quinta-feira, 30 de junho de 2011

MOTOCICLISTAS - 15O PERDERAM A VIDA EM SEIS MESES NO RS


Em seis meses, mais de 150 motociclistas morreram em acidentes nas estradas gaúchas. Média é de 25 mortes por mês. Janeiro e março foram os meses mais violentos - zero hora, 30/06/2011 | 12h56min

Mais de 150 motociclistas morreram em acidentes nas estradas gaúchas desde o início do ano, segundo o levantamento realizado por Zerohora.com e Rádio Gaúcha. O número representa uma média de 25 mortes por mês.

O acidente mais recente ocorreu na manhã desta quinta-feira, em Porto Alegre. Uma colisão envolvendo duas motos e um caminhão vitimou Diego Barbosa de Mendonça, 26 anos, condutor de uma das motocicletas.

Os dois meses com maior número de motociclistas mortos foram janeiro e março. Foi quase uma vítima por dia nas estradas gaúchas. O levantamento aponta 30 acidentes com morte nos meses de janeiro e março. Em um deles, ocorrido em Lagoa dos Três Cantos, no norte do Estado, além do condutor da motocicleta, morreu também o passageiro.

Confira a abaixo o número de acidentes com morte ernvolvendo motociclistas nos seis primeiros meses de 2011:

Janeiro: 30 acidentes / 30 mortes
Fevereiro: 21 acidentes / 21 mortes
Março: 30 acidentes / 31 mortes
Abril: 27 acidentes / 27 mortes
Maio: 37 acidentes / 27 mortes
Junho: 18 acidentes / 18 mortes*

TOTAL: 153 ocorrências com morte e 154 vítimas fatais - até as 12h do dia 30 de junho

terça-feira, 28 de junho de 2011

ASSALTO EM SINAL DE TRÂNSITO

PARA ESCAPAR. Assalto em sinal de trânsito: leitores dizem como se previnem - 09/10/2007 às 17h31m; O Globo Online

RIO - Depois de mais um episódio de violência no sinal de trânsito (uma aposentada de 76 anos morreu na Avenida Pastor Martin Luther King Jr, assassinada por assaltantes), O GLOBO ONLINE perguntou aos leitores que cuidados tomam para correr menos risco de assalto ao volante. Dicas não faltam de quem vive o dia-a-dia do perigo. Confira os dez mandamentos e leia também o que recomendam os especialistas :

1) Pé na embreagem e no acelerador: Roberto Lopes recomenda parar o carro no meio da pista com razoável distância para o veículo da frente. E ensina: "Manter o pé na embreagem e, de leve, no acelerador. Abriu o sinal, é sair de imediato". Marcel Henrique Cintra estuda a posição que o veículo vai ficar e o deixa engrenado. "Colo o máximo que conseguir no carro ao lado, impedindo que moto ou pedestre passe entre os carros. Mantenho espaço para o carro da frente e sempre mantenho o carro engrenado, pronto para uma partida rápida", diz.

2) Avançar o sinal: Esta é a preferida da maioria dos leitores que enviaram respostas. Todos destacam que o recurso vale à noite, com movimento menor nas ruas. E tem que ir devagar, olhando para tudo quanto é lado no cruzamento. Com a palavra, Wagner Guedes: "A instrução aqui em casa é avançar sinais de trânsito cautelosamente. Mais vale pagar uma multa por avanço de sinal do que pagar com a vida". Paulo Melo Caratori diz que a partir das 23h procura não parar em sinais vermelhos. "Tomo todo cuidado para não colocar outras pessoas em risco e, infelizmente, é uma medida que deve ser tomada", ressalta. Isso já lhe custou duas multas de trânsito na Orla de Ipanema. "Acho um absurdo os pardais multarem avanço de sinal após 23h", reclama.

3) Sempre em movimento: Marco Nascimento não chega a furar o sinal vermelho, mas tenta não parar o carro. Como? Ele explica: "Se o sinal amarela, eu já vou parando de onde estiver e vou em marcha de tartaruga até o sinal abrir de novo. A roubada é ficar parado".

