FLEXIBILIDADE NA LEI SECA - EDITORIAL ZERO HORA 07/03/2012
A Câmara dos Deputados está prestes a aprovar uma flexibilização na chamada tolerância zero para motoristas que ingerem álcool antes de dirigir. A alteração da Lei Seca, menos de quatro anos depois de sua entrada em vigor, prevê um parâmetro para diferenciar o motorista que eventualmente tenha bebido um copo de cerveja daquele que dirige embriagado. Condutor que for pego depois de ter ingerido qualquer dose de álcool, porém, vai continuar sendo submetido a multas e à perda da carteira de habilitação. Parece sensato. Não tem sentido abrir processo criminal contra pessoas que consomem álcool com parcimônia.
O importante é que as pretendidas mudanças na lei, se entrarem em vigor, possam contribuir para facilitar a aplicação das punições e não simplesmente para reforçar ainda mais a impunidade. Sob os parâmetros atuais, o Brasil dispõe de um rigor equivalente ao usado contra motoristas que dirigem depois de ingerir bebida alcoólica em países como Noruega, Suécia e Polônia.
Na América do Sul, a tolerância brasileira ao uso do álcool antes de dirigir fica atrás só da estipulada na Colômbia, onde o limite é realmente zero. Isso explica o fato de, mesmo continuando a figurar entre os recordistas de mortes no tráfego, a maioria das quais associadas à ingestão em excesso de bebida pelo motorista, o Brasil estar conseguindo finalmente reduzir as estatísticas trágicas. A questão é que, no entendimento da Justiça, motoristas não são obrigados a se submeter a exames ou ao bafômetro, o que dificulta as punições.
Um dos méritos da Lei Seca, em vigor desde 2008, é o de vir contribuindo para conter o número de acidentes e de mortes no trânsito, graças ao seu rigor e ao debate despertado na sociedade. É importante que a disposição se mantenha, pois esse instrumento legal precisa continuar colaborando para a redução da mortandade no trânsito, sem dar margem a qualquer tipo de excesso ou injustiça.
Este Blog é uma censura à Guerra e mortes no trânsito estimulada por uma Constituição benevolente; leis brandas; negligência dos órgãos de trânsito; precariedade da sinalização; buracos nas vias públicas; descaso dos Poderes na mobilidade urbana; morosidade e leniência da Justiça; e um alerta a todos que conduzem seus veículos sem habilitação, estressado, briguento, armado e agindo com imperícia, imprudência e atitude criminosa, prontos para morrer ou matar por troféus de lata.
quarta-feira, 7 de março de 2012
NO RS, EM MENOS DE OITO HORAS, SETE MORREM NO TRÂNSITO
Saldo trágico. Em menos de oito horas, sete pessoas morrem em acidentes no trânsito gaúcho. Ocorrência mais grave foi registrada em Ibirubá, no Noroeste, onde três pessoas perderam a vida -ZERO HORA, 07/03/2012 | 06h01
Uma série de acidentes deixou um saldo de pelo menos sete mortos em menos de oito horas, entre o início da noite de terça-feira e a madrugada desta quarta, nas estradas do Rio Grande do Sul. Somados, os registros atingem a trágica média de um morto por hora no trânsito gaúcho. Destes, três ocorrências aconteceram em rodovias estaduais e duas em federais.
A colisão mais grave teve como vítimas um casal, ocupante de um Mégane, e o passageiro de uma caminhonete Frontier na rodovia que liga Selbach a Ibirubá (ERS-223), no noroeste do Estado. O automóvel com placas de Carazinho deixava a cidade de Ibirubá quando ocorreu a colisão com a caminhonete de Quinze de Novembro, que viajava no sentido Selbach-Ibirubá.
O acidente ocorreu por volta das 22h de terça, no trevo secundário do município. Outros três ocupantes da Frontier foram encaminhados a hospitais da região e permanecem em estado regular.
Em Salvador das Missões, por volta de 22h30min, um motociclista morreu atropelado por uma carreta na rodovia que liga Porto Xavier a Cerro Largo (BR-392). Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o condutor da moto teria perdido o controle do veículo e caído na altura do km 665. O caminhão, com placas de Cerro Largo, não teria conseguido parar e passado por cima da vítima.
