e Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo




Werther Santana/Estadão
O carro envolvido no atropelamento

SÃO PAULO - Uma mulher morreu atropelada no início da madrugada desta quarta-feira, 20, na Ponte do Piqueri, na zona norte de São Paulo. Jéssica Bueno da Silva, de 22 anos, descia de um ônibus por volta de 0h, quando foi atingida por um veículo da marca Fiat Stilo na faixa de pedestres da Avenida General Edgar Facó. Com o impacto, ela se chocou com o vidro do carro, que ainda avançou por 200 metros.

O veículo foi abandonado na ponte. Os três ocupantes fugiram sem prestar socorro. Segundo a Polícia Civil, testemunhas disseram que Jéssica atravessou a via na faixa de pedestres. O carro teria vindo em alta velocidade, ignorando o semáforo vermelho. Uma faixa do sentido centro ficou interditada até 6h30, para trabalho da perícia.

Há a suspeita de que o carro que atingiu Jéssica estivesse envolvido em um racha com outros dois veículos antes do acidente. A polícia diz que as investigações só terão início nesta quinta-feira, 21, devido ao feriado desta quarta-feira.

Familiares da vítima reclamaram no Instituto Médico-Legal (IML) central da capital que a Polícia Civil não deu informações sobre os condutores do veículo. Rose Rodrigues, prima de Jéssica, afirmou que ela estava acompanhada por cinco pessoas, entre elas o namorado. O grupo se dirigia a uma casa noturna. Segundo os familiares, os colegas nem perceberam a batida. "A Jéssica sumiu", teriam dito. "Eles (os carros) vinham em alta velocidade. Um desviou, outro parou e o terceiro bateu nela", contou Rose.

Jéssica tinha um filho de 4 anos e iria começar em um novo emprego. Seu corpo se encontra no IML. O caso foi registrado como homicídio culposo, sem intenção de matar. O carro foi levado para vistoria.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

DOR DE PAI

ZERO HORA 19 de novembro de 2013 | N° 17619

MAURICIO TONETTO

DRAMA


Depois de perder a única filha mulher em um acidente causado por um motorista com suspeita de embriaguez, em Porto Alegre, administrador pretende engajar-se em campanhas contra a violência no trânsito



Enquanto via fotos e revivia a história dos 15 anos da filha Bruna Lopes Capaverde, morta em acidente na madrugada do último sábado, na Capital, o administrador de empresas Francisco Capaverde apelou: – Pense, repense no meu sofrimento. Pode acontecer contigo.

Francisco quer transformar a perda da menina em uma bandeira para os que lutam contra a imprudência no trânsito, assim como fez Diza Gonzaga, com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga. Bruna morreu quando voltava de uma festa com duas amigas, na EcoSport guiada pelo pai de uma delas. O veículo foi atingido por um Corsa, dirigido por Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos, no bairro Navegantes.

Segundo a polícia, o Corsa – encontrado mais tarde – teria cruzado o sinal vermelho e fugido do local. Diego chegou a ser detido por 12 horas no Presídio Central, mas acabou solto. Com suspeita de embriaguez, ele se negou a soprar o bafômetro e deve ser indiciado por homicídio doloso (quando se assume o risco de matar). Mais do que justiça, Francisco quer que a perda da filha não seja só “mais uma estatística”.


O desabafo de Francisco

“Normalmente, fazemos revezamento entre os pais para buscar (os filhos) nas festas e, ironicamente, não fui o escolhido para essa. Estava sossegado em casa, esperando aquela confusão da chegada das meninas – que normalmente dormiam na minha casa –, quando recebi um telefonema. Era a mãe de uma delas, dizendo para eu me dirigir ao hospital (Cristo Redentor) que havia ocorrido um acidente, mas que não me preocupasse, que não devia ser nada importante. Fui até o hospital e, chegando lá, não localizei minha filha. Nisso chegou um atendente de ambulância e me chamou em um canto. “O senhor é o pai da Bruna?”. Eu disse “sim”. “Chega aqui comigo. Aconteceu uma coisa: a Bruna faleceu”. Não, não acreditei, isso não existe, não vai acontecer comigo. Fui até o Hospital de Pronto Socorro e lá insisti, insisti, insisti, pois existem essas coisas nas festas, de uma menina estar com a identidade da outra no bolso. Tinha esperança de que não fosse minha filha. Então, fui levado até uma sala onde havia um corpo com lençol em cima. Era minha filha, não tinha o que fazer. Conversei com a minha esposa, e a gente quer justiça, que o assunto não seja mais uma estatística de feriado. Foi a minha filha, e a minha filha tem que fazer valer a falta dela. Já entrei em contato com a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga e quero participar de campanhas, mostrar para os jovens que beber e dirigir não combina, e que não quero ver mais nenhum pai reconhecer o corpo de uma filha. Não quero que aconteça com o meu pior inimigo. E a única forma que entendo disso – tenho um filho mais velho e outros dois pequenos – é a conscientização. É a única forma de mudar isso. Mostrar o meu sofrimento, que não existe coisa pior do que reconhecer o filho que a gente criou, que foi tão amado. O trânsito é uma máquina de mortes, mas quero que a pessoa, na hora de fazer uma bobagem e beber e sair com o carro, pense um pouquinho no meu sofrimento, nessa cena, que é ver as pessoas que tu mais ama na vida ali, sem poder reagir, sem poder fazer nada. Tu nunca mais vai conviver com ela, nunca mais vai brigar com ela, nunca mais vai ter tua parceira, não vai poder levar ela no jogo do time de vocês. Eu, passando esse sofrimento, mostrando às pessoas, é uma forma de, pelo menos, a vida da minha filha ter um valor a mais. Todo mundo pensa “acontece na televisão”. Tchê, se tu fizeres coisa errada, pode acontecer contigo, com as pessoas que tu mais ama. Então pense, repense. Ela estava radiante, começando a conhecer a vida, fazendo as festas dela com todo apoio dos pais, dos irmãos, dos amigos, num ótimo momento. E aí, de uma hora para outra, o sonho, a possibilidade de ver uma filha profissional, mãe, é cortado.”