4) Olho aberto e para tudo quanto é lado: é Luiz Antonio Ribeiro Silva quem orienta. "Fico atento.Olho fixamente para as pessoas que estão próximas ao sinal". Ele justifica com o argumento de que "bandido gosta do elemento surpresa". O leitor emenda: "Quando você olha, ele sabe que você pode reagir e, na dúvida, prefere outra vítima". Cristiano Souza de Oliveira está sempre de olho vivo no retrovisor. "Se eu notar alguma coisa estranha, sigo em frente", conta.

5) Vidro fechado e nada de objetos de valor: Isildo Almeida se cuida para "nunca exibir objetos de valor, tais como celular, jóias, carteiras, bolsas e cordões de ouro". Ele recomenda também aos demais leitores "deixar os vidros fechados até em cima e manter as portas travadas".

6) Tornar-se um ex-motorista: não é brincadeira não. Muita gente contou que simplesmente desisitiu de dirigir, por causa do medo de assalto. "Decidi vender meu carro, andar a pé, de metrô ou de táxi. Livrei-me dos bandidos, do seguro, das multas, dos flanelinhas oficiais e extra-oficiais, do IPVA, da vistoria do Detran, do aumento dos combustíveis, da despesa de estacionamento, da troca de óleo, da revisão periódica. Enfim, gasto menos e diminuí o stress", relata Eliane Fiuza. Rodrigo Barçal Rodrigues Cechinel tomou a mesma atitude depois de um trauma. "Após ser assaltado seis vezes nos sinais da cidade, em vários bairros, fiquei traumatizado. Não conseguia pegar o volante sem ficar apavorado. A minha triste providência foi vender o carro", narra. Ricardo Kayat é outro sem-carro voluntário. "Ando de metrô, ônibus e táxi. Financeiramente é mais viável e, principalmente, diminui consideravelmente o risco de assalto", comenta.

7) Reagir ou não reagir: os especialistas em segurança advertem que não se deve tentar enfrentar os bandidos. Jorge Luiz Paz Bengochea segue à risca. "É melhor entregar um bem material que posso trocar do que a vida, que nunca mais recuperarei. Bens materiais vão e vêm, mas a vida é uma só", alerta. O leitor Eduardo Henrique Vieira Mello até concorda, embora acabe preferindo o risco. "Já fui assaltado três vezes, sempre na Zona Sul: Lagoa, Leblon e Flamengo. Reagi violentamente em todas, coisa estúpida e não recomendável", reconhece. Ele diz não ser "louco ou desequilibrado" e admite que talvez só por milagre esteja vivo para contar o que passou. "Sou apenas mais um produto do desespero, medo e insegurança com características próprias: eu reajo! É luto ou luta? Você quem decide", desabafa o leitor.

8) Nada de celular: vítima também da violência, Gero Matteo conta que aprendeu a manter janelas fechadas e não usar celular, para não se distrair no sinal. "Quando aconteceu comigo, meu primeiro pensamento foi se eu iria morrer. O pânico é imenso e daí para frente só resta confiar na sorte e na fatalidade", relembra.

9) Evitar os cantos e as pontas: Eliana Maria Sales Dias anda sempre "com um celular e um relógio quebrados" quando está de carro, e R$ 20 para entregar ao ladrão, se necessário. "O resto carrego numa capanga por baixo da blusa (documentos, celular, cartões de crédito)", ela diz. A leitora toma mais cuidados: "Procuro sempre trafegar nas faixas centrais das pistas". Fabio Henrique Oliveira Silva dá outra dica: "Dificilmente fico na primeira fila ou numa das pontas da via durante a noite".

10) Película escura nos vidros: Leandro Mathiello Barros relata que "um dos procedimentos tomados foi fechar os vidros do carro com insulfilm G4, que corresponde a 60% de preto". Ele sabe que fica fora da lei. "É ilegal, mas ficar sem o carro também não é nada legal", rebate, com humor.

