terça-feira, 17 de dezembro de 2013

COMPORTAMENTO DE RISCO


ZERO HORA 17 de dezembro de 2013 | N° 17647

EDITORIAIS




O aumento no número de detenções de motoristas embriagados nas estradas gaúchas, resultante da maior ação policial depois do respaldo da nova Lei Seca, evidencia a necessidade de uma mudança cultural. Já não basta apenas que a legislação rigorosa iniba os infratores. É essencial, também, que a sociedade se envolva no controle dos irresponsáveis uma vez que eles representam real perigo para todos.

Os pilares fundamentais para o trânsito seguro, de acordo com os especialistas, são a legislação, a educação e a fiscalização, desdobrando-se este último também na punição dos responsáveis por infrações. Leis não faltam. A vigilância tem aumentado na medida em que os policiais ganham respaldo legal para agir. O que ainda falta é a conscientização, indispensável para a formação de uma cultura coletiva de prevenção de acidentes.

E cada cidadão, sendo motorista ou não, tem alguma contribuição a dar neste aspecto. Basta se manter vigilante e argumentar com parentes, amigos e conhecidos para que não assumam comportamento de risco. E, em casos de real perigo, comunicar imediatamente às autoridades para que interfiram. Beber e dirigir não é apenas um delito de trânsito: é um atentado contra toda a sociedade. As punições certamente contribuem para a redução de tais comportamentos, mas a rejeição de amigos e parentes pode ter um poder de convencimento maior até mesmo porque a penalização costuma ocorrer depois da infração cometida. Já o conselho, o questionamento e a reprimenda são preventivos. E sempre é melhor evitar a tragédia do que punir os responsáveis.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

FINAL DE SEMANA VIOLENTO NO RS

ZERO HORA 16/12/2013 | 14h27

Final de semana registra 17 mortes nas estradas gaúchas. Foram quatro mortes na sexta-feira, nove no sábado e mais quatro no domingo


Estado registou 17 mortes em rodovias nesse final de semanaFoto: PRF / Divulgação
O final de semana foi marcado pela violência no trânsito. De sexta-feira a domingo, foram 17 mortes registradas nas rodovias gaúchas – quatro na sexta-feira, nove no sábado e quatro no domingo.

SEXTA-FEIRA:

Faxinal do Soturno: Cleber Alves da Silva, de 36 anos, capotou o carro na ERS-149 por volta das 14h30min. Chovia bastante e é provável que Cleber tenha perdido o controle do carro. A vítima morreu no local.


Luciano Alves/Agência RBS
Foto: Carro capotou após motorista perder o controle

Farroupilha: uma pessoa morreu na colisão entre um carro e um caminhão por volta das 20h10min no km 43 e 44 da ERS-122, em Farroupilha – trecho conhecido como Curva da Morte. A vítima estava no carro. Outras duas pessoas ficaram feridas.

Santa Maria: um homem morreu e uma criança ficou ferida em um acidente envolvendo um caminhão e uma carroça. A colisão aconteceu por volta das 17h20min na BR-392, próximo à Estação Minuano. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a carroça teria tentado cruzar a rodovia, quando foi atingida pelo caminhão. A vítima dirigia a carroça.


Ronald Mendes/Agência RBS
Foto: Homem morreu e adolescente ficou ferido na colisão

Cidreira: por volta das 16h30min uma colisão entre uma motocicleta e um caminhão no km 6 da ERS-784 resultou na morte do condutor da moto. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o motorista do caminhão – que não possuía carteira de habilitação – fugiu, mas foi pego em seguida.

SÁBADO:

Arroio do Meio: Tercilla Cristofoli, 66 anos, morreu em um acidente no km 84 da RS-130. A vítima era passageira de um Fiat que saiu da rodovia e colidiu em uma árvore. O motorista, marido da vítima, foi encaminhado para o hospital da cidade.