Ainda na noite de terça-feira, um comerciante perseguiu e atropelou uma dupla em uma moto que teria assaltado seu estabelecimento comercial, em Viamão. Na colisão, um dos suspeitos não resistiu aos ferimentos e morreu, às margens da ERS-040, próximo ao cruzamento da Estrada dos Cunha.
Um automóvel Ka com dois ocupantes, que aguardava para cruzar a estrada, também foi atingido no choque. O motorista não se feriu e o carona foi encaminhado ao Hospital de Viamão com escoriações leves.
Mais cedo, por volta das 18h30min, um motoqueiro morreu após envolver-se em acidente com um Uno Mille em Caxias do Sul, na Serra. A colisão ocorreu na interseção da Rua Atílio Andreazza com a RST-453 (Rota do Sol). O trânsito chegou a apresentar lentidão no trecho.
Já na madrugada desta quarta-feira, um Peugeot 206 saiu da pista e capotou, causando a morte de uma mulher em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. O motorista do automóvel, que nada sofreu, teria perdido o controle do veículo por volta de 1h30min na rodovia Pantano Grande-Uruguaiana (BR-290). Outra ocupante ficou gravemente ferida e foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro de Uruguaiana.
Uma série de acidentes deixou um saldo de pelo menos sete mortos em menos de oito horas, entre o início da noite de terça-feira e a madrugada desta quarta, nas estradas do Rio Grande do Sul. Somados, os registros atingem a trágica média de um morto por hora no trânsito gaúcho. Destes, três ocorrências aconteceram em rodovias estaduais e duas em federais.
A colisão mais grave teve como vítimas um casal, ocupante de um Mégane, e o passageiro de uma caminhonete Frontier na rodovia que liga Selbach a Ibirubá (ERS-223), no noroeste do Estado. O automóvel com placas de Carazinho deixava a cidade de Ibirubá quando ocorreu a colisão com a caminhonete de Quinze de Novembro, que viajava no sentido Selbach-Ibirubá.
O acidente ocorreu por volta das 22h de terça, no trevo secundário do município. Outros três ocupantes da Frontier foram encaminhados a hospitais da região e permanecem em estado regular.
Em Salvador das Missões, por volta de 22h30min, um motociclista morreu atropelado por uma carreta na rodovia que liga Porto Xavier a Cerro Largo (BR-392). Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o condutor da moto teria perdido o controle do veículo e caído na altura do km 665. O caminhão, com placas de Cerro Largo, não teria conseguido parar e passado por cima da vítima.
Ainda na noite de terça-feira, um comerciante perseguiu e atropelou uma dupla em uma moto que teria assaltado seu estabelecimento comercial, em Viamão. Na colisão, um dos suspeitos não resistiu aos ferimentos e morreu, às margens da ERS-040, próximo ao cruzamento da Estrada dos Cunha.
Um automóvel Ka com dois ocupantes, que aguardava para cruzar a estrada, também foi atingido no choque. O motorista não se feriu e o carona foi encaminhado ao Hospital de Viamão com escoriações leves.
Mais cedo, por volta das 18h30min, um motoqueiro morreu após envolver-se em acidente com um Uno Mille em Caxias do Sul, na Serra. A colisão ocorreu na interseção da Rua Atílio Andreazza com a RST-453 (Rota do Sol). O trânsito chegou a apresentar lentidão no trecho.
Já na madrugada desta quarta-feira, um Peugeot 206 saiu da pista e capotou, causando a morte de uma mulher em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. O motorista do automóvel, que nada sofreu, teria perdido o controle do veículo por volta de 1h30min na rodovia Pantano Grande-Uruguaiana (BR-290). Outra ocupante ficou gravemente ferida e foi encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro de Uruguaiana.
terça-feira, 6 de março de 2012
TOLERÂNCIA - DEPUTADOS BENEVOLENTES QUEREM ABRANDAR LEI SECA

Tolerância. Projeto em discussão na Câmara reduz o rigor da Lei Seca. Alteração debatida por deputados cria parâmetro para diferenciar o motorista que bebeu pouco daquele que dirige embriagado - ZERO HORA ONLINE, 06/03/2012 | 07h46
A tolerância zero para o motorista que dirige depois de beber, estipulada pelo projeto que altera a Lei Seca, deve ficar restrita a penas administrativas, conforme o texto que está sendo fechado na Câmara dos Deputados. Apenas motoristas flagrados dirigindo com mais de 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou com sinais de que beberam antes de assumir a direção poderão ser processados criminalmente.