VAI VIAJAR - RECOMENDAÇÕES DA POLÍCIA RODOVIÁRIA DA PMESP

RECOMENDAÇÕES: Comunicação Social - BLOG DA PMESP

O Comando de Policiamento Rodoviário recomenda cuidados especiais, dentre os quais é possível destacar:

- o planejamento adequado da viagem, com a definição do itinerário, anotação de telefones de emergência, localização das bases da Polícia e de pontos de apoio para eventuais paradas;

- a revisão das condições gerais do veículo antes de iniciar a viagem, com atenção especial aos equipamentos obrigatórios, sistema de iluminação e sinalização do veículo, combustível e documentação de porte obrigatório;

- o respeito à proibição da ingestão de bebidas alcoólicas ou de outras substâncias que alterem a capacidade de direção do veículo;

- a rigorosa observância das normas e da sinalização de trânsito, especialmente quanto aos limites de velocidade e às ultrapassagens em locais proibidos;

- que não iniciem ou prossigam a viagem cansados ou com sono;

- a utilização dos faróis baixos acesos também durante o dia nas rodovias, prática que promove maior visibilidade aos veículos;

- ao viajar acompanhado por crianças, o condutor deverá atentar para o uso correto dos dispositivos de retenção, conforme previsto na Resolução 277/08 do CONTRAN:

1. As crianças com até um ano de idade deverão utilizar, obrigatoriamente, o dispositivo de retenção denominado “bebê conforto ou conversível”, acondicionado no veículo, em sentido oposto ao da marcha do veículo.

2. As crianças com idade superior a um ano e inferior ou igual a quatro anos deverão utilizar, obrigatoriamente, o dispositivo de retenção denominado “cadeirinha” .

3. As crianças com idade superior a quatro anos e inferior ou igual a sete anos e meio deverão utilizar o dispositivo de retenção denominado “assento de elevação”.

4. As crianças com idade superior a sete anos e meio e inferior ou igual a dez anos deverão utilizar o cinto de segurança do veículo.

5. Observações:

Quando a quantidade de crianças com idade inferior a dez anos exceder a capacidade de lotação do banco traseiro é permitido o transporte da criança de maior estatura no banco dianteiro, desde que utilize o dispositivo de retenção.

No caso de veículos que possuem somente banco dianteiro também é permitido o transporte de crianças de até dez anos de idade utilizando sempre o dispositivo de retenção.

Para o transporte de crianças no banco dianteiro de veículos que possuem dispositivo suplementar de retenção (airbag), o equipamento de retenção de criança deve ser utilizado no sentido da marcha do veículo. Neste caso, o equipamento de retenção de criança não poderá possuir bandejas ou acessórios equivalentes e o banco deverá ser ajustado em sua última posição de recuo, exceto no caso de indicação específica do fabricante do veículo.

No caso de motocicletas, motonetas e ciclomotores o Código de Trânsito Brasileiro estabelece no artigo 244, inciso V, que somente poderão ser transportadas nestes veículos crianças a partir de sete anos de idade e que possuam condições de cuidar de sua própria segurança.

DICAS DE MANUTENÇÃO VEICULAR


1) Desgaste dos pneus - Pneus muito desgastados, ou com desgaste irregular, podem prejudicar aderência e afetar a estabilidade do carro. De acordo com a legislação de trânsito, as ranhuras do pneu devem ter, no mínimo, 1,6 mm de profundidade.

2) Calibragem - Pneus calibrados corretamente, de acordo com o manual do proprietário, aumentam a estabilidade do veículo, reduzem o risco de corte na borracha e contribuem para a integridade da estrutura interna do pneu.

3) Alinhamento e balanceamento - O alinhamento e o balanceamento são importantes para minimizar os desgastes da suspensão do veículo, além de contribuir para a manutenção da dirigibilidade e do consumo de combustível. É imprescindível verificar alinhamento e balanceamento antes de uma viagem porque há muitos fatores que os desregulam como passar por buracos nas ruas ou subir em guias de calçadas. Um carro desalinhado provoca desgaste irregular dos pneus.

4) Óleo do motor – nível e validade - O óleo serve para lubrificar o motor. Com o uso do carro, ele perde sua viscosidade e deixa de cumprir sua função. Por isso, é vital que o óleo seja trocado nas datas recomendadas pelo fabricante. É importante ainda manter o óleo do motor no nível indicado, entre os dois traços da vareta.

