quarta-feira, 16 de julho de 2014

FAZENDO O FUTURO ACONTECER


ZERO HORA 16 de julho de 2014 | N° 17861. 
ARTIGO


Urbano Schmitt*



Porto Alegre caminha com um olhar para o futuro. Grandes obras de mobilidade já estão mudando a vida de todos nós. A Copa do Mundo foi a oportunidade para avançarmos. Ao todo são R$ 880 milhões, em financiamentos com juros reduzidos e prazos estendidos, que estão sendo aplicados com transparência em 14 obras espalhadas na cidade. Aliás, cabe ressaltar o compromisso do governo Fortunati em fiscalizar a aplicação desses recursos

Investimos em melhorias na qualidade de vida. Implantamos o Corredor BRT na Avenida Padre Cacique, que vai agilizar o transporte coletivo. Com um investimento de R$ 26,6 milhões, entregamos o viaduto da Pinheiro Borda e mais três ruas no entorno do Beira-Rio. Foram investidos R$ 49 milhões na duplicação e revitalização da Edvaldo, com nova iluminação e reforço na sinalização. A qualificação do espaço transformou o local em ambiente seguro para condutores, pedestres e ciclistas, aproximando a população do Guaíba.

Na prática, o tempo de quem se desloca da Zona Sul para o Centro Histórico diminuiu em sete minutos, beneficiando mais de 90 mil pessoas que trafegam diariamente na região.

As grandes obras transformam a paisagem da cidade, mas só são importantes se mudam a vida das pessoas.

Entregamos também o novo viaduto entre a Júlio de Castilhos e a Castelo Branco. Com aporte de R$ 19,3 milhões, o viaduto faz parte do projeto de mobilidade que visa a acabar com o “X” da Rodoviária, demanda histórica em nossa cidade, que irá desafogar o trânsito da região.

Os recursos das obras estão assegurados, garantindo que a sua execução aconteça dentro de um cronograma adequado, destacando que elas estão sendo realizadas numa cidade viva.

Daqui a alguns dias, a Copa ficará na lembrança de todos nós. Sabemos que o legado que fica, para as próximas gerações, é uma cidade preocupada com a qualificação da sua infraestrutura e com o desenvolvimento econômico e social. Buscar melhorias na qualidade de vida é mais do que um legado, é fazer o futuro acontecer.



*SECRETÁRIO DE GESTÃO DE PORTO ALEGRE

QUEM SÃO OS DONOS DAS RUAS DE UMA CIDADE?



ZERO HORA 16 de julho de 2014 | N° 17861. ARTIGO

Cristiano Lange dos Santos*



A rua tem como simbolismo ser um espaço democrático do encontro, sem o qual não existiriam os demais, trata- se do caminho que converge para qualquer outro local. É quase um sinônimo do “público”. Por isso, o fenômeno da privatização do espaço público pela ocupação das ruas por automóveis individuais precisa ser discutido urgentemente, assim como os privilégios de quem usa o carro sem limites nas cidades.

A corajosa decisão da Prefeitura de São Paulo de criar mais 400 quilômetros de ciclovias ou faixas exclusivas para bicicletas, removendo 40 mil vagas de estacionamento, anima quem defende um novo modelo de mobilidade urbana sustentável, pois reacende o debate sobre a tomada das vias pelos veículos. Vale ressaltar que, se em movimento os carros provocam sérios danos à cidade (como poluição sonora e emissão de gases), parados também violam a democratização desse espaço público por excelência.

Com uma frota de 710.224 automóveis para uma população de 1.409.939 de habitantes, Porto Alegre fica atrás apenas de Curitiba, Belo Horizonte e São Paulo. Nossa Capital é a quarta do país com maior taxa de motorização (533 carros por mil habitantes).

Colocada em linha reta, essa frota atingiria 2,8 mil quilômetros, extensão total das vias de Porto Alegre, ou a distância até a cidade de Palmas, no Tocantins. Já em extensão (cada carro tem cerca de seis metros quadrados), chegaria ao equivalente a 630 campos de futebol.

É importante entender que o espaço público, especialmente as vias de circulação, pertence a todos, indistintamente, com ou sem carro – a prioridade, entretanto, será sempre do pedestre, como estabelece o Código de Trânsito.