A alteração discutida pelos deputados cria um parâmetro para diferenciar o motorista que eventualmente bebeu um copo de cerveja daquele que dirige embriagado. Para ambos, haverá multa e perda da carteira de habilitação.
Para detectar os sinais de que o motorista bebeu ou está com a capacidade psicomotora alterada, a polícia poderá se valer do bafômetro ou de exames de sangue, caso o motorista se disponha a fazer o teste, ou usar filmagens, fotos e testemunhos. O Conselho Nacional de Trânsito deverá estabelecer como essas provas poderão ser colhidas.
As alterações visam a dar efetividade à Lei Seca, cujo rigor foi reduzido pelo entendimento da Justiça de que os motoristas não são obrigados a se submeter a exames ou ao bafômetro.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É bom registrar em negrito o nome e o partido destes "representantes do povo" que trabalham com descaso e contra o povo, atuando de forma benevolentes e conivente com os crimes de trânsito, os quais estão ceivando milhares de vidas inocentes e custando caro ao Estado.
sábado, 3 de março de 2012
REFLEXÃO SOBRE O TRÂNSITO
Marilene Souza, Professora - ZERO HORA 02/03/2012
Hoje cedo estava vendo o telejornal e mostraram uma reportagem sobre mortes de jovens em acidentes de carro. Fiquei chocada! Nem é essa exatamente a palavra. Tive um sentimento esquisito, não por ver imagens de acidentes. Isso já vi centenas, até mais chocantes do que as que mostravam na reportagem.
O caso é que fico pensando em quem fica, nos filhos (que nesse caso eram bebês) e não terão seus pais ao seu lado; no resto da família, que terá que conviver com a saudade para sempre, e naqueles que presenciaram a cena de horror. Fico pensando, por quê? Não porque se foram simplesmente, mas qual o motivo leva um ser humano, ser racional, a beber e pegar um automóvel a toda a velocidade, encher de gente no carro e, literalmente, matar todo mundo?
Sempre lembro de um desenho do Pateta, em que ele era um cidadão exemplar, mas quando entra no seu carro ele se transforma em um monstro e fica descontrolado. É isso que tenho visto todos os dias no trânsito, as pessoas não respeitam nada e nem ninguém. Se você respeita o limite de velocidade dentro da cidade, leva xingão de todos os lados, é hostilizado e muitos motoristas colam em sua traseira tentando te forçar a correr na mesma velocidade. Em um momento que, repentinamente, você precisa frear, causa um acidente. Se seu carro estragar, lá vem centenas de xingamentos novamente, como se a culpa fosse sua pelo carro estragar.
Gente, as pessoas estão loucas, não conseguem esperar meio segundo para uma pessoa atravessar a faixa de pedestres, ou para uma sinaleira abrir, ou um carro manobrar... cada vez mais grosseria e motoristas imprudentes que pensam que são os melhores motoristas do mundo. Pois não são!
Bons motoristas respeitam as leis de trânsito e os pedestres, respeitam os outros motoristas, não bebem ao pegar no volante, não colam na traseira dos outros. Vou usar uma máxima que se torna cada vez mais necessária para mudar a realidade de nosso trânsito: "gentileza, gera gentileza".
Essa é a realidade, ser gentil é o mínimo que qualquer cidadão precisa ser para melhorar, não só o trânsito, mas toda a vida em sociedade. Vamos respeitar os outros e , principalmente, a nós mesmos.
Hoje cedo estava vendo o telejornal e mostraram uma reportagem sobre mortes de jovens em acidentes de carro. Fiquei chocada! Nem é essa exatamente a palavra. Tive um sentimento esquisito, não por ver imagens de acidentes. Isso já vi centenas, até mais chocantes do que as que mostravam na reportagem.
O caso é que fico pensando em quem fica, nos filhos (que nesse caso eram bebês) e não terão seus pais ao seu lado; no resto da família, que terá que conviver com a saudade para sempre, e naqueles que presenciaram a cena de horror. Fico pensando, por quê? Não porque se foram simplesmente, mas qual o motivo leva um ser humano, ser racional, a beber e pegar um automóvel a toda a velocidade, encher de gente no carro e, literalmente, matar todo mundo?