5) Nível da água do radiador - Antes de pegar a estrada, é preciso verificar o nível da água do radiador, que serve para manter a temperatura do motor. Se o motor “esquentar” muito, ele pode fundir – e você ficará a pé. Tome cuidado ao abrir a tampa do reservatório de água com o motor aquecido.

6) Fluido do freio - É o fluido de freio que impulsiona o sistema que faz o veículo frear. Se a quantidade do fluido estiver baixa, ou o produto estiver com prazo de validade vencido, a eficácia do freio pode ficar comprometida. É recomendada a troca do fluido uma vez por ano. Vale também checar as pastilhas e discos para evitar problemas na estrada.

7) Lavadores dos vidros e palhetas - Palhetas ressecadas não limpam o vidro de forma adequada e ainda podem arranhá-lo. A troca pode ser feita em postos de gasolina. O reservatório deve ser reabastecido com água e se possível com uma solução de detergente.

8) Sistema elétrico - O nível de carga da bateria e o funcionamento dos faróis e desembaçadores são alguns dos pontos importantes a serem checados antes de cair na estrada.

9) Validade da documentação e seguro - O condutor do veículo precisa portar durante a viagem a Permissão para dirigir ou a Carteira Nacional de Habilitação, além da documentação do veículo (CRLV) Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo. Se você possuir seguro do veículo, lembre-se de levar o telefone da seguradora.

10) Validade do extintor de incêndio - Certifique-se que o extintor de incêndio esteja dentro da validade. É importante também ter as instruções de uso para saber o que fazer na hora de uma emergência.

11) Triângulo, macaco hidráulico, chave de roda e chave de fenda - Antes de cair na estrada, confira se o carro está equipado com triângulo, macaco hidráulico, chave de roda e chave de fenda. Vale também levar na bagagem, pequenas peças de reposição, como fusíveis, velas e lâmpadas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A MÁQUINA ASSASSINA

EDITORIAL GRUPO RBS - DIARIO CATARINENSE, 27/06/2011

De que adianta o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) ser considerado um dos mais avançados do mundo se não é respeitado, a exemplo de tantas outras leis neste país? Todos os números referentes ao trânsito no Brasil são assustadores e sublinham a urgência de providências severas para desacelerar a máquina da matança e da mutilação. Neste cenário macabro, Santa Catarina detém o vergonhoso título de Estado campeão brasileiro da carnificina sobre rodas na proporção do número de veículos que integram sua frota. Pior: está também no topo dos índices mundiais de mortes no trânsito por grupo de 100 mil habitantes, 33,1%.

São vários os fatores que influem para a ocorrência de acidentes envolvendo veículos, mas o principal sempre foi o comportamento imprudente dos motoristas, que em Santa Catarina responde por 94% dos registros, segundo as estatísticas policiais. Do começo do ano até o dia 20 deste mês, 414 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais e estaduais que cortam o território catarinense.

As mortes são mais numerosas em colisões frontais, quase sempre provocadas por ultrapassagens proibidas ou forçadas. O excesso de velocidade faz a regra, principalmente nos finais de semana e feriados prolongados. Não temos uma “cultura” de trânsito. O carro, mero e corriqueiro meio de transporte, é alçado à condição de símbolo de status e instrumento de afirmação. O Estado também responde por expressivo percentual das quase 20 mil mortes anuais associadas ao consumo de álcool ao volante, registradas no país depois de a Lei Seca ter entrado em vigor.

Em um seminário internacional sobre o tema, que acaba de ser realizado em Brasília, o diretor geral de Tráfego da Espanha, Pere Navarro, informou que, em 2003, o país decidiu reduzir em 50% as mortes no trânsito. Para tanto, aumentou o número de policiais rodoviários, multiplicou o de radares fixos, e promoveu campanhas publicitárias e educativas de impacto. Mas a “arma” mais eficiente foi punir os transgressores, inclusive com cadeia. Em poucos anos, a mortalidade diminuiu 57%. Aqui, anda-se na contramão da vida. Os infratores, até mesmo os responsáveis por mortes, quase sempre ficam impunes ou sofrem apenas suaves penalidades.