Enrique Peñalosa, quando prefeito de Bogotá (capital da Colômbia), afirmou que “estacionamento na rua não é um direito constitucional”. De fato, viola o direito à cidade; mercadoriza o espaço público. Desta forma, a coragem para mudar a atual perspectiva rodoviarista demonstrada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) pode ser fundamental para que possamos reconquistar o espaço público tomado pelos automóveis.


*INTEGRANTE DA ASSOCIAÇÃO PELA MOBILIDADE URBANA EM BICICLETA (MOBICIDADE)


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É A TÁTICA DO "POLITICAMENTE CORRETO" AGINDO ONDE A MOBILIDADE URBANA É PRECÁRIA...Se as cidades investissem realmente na mobilidade urbana com mais trens, metrôs e coletivos, as pessoas deixariam seus carros em casa, e os pedestres e ciclistas teriam mais espaço público. Ocorre que as políticas eleitoreiras agem na retórica e no imediatismo do "politicamente correto", oferecendo ideias para os ouvidos da maioria e serviços precários para atender a demanda.

terça-feira, 8 de julho de 2014

UM MOTORISTA SUSPENSO A CADA 15 MINUTOS



ZERO HORA 08 de julho de 2014 | N° 17853

MARCELO MONTEIRO


TRÂNSITO. GAÚCHOS NA DIREÇÃO


CERCA DE 3 MIL CONDUTORES ficam impedidos de dirigir a cada mês no Estado. Ter somado 20 pontos na carteira devido a multas ou ainda cometido infrações como estar embriagado ao volante de um veículo estão entre os principais motivos



Acada 15 minutos, um motorista gaúcho tem suspenso ou cassado o direito de dirigir. Segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS), 42.762 habilitados estão atualmente suspensos (36.982) ou cassados (5.780). Somando as duas situações, quase um a cada cem condutores está impedido de estar ao volante – o Rio Grande do Sul tem 4,46 milhões de motoristas.

No Estado, a aplicação das punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em vigor desde janeiro de 1998, foi acelerada após a implantação da Divisão de Cassação e Suspensão de Condutores em agosto passado. Na época, cerca de 7 mil processos de cassação ou suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aguardavam julgamento. Hoje, não existem processos em atraso.

– A cassação não era aplicada por causa da estrutura. A partir da criação da divisão, foi possível dar celeridade aos processos – explica Anderson Paz Barcellos, chefe do setor.

A suspensão do direito de dirigir, por prazos entre um e 12 meses, pode ocorrer quando o motorista atinge 20 ou mais pontos em seu prontuário ou quando comete infrações cuja pena prevista é a própria suspensão, como dirigir sob efeito de álcool. A cassação se dá quando o condutor suspenso ou condenado judicialmente por delito de trânsito é flagrado dirigindo ou ainda no caso de reincidência em determinadas infrações. Antes de as penalidades serem aplicadas, o motorista tem o direito de apresentar defesa.

CURSO DE 30 HORAS ANTES DE IR ÀS RUAS

Entre os 37,5 mil processos de suspensão no ano passado, a maior parte (44,5%) foi aberta em razão de embriaguez ao volante. Depois vem excesso de velocidade (32%) e a soma de 20 pontos devido a multas (23,5%). Em maio passado, de cada 10 processos concluídos pelo Detran-RS, nove eram de suspensão e um de cassação.

O diretor de ensino do Centro de Formação de Condutores (CFC) Touring, em Porto Alegre, Jones Garcia, explica que, para recuperar o direito de dirigir, motoristas passam por um curso de 30 horas semelhante ao dos alunos que fazem a primeira CNH, mas com 15 horas a menos – os cassados só podem passar pelo processo depois de dois anos sem dirigir.

Tanto para cassados quanto para suspensos, o diferencial em relação aos candidatos que buscam a primeira habilitação são seis horas dedicadas ao tema relacionamento interpessoal.

– A questão do relacionamento interpessoal é para que eles entendam que, como cometeram infrações, precisam ter uma relação melhor com os outros motoristas – afirma Garcia.