Sarandi: Renato Willian da Rosa Silva, 22 anos, e Sergio Luiz Silveira , 33 anos morreram após o carro em que se encontravam sair da pista no km 340 da BR-386i. De acordo com testemunhas, depois de uma ultrapassagem o motorista perdeu o controle do veículo. O carro partiu-se ao meio.

Multerno: na manhã de sábado, uma colisão frontal entre um Gol e um caminhão no km 232 da BR-285, resultou na morte de Jorge Luiz Roberto Fortunato, 20 anos. A vítima morreu no local e o passageiro ficou ferido.

Picada Café: a colisão frontal entre um caminhão e duas motos deixou dois mortos no início da tarde, no km 202 da BR-116. Os condutores das motos, gravemente feridos, foram encaminhados para o hospital de Nova Petrópolis, mas não resistiram. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, Rafael Lopes Fernandes, 37 anos, e Luiz Felipe da Silva, 30 teriam invadido a pista contrária.


Anderson Fetter/Agência RBS
Foto: As duas motos teriam invadido a pista contrária, colidindo no caminhão


Osório: um homem morreu carbonizado dentro da carreta que dirigia, n0 km 5 da RS-101. Segundo o Grupo Rodoviária da Brigada Militar de Tramandaí, o motorista teria perdido o controle e saído da pista. Valdir dos Santos, 53 anos, ficou preso na carreta, que incendiou.

Glórinha: uma pessoa morreu e outra ficou ferida após um Peugeot perder o controle por volta das 20h no km 55 da BR-290. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o condutor teria perdido o controle do veículo, saído da posta e capotado. A vítima foi jogado para fora do carro.

Dilermando de Aguiar: acidente no km 372 da BR-158 deixou Claudio Weiss, 50 anos, morto e outras quatro pessoas feridas. Por volta das 22h o veículo saiu da pista. Os feridos foram encaminhados para o Hospital de Santa Maria.

DOMINGO:

Sete de Setembro: duas pessoas morreram e três ficaram feridas depois que uma caminhonete F-1000 colidiu na lateral de um Celta, no km 632,1 da BR-392. O motorista do Celta, Jair Lautert, 70 anos, e a passageira Maria Aldir da Silva Santos, 47 anos, morreram no local.


PRF/Divulgação
Foto: A caminhonete colidiu na lateral do Celta

Taquara: com a queda de um Celta em um rio, na localidade de Lar Padilha, interior do município, Cássio de Oliveira, de 19 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar em Hospital Bom Jesus. Outras duas pessoas ficaram feridas.

Itaara: uma colisão frontal entre um carro e um caminhão resultou na morte de Wilson Sauer, 58 anos. O carro que a vítima conduzia invadiu a pista contrária. Nenhum dos 14 passageiros do ônibus sofreu ferimentos.

DESPREZO PELO CONSUMIDOR


O Estado de S.Paulo 16 de dezembro de 2013 | 2h 06


OPINIÃO


Entre assegurar ao usuário de automóveis a proteção oferecida por itens cuja instalação obrigatória foi prevista há vários anos e ganhar uma folga mínima na luta que não vem conseguindo vencer contra a inflação, o governo não teve dúvidas. Mesmo à custa da segurança das pessoas, escolheu a segunda hipótese.

Ao anunciar que o governo pretende adiar por um ou dois anos a vigência da norma que obriga a instalação de airbags e freios ABS em todos os veículos fabricados no País, que entraria em vigor no início de 2014, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou que a decisão evitaria o aumento dos preços de diversos modelos, o que ajudaria no combate à inflação. Como se sabe, a inflação mantém-se há anos bem acima de 4,5%, que é a meta perseguida pela política do Banco Central.

Não há, ainda, uma decisão oficial sobre como será o adiamento. Depois de anunciar a intenção do governo, Mantega admitiu que poderão ser fixados índices intermediários de utilização dos dois equipamentos de segurança, como, por exemplo, 80% dos carros fabricados em 2014 e 100% em 2015.