Sempre lembro de um desenho do Pateta, em que ele era um cidadão exemplar, mas quando entra no seu carro ele se transforma em um monstro e fica descontrolado. É isso que tenho visto todos os dias no trânsito, as pessoas não respeitam nada e nem ninguém. Se você respeita o limite de velocidade dentro da cidade, leva xingão de todos os lados, é hostilizado e muitos motoristas colam em sua traseira tentando te forçar a correr na mesma velocidade. Em um momento que, repentinamente, você precisa frear, causa um acidente. Se seu carro estragar, lá vem centenas de xingamentos novamente, como se a culpa fosse sua pelo carro estragar.
Gente, as pessoas estão loucas, não conseguem esperar meio segundo para uma pessoa atravessar a faixa de pedestres, ou para uma sinaleira abrir, ou um carro manobrar... cada vez mais grosseria e motoristas imprudentes que pensam que são os melhores motoristas do mundo. Pois não são!
Bons motoristas respeitam as leis de trânsito e os pedestres, respeitam os outros motoristas, não bebem ao pegar no volante, não colam na traseira dos outros. Vou usar uma máxima que se torna cada vez mais necessária para mudar a realidade de nosso trânsito: "gentileza, gera gentileza".
Essa é a realidade, ser gentil é o mínimo que qualquer cidadão precisa ser para melhorar, não só o trânsito, mas toda a vida em sociedade. Vamos respeitar os outros e , principalmente, a nós mesmos.
MORTES NO TRÂNSITO CUSTAM BILHÕES PARA O RS
Alto custo. Mortes no trânsito custaram R$ 5,3 bilhões ao Estado nos últimos cinco anos, aponta Detran. Somente no ano passado, acidentes com vítimas fatais somaram R$ 1,1 bilhão aos cofres gaúchos. Humberto Trezzi, ZERO HORA, 03/03/2012 | 06h01
O Rio Grande do Sul perdeu R$ 5,3 bilhões em decorrência de mortes no trânsito só nos últimos cinco anos. Isso é mais do que o orçamento da prefeitura de Porto Alegre em 2012, que soma R$ 4,7 bilhões. Um custo repartido por todos os cidadãos. O cálculo é de que cada morte represente uma perda de R$ 551 mil.
Como morreram 9.708 pessoas em acidentes em vias gaúchas entre 2007 e 2011, a perda supera os R$ 5 bi. A conta não inclui sequelas invisíveis, como tratamento de estresse pós-traumático. A estimativa foi feita, a pedido de Zero Hora, pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS). A base é um estudo que mostra o custo que cada morte em acidentes acarreta para a população brasileira.
Saiba mais:
Confira o custo da tragédia no Estado
O trabalho, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, órgão do governo federal) em 2006, foi atualizado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A média é de uma vítima fatal a cada 11 acidentes.
Só em 2011 a perda em decorrência das mortes no trânsito no Rio Grande do Sul foi de R$ 1,1 bilhão. Entre os fatores elencados pela pesquisa como indutores a prejuízos com acidentes de trânsito estão:
— Cuidados em saúde (hospitalar, pré e pós, perda de produção, remoção, IML e funeral);
— Custos do veículo (danos materiais, perda de carga, remoção e estacionamento, conserto);
— Custos da via e do ambiente (danos à propriedade pública, privada e ambientais);
— Custos institucionais (atendimento, policiais, judiciais);
— Sequelas (traumas, estresse).
O cálculo dos custos é baseado numa complexa fórmula matemática que inclui preços diferenciados para automóveis, caminhões e motos envolvidos nos desastres, estrutura hospitalar na região onde ocorreu o desastre, estrutura para remoção de feridos, salário pago para o policial que atende à ocorrência e qualidade das estradas.
Nem tudo são más notícias, ressalta o pesquisador Paulo Fernando Palma Neves, assessor de Planejamento do Detran-RS. Ele lembra que em 2011 foram registradas142 mortes a menos do que no ano anterior nos acidentes ocorridos no Estado:
— A estimativa é de R$ 100 milhões em dinheiro poupados no Rio Grande do Sul em 2011, com a diminuição das mortes em relação ao ano anterior.
Desastre com vítima custa 29 vezes mais
Com base em cálculos atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é possível dizer que o custo médio de um acidente sem vítimas, no Brasil, é de R$ 19 mil.