A exemplo do que foi feito na Espanha, trata-se de aplicar a lei em toda a sua extensão e rigor. Lugar de assassino sobre rodas também é na cadeia. De que adianta cassar hoje a carteira de habilitação de um transgressor ou bêbado se amanhã ou depois ela será liberada? Afaga-se o matador, e não se faz justiça para com as suas vítimas e suas famílias. E a máquina assassina acelera estrada afora com o aditivado combustível da impunidade e da cumplicidade do poder público que não toma providências.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - De que adiantam as leis se elas não são aplicadas. A lei seca seja o exemplo da Lei dos crimes hediondos e de outras que ousaram ser rigorosas. O arcabouço jurídico é como a cobra comendo o rabo, se autodevora diante das brechas, divergências, centralização no STF, contradições, descaso e benevolências. Assim, a justiça aplica o que quer e interpreta como quer à luz da cabeça do magistrado sem seguir o objetivo (a vontade do legislador), o propósito (normativo), o princípio (coatividade) ou a finalidade da lei (o bem comum).

sexta-feira, 24 de junho de 2011

REFORÇO NA LEI SECA

EDITORIAL ZERO HORA 24/06/2011

A Lei Seca, adotada parcialmente em muitos Estados brasileiros, está prestes a ser aperfeiçoada pela Câmara, com a discussão de um projeto que sugere a adoção de outros mecanismos para que motoristas alcoolizados sejam punidos. A proposta, do mesmo autor que inspirou a criação da lei, deputado federal Hugo Leal (PSC-RJ), defende que as polícias devem contar não só com a ajuda do bafômetro para avaliar as condições de um motorista. Depoimentos de testemunhas e imagens de vídeo também poderão ser usados como eventuais provas de flagrantes de embriaguez. É uma iniciativa que, aperfeiçoada pelo debate no Congresso, com a participação de autoridades e especialistas na área, ampliará o alcance de uma legislação que completa três anos neste mês sem atender plenamente às expectativas criadas quando da sua implantação.

Inspirada em referências mundiais, segundo as quais o trânsito não será civilizado sem que o Estado exerça seu poder de coação, a Lei Seca é uma ideia com efeitos substantivos em alguns Estados, como ocorre no Rio, ou apenas mais uma norma legal quase ignorada na maioria dos demais. O objetivo da legislação, de punir quem ainda comete o desatino de beber e dirigir, não foi levado a sério num país em que o massacre no trânsito provoca mais de 40 mil mortes por ano. A estatística é agravada pela constatação de que pelo menos metade dessas mortes tem causas associadas ao consumo de bebidas alcoólicas. A falta de conscientização, em especial entre os mais jovens, ganha a cumplicidade de uma fiscalização precária, do descumprimento das leis e da inexistência de programas educativos, que poderiam difundir a cultura da prudência e do respeito nas escolas.

O resultado dessa omissão generalizada, que tem raras exceções, como o sempre lembrado exemplo dos cariocas, é a repetição de tragédias, principalmente em períodos de feriadões, como o iniciado ontem. O aperfeiçoamento da Lei Seca, se acompanhado de outras providências, reduzirá pelo menos os índices de impunidade, pois se sabe que muitos motoristas alcoolizados se negam a se submeter ao teste do bafômetro com a alegação de que nenhum cidadão é obrigado a produzir provas contra si. Com a possibilidade de formalizar flagrantes acionando testemunhas e utilizando imagens gravadas, já consagradas como recurso à disposição de outras investigações, haverá um fortalecimento do poder policial, com ganhos para todos.

A melhoria de uma boa legislação, como é essa promulgada em 2008, só terá sentido, no entanto, se os Estados finalmente assumirem as tarefas que vêm refugando. Grande parte do débito pela violência no trânsito deve ser atribuída aos setores responsáveis pela aplicação da lei. Desculpas, como a falta de bafômetros e de contingente, não são suficientes para justificar a inércia da falta de iniciativas. Barreiras para fiscalização em ruas e estradas e outras ações ostensivas não podem ser apenas eventuais. Antes mesmo dos prováveis aprimoramentos pelo Congresso, a Lei Seca deve ser levada a sério, ou sucumbirá com o tempo à negligência das autoridades.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ASSIM A LEI SECA NÃO "PEGA"