Trata-se de um retrocesso, do ponto de vista do interesse e da segurança do consumidor. A norma que prevê que todos os carros novos nacionais deverão ter airbags e freios ABS a partir de 1.º de janeiro de 2014 foi estabelecida em abril de 2009 pelo Contran. Houve tempo para que todas as montadoras e todas as fabricantes de autopeças se adaptassem a ela.

Qualquer que venha a ser a decisão, até mesmo com a preservação dos prazos já conhecidos, o fato de o ministro da Fazenda ter reaberto uma questão vital para os consumidores - e que, para todos os interessados, inclusive os fabricantes, já estava decidida - mostra que, se for em seu próprio benefício, o governo do PT não hesita em admitir a quebra de regras.

O governo não se dispôs a conter suas despesas de custeio para reduzir as pressões inflacionárias, não conseguiu estimular os investimentos e a atividade econômica como prometera e, sobretudo, não restabeleceu a credibilidade de sua política fiscal cada vez mais desacreditada, mas, mesmo assim, continua a lançar mão de artifícios, como esse.

Há, é claro, interessados nesse artifício. Dos sete modelos cuja produção deveria ser interrompida a partir de 2014 por não atenderem à exigência do Contram, seis são fabricados por quatro montadoras que operam no País há mais tempo. Dessas, três iniciaram suas atividades na região do ABC, onde continua atuante o mesmo movimento sindical do qual foi líder o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. Não é mera coincidência o fato de o ministro da Fazenda ter reaberto a questão poucas semanas depois de um dirigente sindical do ABC ter pedido à presidente Dilma Rousseff o adiamento da vigência da norma do Contran, sob a alegação de que a suspensão da fabricação de alguns modelos provocaria a demissão de 4 mil trabalhadores da região.

O argumento pode ser falacioso. A maior fabricante do ABC já tem preparado o lançamento de um novo modelo cuja fabricação poderá absorver o pessoal que trabalhava na produção dos modelos que deixarão de ser fabricados. Mas o adiamento preservará a margem de lucros das montadoras mais antigas, que já é muito mais alta do que a registrada no exterior.

Já o consumidor brasileiro, caso o adiamento se confirme, terá de conviver um pouco mais com veículos pouco seguros e que, numa reportagem feita em maio deste ano por uma agência internacional de notícias, foram chamados de "mortais". Houve, reconheça-se, algum avanço na qualidade dos veículos nacionais com relação à segurança. Pela primeira vez, um carro fabricado no Brasil recebeu a classificação máxima de segurança em colisões em teste realizado em novembro pelo Programa de Avaliação de Carros Novos da América Latina (Latin NCap). Mas, dos 26 modelos avaliados, 11 foram considerados inseguros pela classificação internacional.

Só por meio de normas mais rigorosas as montadoras instaladas no Brasil adotarão aqui os padrões que, por lei, elas são obrigadas a adotar em seus países de origem.

COMPORTAMENTO AINDA É UM DESAFIO


ZERO HORA 16 de dezembro de 2013 | N° 17646


LEI SECA, UM ANO DE MAIS RIGOR



A ampla divulgação das mudanças e dos procedimentos a que motoristas podem ser submetidos fez com que muitos temessem a punição e, com isso, alterassem alguns costumes no trânsito ao longo deste ano. Para o juiz aposentado e advogado de causas no trânsito Nei Pires Mitidiero, o rigor inibiu que muitas pessoas continuassem ingerindo álcool antes de pegar o volante:

– As pessoas pensam três vezes antes de beber, porque sabem que podem parar na delegacia, arcar com fiança e um processo criminal.

No entanto, a conscientização, especialmente entre os mais novos, ainda não atingiu o nível necessário, acredita o sociólogo e especialista em educação e segurança no trânsito, Eduardo Biavati. Para ele, a fiscalização é fundamental no processo de mudança do comportamento:

– A nova lei deu mais ferramentas e mais poder, mas ainda estamos esperando uma expansão da fiscalização para dar mais resultado. Queria ouvir jovens dizendo “não vou nem arriscar”, mas eles sabem que é muito difícil ser pego em blitz, é uma questão de dar o “azar” de encontrar uma.