Já cada acidente com ferido tem um custo médio de R$ 90 mil (cinco vezes maior). E a morte num acidentes eleva o custo médio para R$ 551 mil, que é 29 vezes maior do que aquele sem vítimas. É que pessoas feridas ou mortas envolvem despesas extras para o poder público, como remoção, atendimento hospitalar, inquérito policial e, no caso das mortes, necropsia.
Mas existem também as despesas privadas dos familiares — como atendimento médico, reabilitação ou funeral — e todo o prejuízo arcado pela comunidade com a interrupção temporária da rodovia no local do acidente, por exemplo.
— É por isso que o prejuízo não é do Estado e sim de toda a cidadania. Acidentes abalam o PIB (Produto Interno Bruto) de um país — resume o pesquisador Paulo Fernando Palma Alves, do Detran-RS.
No levantamento original realizado pela Ipea, feito em 2006 — que estabeleceu pela primeira vez o custo médio dos acidentes —, foram levadas em conta acidentes nos quais 468.371 pessoas estiveram envolvidas. Dessas, 84,4% saíram ilesas, 14,2% ficaram feridas e 1,4% morreram.
Desastre com vítima custa 29 vezes mais
Com base em cálculos atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é possível dizer que o custo médio de um acidente sem vítimas, no Brasil, é de R$ 19 mil. Já cada acidente com ferido tem um custo médio de R$ 90 mil (cinco vezes maior). E a morte num acidentes eleva o custo médio para R$ 551 mil, que é 29 vezes maior do que aquele sem vítimas.
É que pessoas feridas ou mortas envolvem despesas extras para o poder público, como remoção, atendimento hospitalar, inquérito policial e, no caso das mortes, necropsia. Mas existem também as despesas privadas dos familiares – como atendimento médico, reabilitação ou funeral – e todo o prejuízo arcado pela comunidade com a interrupção temporária da rodovia no local do acidente, por exemplo.
– É por isso que o prejuízo não é do Estado e sim de toda a cidadania. Acidentes abalam o PIB (Produto Interno Bruto) de um país – resume o pesquisador Paulo Fernando Palma Alves, do Detran-RS.
No levantamento original realizado pela Ipea, feito em 2006 – que estabeleceu pela primeira vez o custo médio dos acidentes –, foram levadas em conta acidentes nos quais 468.371 pessoas estiveram envolvidas. Dessas, 84,4% saíram ilesas, 14,2% ficaram feridas e 1,4% morreram.
Estados mais ricos têm prejuízo menor
As enormes diferenças econômicas entre as regiões brasileiras também se refletem nos acidentes de trânsito. Quanto mais opulenta é a economia de um Estado, menos custoso é o desastre registrado lá. É o que mostra o levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) com base em mais de 400 mil acidentes no Brasil.
Enquanto o custo médio por acidente no Rio Grande do Sul foi de R$ 48 mil (média que inclui os sem vítimas, os com feridos e aqueles com mortes), no Amapá o custo médio foi de R$ 100 mil – mais do que o dobro do registrado pelos gaúchos. Em outro exemplo, no Rio de Janeiro o prejuízo foi de R$ 52 mil, mas no Maranhão chegou a R$ 89 mil.
Um dos autores da pesquisa do Ipea, o engenheiro civil e mestre em engenharia de transportes Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho explica a lógica dessas informações. Ele ressalta que Estados mais pobres têm estradas mais precárias, veículos mais antigos e menos cuidados, dificuldades de atendimento a acidentados e hospitais com menos recursos.
– Tudo isso, somado, só pode resultar em prejuízos maiores para a economia local, quando ocorre um acidente. E ainda maiores para a família do acidentado, já que os vencimentos médios nesses locais são menores do que nos Estados mais ricos – resume Carvalho.
sexta-feira, 2 de março de 2012
MORTANDADE AMPLIADA
RS reconta vítimas do trânsito. Nova metodologia inclui nas estatísticas mais de 2 mil pessoas entre as que perderam a vida em vias gaúchas de 2007 a 2011 - LÉO GERCHMANN, ZERO HORA 02/03/2012
A sensação de carnificina que já existe nas vias do Rio Grande do Sul se justifica ainda mais agora, com a adoção, por parte do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), de uma nova metodologia para definir quem e quantos são os mortos em acidentes automobilísticos. A conclusão a que chegam as autoridades gaúchas, com a nova forma de apuração, é impactante: de 2007 a 2011, não são 7.294 vítimas nas conturbadas estradas, ruas e avenidas gaúchas como constatado anteriormente. São 9.708 – um aumento de 33% nas estatísticas.