- OPINIÃO, O Estado de S.Paulo - 23/06/2011


Ao entrar em vigor em 20 de junho de 2008, a Lei Federal n.º 11.705/08, batizada de Lei Seca, logo provocou mudanças no comportamento dos motoristas. As blitze da Polícia Militar (PM), em cidades como São Paulo, ocuparam as manchetes dos principais meios de comunicação durante semanas seguidas e a rigorosa fiscalização, usando bafômetros, ajudada pelo impacto das cenas das prisões e do registro das multas, provocou queda de 30% nas vendas de cerveja no País, conforme estimou, na época, o Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja. O movimento nos serviços de atendimento às vítimas de trânsito também caiu cerca de 20% nas principais capitais do País. O risco de pagar R$ 957,70 de multa e perder a carteira por um ano deixou de compensar os dois chopes que aumentam de 6 decigramas a taxa de álcool por litro de sangue. Quem bebe mais do que isso e dirige pode pegar pena de três anos de prisão.

Em São Paulo, o 34.º Batalhão da Polícia Militar, especializado no policiamento de trânsito, já realizava, antes da Lei Seca, o programa Operação Direção Segura (ODS), fiscalizando e orientando motoristas sobre os perigos de dirigir embriagado. Com a nova lei, a fiscalização se intensificou com a reorganização do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e a participação dos outros 32 batalhões que atuam na cidade.

No primeiro mês, os donos de bares e restaurantes da capital passaram a oferecer transporte seguro aos seus clientes. Um novo tipo de táxi, batizado de Amigão, passou a fazer ponto na porta de casas noturnas, para atender os frequentadores, na volta para casa. A Polícia Militar prendeu 65 motoristas dos 2.323 que foram submetidos ao teste de bafômetro, e autuou outros 172.

No primeiro ano da Lei Seca, 81 motoristas paulistanos perderam a carteira de habilitação pelo período de 12 meses e as habilitações de outros 1.508 foram recolhidas. Durante as blitze Direção Segura, mais de 40 mil veículos foram vistoriados e 2006 motoristas autuados. Nos hospitais, houve queda de 22% no número de atendimentos a vítimas de trânsito.

Mas logo os donos de bares, restaurantes e casas noturnas, assim como os motoristas, começaram a notar um afrouxamento da fiscalização. Para os especialistas em trânsito, essa era a principal ameaça à lei em São Paulo e no resto do País. Quando ela entrou em vigor, o Brasil inteiro tinha menos de mil bafômetros. Desses, 500 eram da Polícia Rodoviária Federal. Com pouco mais de 400 desses equipamentos para as 5 mil cidades brasileiras, não se poderia obter bons resultados.

A maior e mais rica cidade do País tinha apenas 42 bafômetros para uma frota de mais de 6 milhões de veículos. Há cinco meses, o governo estadual anunciou a compra de outros 40, além de 97 carros e 290 motos para melhorar a fiscalização. Até agora, porém, não houve qualquer melhora. No terceiro aniversário da lei, a vigilância da Polícia Militar, indispensável para levar os motoristas a observar suas regras, é muito menor do que antes. Durante a madrugada de quinta para sexta-feira da semana passada, a reportagem do Estado percorreu as 20 principais vias de acesso a bares, restaurantes e casas noturnas situados em locais de grande movimento, como a região da Represa do Guarapiranga e os bairros do Itaim-Bibi, Vila Olímpia e Vila Madalena. Em nenhum deles foi notada a presença de PMs participando de blitze contra motoristas embriagados.

Num país onde, segundo estudos do Ministério da Saúde, 18,9% da população admite beber em excesso e aproximadamente metade das mortes envolve motoristas embriagados, o cumprimento da Lei Seca não deve ser negligenciado. É necessária fiscalização intensa e contínua. Especialistas costumam lembrar que a polícia da Califórnia, nos Estados Unidos, prende 200 mil pessoas por ano por dirigir após beber. No primeiro ano de vigência da lei, quando a vigilância foi mais constante, pouco mais de 500 pessoas foram presas em São Paulo.

É de um rigor semelhante ao da Califórnia que precisamos.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - O problema não está na fiscalização policial, mas na falta de rigor na justiça onde esta lei é tratada como inconstitucional.