Para o comandante do Comando Rodoviário da Brigada Militar, coronel Fernando Alberto Grillo Moreira, a nova legislação facilitou o enquadramento de condutores, mas a mudança de comportamento é parcial:

– Em alguns locais e horários, percebemos que há um maior cuidado dos motoristas. Mas em outras situações percebemos que as pessoas ainda bebem e dirigem.

NOVA LEI SECA ELEVA PRISÕES NO TRÂNSITO

ZERO HORA 16 de dezembro de 2013 | N° 17646


LETÍCIA COSTA E MARCELO GONZATTO


UM ANO DE MAIS RIGOR


Entre janeiro e novembro deste ano, 1,8 mil motoristas foram detidos por embriaguez nas estradas estaduais e federais gaúchas. Superior à estatística do mesmo período de 2012, o número coincide com o maior rigor previsto na nova Lei Seca, que estimulou as abordagens policiais e facilitou o caminho dos condutores rumo às delegacias.

Prestes a completar um ano, a nova Lei Seca aumentou o cerco aos motoristas embriagados e elevou o número de autuações e prisões no Estado. Mas a mudança de comportamento esbarra na conscientização dos condutores sobre o perigo da mistura álcool e direção.

Apenas nas rodovias estaduais e federais gaúchas, o impacto da mudança na lei favoreceu o acréscimo de quase um terço no número de motoristas presos. De janeiro a novembro de 2012, houve 1,3 mil detenções devido à embriaguez nas estradas – vias de alto risco para acidentes graves. Este ano, no mesmo período, os policiais rodoviários conduziram 1,8 mil motoristas às delegacias.

As vias federais registraram 12% mais autuações (quando a quantidade de álcool fica abaixo do limite para ser considerado crime) e 21% mais prisões – quando atinge esse limite (quadro ao lado). Parte disso se deve a um grande avanço no número de abordagens, que triplicaram e chegaram a 97 mil. Nas estradas estaduais, houve queda no número de multas (-28%), mas também aumentou consideravelmente o número de detenções, com um acréscimo de 38%.

O superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado, Jerry Adriane Dias Rodrigues, afirma que o maior rigor trazido pela mudança na lei estimulou os policiais a abordar mais condutores e facilitou a condução dos motoristas com sinais de embriaguez – mesmo sem realizar o teste do bafômetro – às delegacias.

Testemunho facilita detenção

O problema é que a punição depende da interpretação dos delegados. Em alguns casos, o testemunho do policial é considerado suficiente para manter o suspeito preso. Em outros, ele é solto se não houver mais provas.

– Preocupa que um mesmo caso será enquadrado (como crime) em um lugar e, em outro, não. Nossa ideia é de que deveria haver um tratamento isonômico para que a lei tenha mais força, e o condutor saiba que terá o mesmo tratamento se beber e dirigir. Mas respeitamos o entendimento dos delegados – diz Rodrigues.

Titular da Delegacia de Lesões Corporais de Trânsito, Daniela Duarte comenta que não há uma orientação geral. É preciso analisar caso a caso.

– Depende sempre do caso concreto, se tem provas ou outros indicativos, como acidente. Os delegados têm autonomia para decidir sobre a autuação em flagrante, mas é um crime suscetível ao pagamento de fiança e, via de regra, é o que ocorre – explica.

Incluída há um ano, a admissão do testemunho do policial como prova de embriaguez facilita a prisão, mas, segundo o chefe da comunicação social da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado, Alessandro Castro, nem sempre é considerado suficiente:

– Para a punição administrativa, o testemunho serve. Mas alguns delegados exigem outras provas para confirmar a prisão, como outras testemunhas, ou prova em vídeo.