Em termos brutos, esses números significam 2.414 novos nomes nos índices da mortandade que diariamente os gaúchos acompanham, e o Detran se diz imbuído em reduzir radicalmente.
Como principal novidade do método adotado pelas autoridades de trânsito, há o acompanhamento do ferido em acidente e sua inclusão nas estatísticas caso ele morra até 30 dias após o desastre – e não apenas no momento em que se acidenta, como era até agora.
Segundo Detran, método é adotado por outros países
Somam-se a esse, outros dois pilares: a morte no local do acidente e o cruzamento de informações para identificar o real motivo de alguma morte. Muitas vezes, a ocorrência policial relata apenas, por exemplo, que a pessoa sofreu um traumatismo craniano. Esse traumatismo pode ser resultante de um acidente automobilístico, e isso será investigado.
– Esse novo método terá muita importância no futuro, para nossas campanhas educativas e políticas públicas. Com dados mais precisos, é possível desenvolver políticas de trânsito mais adequadas. Essa metodologia é adotada em países que já tinham grandes progressos na redução de acidentes. É um avanço para o Estado – diz o presidente do Detran, Alessandro Barcellos.
A manifestação de Barcellos é corroborada pelo vice-governador, Beto Grill, responsável pelo Comitê de Mobilização pela Segurança no Trânsito.
– Fomos buscar conhecimento. Não estávamos completamente perdidos, mas tínhamos de aprimorar muitas coisas. Precisamos ter foco, trabalhar com ações objetivas. Informação é fundamental para o conjunto de ações que precisamos tomar.
PÁGINA 10 | ROSANE DE OLIVEIRA. Os 142 que não morreram
Comparadas às 2.025 mortes em acidentes de trânsito ocorridas em 2011 no Rio Grande do Sul, pode parecer absurdo celebrar as 142 vidas salvas em 12 meses, mas quando se pensa que um desses poderia ser um de nós ou dos nossos parentes, a estatística ganha outro sentido. Como saber quem poderia ter morrido em um acidente provocado por um motorista bêbado e se salvou graças às blitze da Balada Segura, às campanhas de conscientização ou ao trabalho de instituições como a Fundação Thiago Gonzaga?
Esse número de 142 é a diferença entre o número de vítimas fatais do trânsito em 2010 e os mortos de 2011. São 6,6% a menos, um índice duas vezes superior à meta anual da campanha da ONU que pretende reduzir em 50% as mortes no trânsito em uma década. Ainda vivemos uma carnificina nas ruas e estradas do Rio Grande do Sul, mas é preciso comemorar cada vida salva.
A comparação de um ano para outro mostra que foram poupados 96 jovens na faixa de 18 a 29 anos, apesar do aumento da frota de carros e motos. A redução das mortes nessa faixa etária teve uma redução de 14%, sinal de que é possível ter esperança e de que as medidas para coibir a embriaguez ao volante começam a produzir resultados.
Os dados apresentados ontem pelo vice-governador Beto Grill e pelo presidente do Detran, Alessandro Barcellos, são mais fiéis do que os dados historicamente divulgados pelo Detran. Ocorre que, com a mudança de metodologia na contagem das vítimas, agora a estatística contempla não apenas os que perderam a vida no local do acidente, mas também os que morreram nos hospitais nos 30 dias posteriores. Com dados mais precisos sobre o total e o perfil das vítimas, fica mais fácil planejar campanhas de prevenção.
O Detran recuou no tempo e atualizou as estatísticas de 2007 para cá, conferindo em cada ocorrência de trânsito se os feridos levados para os hospitais morreram nos 30 dias posteriores aos acidentes. O resultado mostrou o quanto o sistema usado historicamente era falho: na verdade, o trânsito matou, em média, 33% mais do que indicavam as estatísticas.
Menos mortes em 2011
O presidente do Detran, Alessandro Barcellos, festejou conquistas que, segundo ele, já são fruto do trabalho educativo e preventivo, especialmente o Balada Segura e o Viagem Segura (de controle nas rodovias). O Estado reverteu uma tendência nos índices dos acidentes nos últimos anos. Depois de seis anos de crescimento constante, 2011 registrou redução de 6,6% no número de mortes e de 5,8% no de acidentes com mortes em relação a 2010. Foram 2.025 mortes e 1.819 acidentes com mortes no ano passado contra 2.167 vítimas e 1.932 acidentes em 2010.