Para o engenheiro Paulo Guimarães, responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento do Observatório Nacional de Segurança Viária, em relação ao conteúdo e à metodologia os cursos de formação de condutores não atendem à filosofia que a legislação procurou trazer, de educar ou reeducar o motorista.

– O processo de aprendizagem é muito problemático do ponto de vista prático. Precisamos transformar os centros de condutores em centros de formação de cidadãos – diz Guimarães.



DE CARONA

O comportamento dos motoristas no RS o que ocorre a cada mês
3,5 mil processos de suspensão são abertos
300 são processos de cassação
3 mil condutores têm o direito de dirigir suspenso ou cassado
Situação no dia 20 de junho de 2014
36.982 condutores com direito de dirigir suspenso
5.780 condutores com o direito de dirigir cassado
42.762 total entre suspensos e cassados
Fonte: Detran-RS

O QUE É CADA SITUAÇÃO

SUSPENSÃO

-Os processos de suspensão do direito de dirigir podem ser iniciados a partir de duas situações: quando o condutor acumula 20 ou mais pontos ou quando comete determinadas infrações, como dirigir embriagado ou em velocidade superior em 50% à permitida.
-Notificado, tem prazo para defesa.
-Se punido, o condutor pode recorrer.
-Esgotados defesa e recurso, o condutor deverá entregar a CNH em um CFC.
-Para voltar a dirigir, deve fazer curso de 30 horas/aula e prova teórica.
-O período de suspensão varia de um a 12 meses. Nos casos de reincidência, fica entre seis e 24 meses, prevendo até a cassação da CNH.
-Se flagrado dirigindo com o direito de dirigir suspenso, o condutor comete infração gravíssima, com fator multiplicador de 5 (multa de R$ 957,65 e apreensão do veículo). O condutor também pode ter a CNH cassada por dois anos.

CASSAÇÃO
-A cassação ocorre quando o condutor suspenso ou condenado por delito de trânsito é flagrado dirigindo ou também nos casos de reincidência de determinadas infrações.
-Infrações que podem levar à cassação em caso de reincidência são dirigir embriagado, disputar rachas, entregar a direção a pessoa sem CNH, dirigir com CNH cassada ou suspensa, guiar com CNH vencida há mais de 30 dias e dirigir sem usar lentes corretoras, entre outras.
-A cassação impede de dirigir por dois anos. Para voltar a guiar, o motorista precisará realizar exame médico, avaliação psicológica, curso, provas teóricas e exame de direção.
-O motorista ao volante com direito de dirigir cassado está sujeito a infração gravíssima agravada por fator multiplicador de 5 (multa de R$ 957,69 e apreensão do veículo). Responde por crime de trânsito, sujeito a pena de seis meses a um ano de detenção e CNH retida no processo.


Terceiro em suspensão de carteiras


O Rio Grande do Sul é o terceiro Estado mais rigoroso do país no que se refere à suspensão e à cassação de condutores de acordo com as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro. Em 31 de maio de 2014, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Estado mantinha 5.547 motoristas cassados, atrás apenas de Paraná (14.033) e São Paulo (12.246). No país, o total de cassados era de 35.856.

Como utilizam fonte de dados diferentes – as informações do Denatran usam o Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach) –, o Detran-RS e o órgão nacional apresentam números distintos sobre o total de condutores punidos. Para efeito de comparação entre os Estados, ZH adota os dados do Denatran (veja acima), que fornece informações detalhadas por unidade da federação e retiradas da mesma base de dados.

Conforme o Denatran, o Brasil tem 434.789 motoristas impedidos de dirigir – 398.933 suspensos e 35.856 cassados. No quesito suspensões, o Rio Grande do Sul também mantém a terceira posição no ranking nacional, com 49.165 condutores nesta condição, atrás de São Paulo (133.284) e Paraná (76.442).

Ainda de acordo com o Denatran, o número de cassações aumentou 282 vezes nos últimos 10 anos no Rio Grande do Sul, saltando de apenas cinco (em 2004) para 1.415 (em 2013). O total de motoristas cassados no Estado cresceu mais de cinco vezes, pulando de 4.179 (2004) para 27.476.