Neste sentido, a PRF discute dotar policiais de celulares capazes de filmar, por exemplo. A apresentação de vídeos pelos agentes ainda é tímida, conforme a delegada Daniela. O mais comum é chegarem com um documento por escrito com os sintomas aparentes na pessoa. Por isso, delegados da Capital costumam encaminhar o motorista detido para um exame clínico feito por profissionais do Departamento Médico Legal (DML).


RELEMBRE O QUE MUDOU

Em 20 de dezembro do ano passado, a presidente Dilma Rousseff sancionou a nova lei. Veja os principais pontos

PROVAS - Nas blitze, os agentes de trânsito e policiais ganharam mais chances de comprovar que o motorista dirige sob efeito de álcool. O testemunho de policiais e de terceiros, a gravação de vídeos e testes clínicos também passaram a valer na prisão de condutores.

CONTRAPROVA - Se o condutor autuado por embriaguez se sentir injustiçado com a avaliação do agente de trânsito durante a blitz, pode voltar atrás e se submeter ao teste de bafômetro.

MULTAS - A nova lei aumentou o valor a ser pago por dirigir alcoolizado. O condutor autuado passou a desembolsar R$ 1.915,40, o dobro da multa anterior (R$ 957,70). Em caso de reincidência em período de 12 meses, o valor tem acréscimo de 100%: R$ 3.830,80.

É CRIME DE TRÂNSITO - Quando o motorista apresenta dosagem acima de 0,33 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões ao soprar o bafômetro ou tem concentração de álcool por litro de sangue igual ou maior a 6 decigramas.



sábado, 14 de dezembro de 2013

A VIDA É A PRIORIDADE

Editorial14
ZERO HORA 14 de dezembro de 2013 | N° 17644


EDITORIAIS




É difícil de entender a hesitação do ministro Guido Mantega em relação à entrada em vigor da exigência de airbag e freios ABS nos veículos novos fabricados no país. O governo teme que a obrigatoriedade dos equipamentos, somada à retomada do Imposto sobre Produtos Industrializados, possa provocar aumento de preços nos automóveis, mexer com a inflação, provocar desemprego e isso ninguém admite oficialmente causar prejuí-zos eleitorais aos atuais ocupantes do poder. Por isso, e também por pressão de fabricantes e metalúrgicos, o ministro da Fazenda admite adiar a medida para 2016.

Do ponto de vista da segurança, é um verdadeiro absurdo, especialmente num país que contabiliza 50 mil mortes por ano no trânsito. Quantas vidas mais serão perdidas nos dois anos de tolerância pretendidos para a instalação dos equipamentos protetores? Ora, o cinto de segurança e a cadeirinha para crianças também elevaram o custo dos veículos para os usuários – mas as vidas salvas desde que foram adotados não têm preço.

Questões de natureza econômica ou política não podem prevalecer sobre a proteção de seres humanos. Médicos e especialistas em segurança do trânsito dizem que airbags evitam contusões torácicas graves na maioria das colisões. Em países desenvolvidos, o equipamento já é obrigatório há vários anos. No Brasil, estabeleceu-se um cronograma para a obrigatoriedade: 8% dos veículos novos em 2010, 60% até 2012 e 100% a partir de 1º de janeiro de 2014. Agora, o governo planeja o descumprimento da própria decisão.

Ainda há tempo, porém, para uma reconsideração. Este é um daqueles casos que merecem mobilização da sociedade e manifestação pelas redes sociais, pois a implantação dos equipamentos de segurança nos veículos não interessa apenas aos fabricantes e aos trabalhadores da indústria automobilística. Interessa a todos. Se o airbag protege essencialmente condutores e passageiros, o freio ABS aumenta a segurança dos tripulantes e também dos pedestres, pois impede o veículo de derrapagem no momento de uma parada brusca. Não há por que perder mais tempo neste aperfeiçoamento dos carros fabricados no Brasil.