– O resultado disso é que poupamos 142 vítimas – comemora o presidente do Detran.
Caso seja mantida a tendência de queda, o Estado poderá ultrapassar a meta estabelecida pela ONU para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito: reduzir em 50% as vítimas no trânsito até 2020. Para alcançar essa meta, a redução média anual no Estado deve ser de 3,3%, chegando a 1.562 mortes a menos em 2020.
Outro dado relevante, que também mostra uma tendência de redução das mortes em acidentes de trânsito: em janeiro deste ano, na comparação com janeiro de 2011, houve uma redução de 23,5% no número de mortes. Em relação a janeiro de 2010, a queda é de 24,3%.
O perfil. Confira dados sobre acidentes e vítimas do trânsito em 2011:
- Ainda a faixa com maior participação nas mortes no trânsito (31%), jovens de 18 a 29 anos morreram 14% menos.
- Em 2011 foi registrado um aumento das vítimas entre 50 e 54 anos (22%). Nas faixas extremas, a maioria das mortes foi por atropelamento (41% tinham até 14 anos). Com mais de 60 anos, 44% eram pedestres.
- Vinte dos 495 motociclistas mortos no trânsito conduziam uma motocicleta antes da idade mínima.
- Houve 128 mortes de ciclistas, 6% do total.
- Os caminhões são 5% da frota gaúcha, mas estão envolvidos em 18% dos acidentes.
- Os acidentes acontecem mais nos fins se semana (40%) e à noite (36%).
- Em 2011, 60% dos acidentes com mortes ocorreram nas rodovias (26% nas federais e 34% nas estaduais).
- Eram homens 80% dos mortos em acidentes.
O que muda
1. O Detran-RS adotará a metodologia recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para levantamento, controle e análise das estatísticas de trânsito.
2. A principal inovação é o acompanhamento das vítimas até 30 dias após o acidente, cruzando as informações dos feridos em acidentes de trânsito com registros posteriores de óbitos.
3. Até então, somente as mortes no local do acidente registradas como homicídio culposo na direção de veículo automotor eram contabilizadas.
4. Ficavam de fora tanto as lesões corporais seguidas de morte quanto aqueles que eram cadastrados com classificação diferente.
5. Não haverá um aumento na equipe para proporcionar esse trabalho, mas o Detran está aprimorando sua informatização e pretende formar um banco de dados.
6. O objetivo é que a adoção dessa nova metodologia permita uma visão mais realista do cenário dos acidentes fatais no Estado. Em média, 33% dos mortos ficavam de fora das estatísticas.
7. Até o momento, o levantamento foi feito retroativamente até 2007. O trabalho é manual, ocorrência por ocorrência, e envolve uma equipe de quatro pessoas trabalhando nesse levantamento.
8. O Detran estuda métodos para levantamentos mais detalhados de informações qualitativas dos acidentes. Cruzados, os fatores humano, referentes ao estado do veículo e do ambiente, podem mostrar causas e tendências.
CONDUTOR EMBRIAGADO = ACIDENTE, DOIS MORTOS E DOIS FERIDOS
Foto: Altamir Oliveira

BEBIDA E DIREÇÃO. Colisão após balada mata duas mulheres. Condutor foi preso em flagrante após bafômetro acusar álcool no sangue - GUILHERME A. Z. PULITA | GARIBALDI, ZERO HORA 02/03/2012 | 08h31
A combinação de álcool e direção é, de acordo com a Polícia Civil, a causa da colisão entre um Ka e um caminhão que matou duas jovens no final da madrugada de ontem, na rodovia Garibaldi-Bento Gonçalves (RSC-470), em Garibaldi, na serra gaúcha. As duas vítimas e outros dois jovens teriam passado a madrugada em uma casa noturna da cidade ingerindo bebidas alcoólicas e retornavam para casa no momento do acidente.
O motorista do carro, Alexander Giuriatti da Silva, 20 anos, foi autuado em flagrante depois de ser submetido ao teste do bafômetro, que acusou a presença de álcool no organismo.