ASSIM A LEI SECA NÃO "PEGA"

- OPINIÃO, O Estado de S.Paulo - 23/06/2011


Ao entrar em vigor em 20 de junho de 2008, a Lei Federal n.º 11.705/08, batizada de Lei Seca, logo provocou mudanças no comportamento dos motoristas. As blitze da Polícia Militar (PM), em cidades como São Paulo, ocuparam as manchetes dos principais meios de comunicação durante semanas seguidas e a rigorosa fiscalização, usando bafômetros, ajudada pelo impacto das cenas das prisões e do registro das multas, provocou queda de 30% nas vendas de cerveja no País, conforme estimou, na época, o Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja. O movimento nos serviços de atendimento às vítimas de trânsito também caiu cerca de 20% nas principais capitais do País. O risco de pagar R$ 957,70 de multa e perder a carteira por um ano deixou de compensar os dois chopes que aumentam de 6 decigramas a taxa de álcool por litro de sangue. Quem bebe mais do que isso e dirige pode pegar pena de três anos de prisão.

Em São Paulo, o 34.º Batalhão da Polícia Militar, especializado no policiamento de trânsito, já realizava, antes da Lei Seca, o programa Operação Direção Segura (ODS), fiscalizando e orientando motoristas sobre os perigos de dirigir embriagado. Com a nova lei, a fiscalização se intensificou com a reorganização do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e a participação dos outros 32 batalhões que atuam na cidade.

No primeiro mês, os donos de bares e restaurantes da capital passaram a oferecer transporte seguro aos seus clientes. Um novo tipo de táxi, batizado de Amigão, passou a fazer ponto na porta de casas noturnas, para atender os frequentadores, na volta para casa. A Polícia Militar prendeu 65 motoristas dos 2.323 que foram submetidos ao teste de bafômetro, e autuou outros 172.

No primeiro ano da Lei Seca, 81 motoristas paulistanos perderam a carteira de habilitação pelo período de 12 meses e as habilitações de outros 1.508 foram recolhidas. Durante as blitze Direção Segura, mais de 40 mil veículos foram vistoriados e 2006 motoristas autuados. Nos hospitais, houve queda de 22% no número de atendimentos a vítimas de trânsito.

Mas logo os donos de bares, restaurantes e casas noturnas, assim como os motoristas, começaram a notar um afrouxamento da fiscalização. Para os especialistas em trânsito, essa era a principal ameaça à lei em São Paulo e no resto do País. Quando ela entrou em vigor, o Brasil inteiro tinha menos de mil bafômetros. Desses, 500 eram da Polícia Rodoviária Federal. Com pouco mais de 400 desses equipamentos para as 5 mil cidades brasileiras, não se poderia obter bons resultados.

A maior e mais rica cidade do País tinha apenas 42 bafômetros para uma frota de mais de 6 milhões de veículos. Há cinco meses, o governo estadual anunciou a compra de outros 40, além de 97 carros e 290 motos para melhorar a fiscalização. Até agora, porém, não houve qualquer melhora. No terceiro aniversário da lei, a vigilância da Polícia Militar, indispensável para levar os motoristas a observar suas regras, é muito menor do que antes. Durante a madrugada de quinta para sexta-feira da semana passada, a reportagem do Estado percorreu as 20 principais vias de acesso a bares, restaurantes e casas noturnas situados em locais de grande movimento, como a região da Represa do Guarapiranga e os bairros do Itaim-Bibi, Vila Olímpia e Vila Madalena. Em nenhum deles foi notada a presença de PMs participando de blitze contra motoristas embriagados.

Num país onde, segundo estudos do Ministério da Saúde, 18,9% da população admite beber em excesso e aproximadamente metade das mortes envolve motoristas embriagados, o cumprimento da Lei Seca não deve ser negligenciado. É necessária fiscalização intensa e contínua. Especialistas costumam lembrar que a polícia da Califórnia, nos Estados Unidos, prende 200 mil pessoas por ano por dirigir após beber. No primeiro ano de vigência da lei, quando a vigilância foi mais constante, pouco mais de 500 pessoas foram presas em São Paulo.

É de um rigor semelhante ao da Califórnia que precisamos.