Uma vida vale muito – e, por isso, itens de segurança comprovadamente eficazes não podem ser negociados como opcionais. Já estamos atrasados na implantação desta medida. E o governo não pode ter dúvida de que o seu adiamento por motivações eleitorais acabará resultando em prejuízo maior para a sua imagem, até mesmo porque o retrocesso tende a ser lembrado cada vez que ocorrer um acidente grave nas estradas do país.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

MP E GRUPO RBS SE ENGAJAM EM CAMPANHA PELA VIDA


ZERO HORA 10 de dezembro de 2013 | N° 17640


UNIÃO DE ESFORÇOS. Por menos acidentes e mais valorização da vida


Em parceria com o Ministério Público Estadual, veículos do Grupo RBS se engajam em campanha que tem como objetivo a prevenção de acidentes de todo tipo e a criação de uma cultura de responsabilidade.

Há como reduzir as epidemias de acidentes em geral, uma das maiores causas de mortes no planeta?

Fatos recentes mostram que é possível diminuir ocorrências como afogamentos, incêndios, tragédias no trânsito e outros tipos de acidentes fatais. Na última década, por exemplo, quase todos os 30 países que compõem a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, formada por nações que apresentam elevados níveis de desenvolvimento e renda) vivenciaram acentuada redução no número de mortes no trânsito. Nos Estados Unidos, a queda foi de 23%. Na Alemanha, de 47%. Na Espanha, de 64%. Na França, de 51%. E em Portugal, 53% – para ficar em alguns exemplos. A exceção foi o Brasil, que teve crescimento de 49% nesse tipo de mortalidade.

Como interromper essa verdadeira chacina? Aliás, como diminuir a incidência de qualquer tipo de acidente, não apenas os de trânsito?

Alternativas serão propostas a partir de hoje pelos veículos da RBS no Rio Grande do Sul, que se integram a uma grande mobilização para prevenir acidentes com o lançamento da campanha Uma Vida Vale Muito. Sobram motivos para a iniciativa. Os brasileiros avançam na contramão das modernas tendências de preservação da vida no planeta, especialmente nas estradas. A taxa de mortes em acidentes de trânsito em nosso país, que em 1980 era de 17 vítimas por 100 mil habitantes/ano, chegou a 22 vítimas por 100 mil habitantes/ano em 2011 (última estatística de alcance nacional). E vem crescendo há uma década.

A campanha da RBS, desenvolvida em conjunto com o Ministério Público Estadual, não foca apenas ações de prevenção no trânsito. O afogamento é a segunda causa de morte, entre os acidentes, de crianças e adolescentes até 14 anos no Brasil. Perde apenas para desastres com veículos. Um estudo embasado em números do Ministério da Saúde e divulgado em 2012 analisou 1.376 mortes por afogamento em todo o país. Dessas, 45% ocorreram em águas naturais (como rios, mares e lagos), 7% em piscinas e outras 6% foram em quedas nesses locais.

O Rio Grande do Sul figura em 21º lugar em afogamentos, entre as 27 unidades da federação. Registra taxa de 2,62 mortes por 100 mil habitantes/ano, enquanto o Amapá, líder no ranking, tem 14,28 mortes por 100 mil habitantes/ano. Entre meninos, talvez pela afoiteza característica, a taxa de afogamento é duas vezes maior que entre meninas.

Uma rápida visita ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre serve para mostrar que acidentes de trânsito são maioria, mas o perigo está em toda parte. De espirais de caderno a botões engolidos por crianças. De quedas de árvore a tropeções em objetos caseiros. Que o diga a professora aposentada Marísia Lopes Porto, 72 anos, moradora de Porto Alegre. Há nove anos ela fritava batatas para uma neta quando bateu no cabo da frigideira. O óleo quente saltou sobre as suas costas, ombro, mão, coxa e pé esquerdos. Uma dor indescritível, recorda. Foram dois meses de tratamento com escovações de pele em carne viva, primeiro contra as severas queimaduras, depois contra uma infecção.

– Ficou a lição, a gente diz uma coisa e faz outra. Todo cuidado é pouco – lamenta Marísia, hoje recobrada do acidente. 