Agentes da Polícia Civil de Garibaldi tentam reconstruir os passos de Scheila Picinini, 24 anos, Beatriz Marchetto, 26 anos, Alexander e Douglas Stein Machado, 20 anos, depois de eles deixarem o Bar do Joe, na área central de Garibaldi.
Jovens teriam pedido carona a rapazes
De acordo com o delegado Clóvis Rodrigues de Souza, em depoimento, Douglas revelou ter sido procurado por Scheila para dar uma carona para ela e Beatriz até Bento Gonçalves. A Douglas, a jovem teria dito que a motorista com quem elas estavam teria ingerido bebida alcóolica. O rapaz confirmou à polícia ter consumido cerveja, mas não soube dizer a quantidade. Ele também afirmou que Alexander teria bebido.
– Eles saíram da casa noturna com o carro de Alexander e seguiram em direção a Bento. Pouco depois do Posto do Avião, na RSC-470, o Ka em que eles estavam perdeu o controle e invadiu a pista contrária – declarou o delegado.
Segundo o policial, é possível que o Ka tenha atingido o caminhão depois de rodar na pista. Beatriz e Scheila morreram no acidente. Alexander e Douglas foram levados ao hospital, medicados e liberados. Após sair do hospital, Alexander foi encaminhado à delegacia e submetido ao teste do bafômetro. O teste acusou a presença de 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões (com mais de 0,33 mg, o condutor é enquadrado em crime de trânsito).
Em depoimento, o rapaz se reservou ao direito de permanecer calado e foi encaminhado ao Presídio de Bento Gonçalves. Beatriz, mãe de duas meninas e moradora da Linha Sertorina, em Farroupilha, estava desempregada. Scheila trabalhava em um jornal de Bento.

BEBIDA E DIREÇÃO. Colisão após balada mata duas mulheres. Condutor foi preso em flagrante após bafômetro acusar álcool no sangue - GUILHERME A. Z. PULITA | GARIBALDI, ZERO HORA 02/03/2012 | 08h31
A combinação de álcool e direção é, de acordo com a Polícia Civil, a causa da colisão entre um Ka e um caminhão que matou duas jovens no final da madrugada de ontem, na rodovia Garibaldi-Bento Gonçalves (RSC-470), em Garibaldi, na serra gaúcha. As duas vítimas e outros dois jovens teriam passado a madrugada em uma casa noturna da cidade ingerindo bebidas alcoólicas e retornavam para casa no momento do acidente.
O motorista do carro, Alexander Giuriatti da Silva, 20 anos, foi autuado em flagrante depois de ser submetido ao teste do bafômetro, que acusou a presença de álcool no organismo.
Agentes da Polícia Civil de Garibaldi tentam reconstruir os passos de Scheila Picinini, 24 anos, Beatriz Marchetto, 26 anos, Alexander e Douglas Stein Machado, 20 anos, depois de eles deixarem o Bar do Joe, na área central de Garibaldi.
Jovens teriam pedido carona a rapazes
De acordo com o delegado Clóvis Rodrigues de Souza, em depoimento, Douglas revelou ter sido procurado por Scheila para dar uma carona para ela e Beatriz até Bento Gonçalves. A Douglas, a jovem teria dito que a motorista com quem elas estavam teria ingerido bebida alcóolica. O rapaz confirmou à polícia ter consumido cerveja, mas não soube dizer a quantidade. Ele também afirmou que Alexander teria bebido.
– Eles saíram da casa noturna com o carro de Alexander e seguiram em direção a Bento. Pouco depois do Posto do Avião, na RSC-470, o Ka em que eles estavam perdeu o controle e invadiu a pista contrária – declarou o delegado.
Segundo o policial, é possível que o Ka tenha atingido o caminhão depois de rodar na pista. Beatriz e Scheila morreram no acidente. Alexander e Douglas foram levados ao hospital, medicados e liberados. Após sair do hospital, Alexander foi encaminhado à delegacia e submetido ao teste do bafômetro. O teste acusou a presença de 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões (com mais de 0,33 mg, o condutor é enquadrado em crime de trânsito).
Em depoimento, o rapaz se reservou ao direito de permanecer calado e foi encaminhado ao Presídio de Bento Gonçalves. Beatriz, mãe de duas meninas e moradora da Linha Sertorina, em Farroupilha, estava desempregada. Scheila trabalhava em um jornal de Bento.
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