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A DOR DE PERDER A FILHA NA VOLTA DA BALADA


ZERO HORA 18 de novembro de 2013 | N° 17618


LETÍCIA DUARTE


DRAMA FAMILIAR. “Não temos coragem de entrar no quarto dela”

Abalados pelo acidente que matou a filha de 15 anos na volta de festa, pais da jovem esperam Justiça



Desnorteados pela morte da filha de 15 anos em um acidente de trânsito na volta de uma festa, no bairro Navegantes, em Porto Alegre, os pais de Bruna Lopes Capaverde, 15 anos, deixaram sua casa para se refugiar no sítio de um compadre em Viamão, com os outros três filhos. Saíram para adiar o confronto de memórias.

Os pais não se sentem preparados para abrir a porta do quarto da adolescente, que teve o destino abreviado na madrugada de sábado, quando a EcoSport em que estava foi atingida pelo Corsa dirigido por um jovem de 29 anos – autuado pela polícia por homicídio com dolo eventual, pelo entendimento de que teria assumido o risco de matar, por ter apresentado sinais de embriaguez e fugido do local.

– A gente não sabe o que fazer. Não temos coragem de entrar no quarto dela. Ainda não conseguimos contar para os pequenos. É como se ela estivesse viajando. Mas não vamos deixar passar em branco. Não é questão de vingança, mas esse caso precisa ser exemplar para que não volte a acontecer – desabafou o pai, o administrador de empresas Francisco Capaverde, 50 anos.

Aluna do 1º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Piratini, Bruna voltava de uma festa na Farms, no Shopping Total, na Capital, na companhia de duas amigas, quando o choque ocorreu, por volta das 5h30min de sábado. As três eram conduzidas pelo pai de uma das adolescentes, cumprindo ritual de revezamento criado entre as famílias para que as filhas fossem conduzidas em segurança no ir e vir das baladas.

No cruzamento das avenidas Pernambuco e Brasil, a EcoSport colidiu com o Corsa branco conduzido por Diego Alberto Joaquim da Silva, 29 anos. Com o impacto, o veículo em que Bruna estava capotou. Ela morreu no local e as duas amigas ficaram feridas. O motorista do Corsa fugiu pela Avenida Pernambuco na contramão, sendo localizado em seguida por agentes da EPTC, perto da ponte do Guaíba.

Como se recusou a realizar o teste do bafômetro, o motorista do Corsa foi submetido a exame clínico que apontou “hálito duvidoso” – o que evidenciava “sinais clínicos de estar sob influência de álcool”, como consta no laudo – embora sem alteração da capacidade psicomotora. Mesmo assim, o delegado plantonista entendeu que as provas testemunhais eram suficientes para enquadrá-lo por embriaguez, além de outros agravantes, como fuga do local e suspeitas de que teria cruzado o sinal vermelho. Às 11h de sábado, o condutor chegou a ser encaminhado ao Presídio Central, onde permaneceu por 12 horas, até conseguir a liberdade provisória.

– Há sinais fortes de que houve dolo eventual e, se for confirmado, ele vai a júri – afirma o delegado Cristiano Reschke, da Delegacia de Homicídios de Trânsito, que a partir de hoje começa a ouvir testemunhas e sobreviventes.

O motorista da EcoSport foi submetido ao bafômetro e nenhuma alteração foi constatada.

Cientes de que nada trará a filha de volta, os pais torcem por justiça – e fazem planos de se engajar em campanhas de conscientização de trânsito, para evitar que outras famílias passem o que eles estão passando.