Eduardo de Lima Veiga, Procurador-Geral de Justiça do Estado - "A maioria dos incidentes que chamamos de acidentes seria evitável se tomássemos cautelas mínimas. Eles envolvem uma pessoa que deixou de tomar um cuidado necessário. A segurança deve ser prioridade."


Meta é reduzir número de mortes

Com o lema Uma Vida Vale Muito, o Grupo RBS vai destacar o conteúdo jornalístico que prioriza temas como segurança e redução de mortes. A ação editorial integrada e coordenada entre os veículos do Grupo RBS tem como objetivo conscientizar o público sobre a responsabilidade coletiva de indivíduos e organizações na prevenção de tragédias, improvisos e irresponsabilidades, valorizando a vida.

Um dos direcionamentos da campanha será para motociclistas, as maiores vítimas do trânsito no país. Os ocupantes de motocicletas, que em 1998 representavam só 17,4% das internações hospitalares por acidentes, em 2012 totalizaram mais da metade das internações, 55,5%. O incremento em mortes de motoqueiros foi de 275% em uma década (2000 a 2011), o maior entre os 30 países mais desenvolvidos do planeta.

A campanha da RBS surge para tentar interromper esse tipo de escalada. E não só no trânsito.

– Nosso objetivo final é reduzir o número de mortes por tragédias em geral, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. É inconcebível, por exemplo, que alguém encha um barco com crianças e não haja salva-vidas. Neste casos, quando há um acidente, não se trata de fatalidade, mas de pura irresponsabilidade – define Marcelo Rech, diretor de Jornalismo do Grupo RBS.

O lançamento da campanha no Rio Grande do Sul será no salão nobre da sede da RBS, em Porto Alegre, às 14h30min, com a presença de autoridades. Em Santa Catarina, a campanha começou em novembro. É uma iniciativa conjunta com o Ministério Público Estadual nos dois Estados.

Marcelo rech, Diretor de Jornalismo do Grupo RBS - "A grande maioria das mortes poderia ser evitada se houvesse uma cultura de responsabilidade que colocasse a segurança como prioridade de fato."


“Moto é uma arma para quem não sabe usá-la”

Seis meses de cama. Quinze dias de hospital. Bacia quebrada em quatro partes. Clavícula, ombro e mão esquerda fraturados. Esse foi o saldo do maior tombo que o eletricista Evandro Damião Teixeira, 25 anos, levou na vida. Foi em setembro de 2011. Ele tinha comprado a moto Honda CG 150 havia uma semana. E não andava devagar.

– Desci a Avenida Oscar Pereira (em Porto Alegre) a uns 80 km/h, quando um Uno se atravessou na pista, perto da entrada do hospital Divina Providência. Não tive como desviar, bati na quina do para-brisa e voei uns 30 metros. Acordei no Hospital de Pronto Socorro (HPS) – descreve Evandro.

O motoqueiro acredita que desmaiou de dor. E voltou a desmaiar ao ser atendido, porque os enfermeiros que o ajudaram tiveram de fazer uma redução na fratura, mexendo com os ossos quebrados. Evandro diz que até hoje sente dor na bacia, passados mais de dois anos.

Sofreu tanto que desistiu da moto. Evandro vendeu o veículo quatro meses após sair do hospital e comprou um carro. De lição, leva a de não abusar da velocidade e buscar algo com mais proteção.

– Moto é uma arma para quem não sabe usá-la – define.



COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabéns ao MP e ao Grupo RBS pela iniciativa na preservação da essência do ser humano e de maior prioridade na supremacia do interesse público que é a VIDA DAS PESSOAS. Esta ideia poderia propagar-se além dos trânsito, defesa civil e domicílio, direcionando seus esforços e enganamento também para a saúde e segurança pública onde a vida das pessoas está sendo tratada com descaso, leniência, negligência, despreparo, descontrole, burocracia, corporativismo, inoperância, ineficiência e permissividade dos poderes e das leis brasileiras.