Resultado reflete conduta de motorista

Para especialistas em trânsito, a quantidade de condutores suspensos e cassados no país reflete não apenas a melhoria nos sistemas de controle, que propiciam a aplicação das normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), mas principalmente as deficiências no processo de formação e, de forma geral, a falta de educação e de princípios dos motoristas.

A própria quantidade de punidos poderia ser maior, apontam estudiosos, se os mecanismos de controle fossem aprimorados. Embora a suspensão e a cassação do direito de dirigir sejam capazes de ajudar na redução de acidentes, a queda nos números de mortes no trânsito depende muito mais da mudança de postura de motoristas do que das medidas punitivas.

Na avaliação do engenheiro Paulo Guimarães, responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento do Observatório Nacional de Segurança Viária, a falta de educação e de respeito dos condutores são reflexos da própria sociedade.

– A forma como o motorista conduz seu veículo reflete a forma como ele vive – avalia Guimarães.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

SIMULADOR APROVADO


ZERO HORA 02 de julho de 2014 | N° 17847

KAMILA ALMEIDA. COLABOROU NILSON MARIANO


EMOCIONAL MAIS FORTE NA DIREÇÃO

A CONVITE DE ZH, dois especialistas usaram equipamento que se tornou obrigatório no RS e constatam: ainda que tenha distorções com a realidade, treina o psicológico do condutor



Depois de apagar o carro diversas vezes, sofrer acidentes e andar em ziguezague, dois especialistas dão o veredito sobre os simuladores de direção: estão aprovados. Felipe Brum de Brito Sousa, professor da disciplina de trânsito da Faculdade de Engenharia da Unisinos, e João Pierotto, consultor técnico de empresas de transporte e palestrante de segurança no trânsito, testaram o simulador a convite de ZH. A utilização do aparelho é facultativa – a decisão fica a critério de cada Estado. No Rio Grande do Sul, tornou-se obrigatória para a habilitação de motoristas. São Paulo também manterá o uso.

Durante o teste, realizado em um Centro de Formação de Condutores (CFC) da zona norte de Porto Alegre, Sousa e Pierotto observaram que, apesar de haver distorções entre o virtual e a prática, o simulador possibilita ao candidato a motorista um treinamento emocional antes de sair para as ruas com excesso de autoconfiança e falta de noção do perigo.

– Eu chamo isso de “cagaçoterapia” – exclama Pierotto, após ser ultrapassado por uma ambulância, não conseguir vencer a curva e bater no guard-rail à direita, tudo isso tendo chuva e noite como cenários.

Ao ver os vidros estilhaçados, complementou:

– É muito bom a pessoa ver que o acidente acontece mesmo e qual é a sensação que ele provoca. Aqui foi só o vidro, mas, na vida real, poderia ser o nariz dele quebrado. Ele começa a pensar mais antes de agir.

Os percalços, que poderiam ser fatais na vida real, mostram que nenhum dos dois, motoristas experientes, sentiu-se como se estivesse no trânsito. Mesmo assim, eles associaram as barbeiragens à falta de prática com videogames, já que o carro para treino se assemelha ao fliperama.

O carro simulado não anda mais do que a 50 km/h. O baixo ruído do motor virtual impediu Sousa de ter a percepção exata de dimensão, espaço e velocidade. Foi vítima de colisão traseira por cinco vezes em 10 minutos de teste.

– É que tu estavas com uma velocidade muito baixa – argumentou o instrutor do CFC.

– Não, andava devagar por causa da chuva, mas acima da mínima permitida, de 25 km/h – disse Sousa, explicando que o choque não fora educativo, pois estava cumprindo a lei.

A cada infração cometida ou recomendação ao motorista, um alerta era grafado na tela.

– Olha aqui, um erro de português. Isso não pode – comentou Sousa, referindo-se ao erre ausente no “ligue o parabisa”, que também não levava hífen conforme as normas ortográficas.

A atuação dos voluntários foi monitorada pelos técnicos do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran), que agendaram os testes e disseram que as ponderações seriam retransmitidas ao fabricante, já que o simulador ainda passa por aperfeiçoamentos.



REGRAS QUE NÃO PEGARAM. Nos últimos anos, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) baixou normas que não emplacaram ou não são respeitadas. Confira algumas.

DESCANSO DO CAMINHONEIRO - Em abril de 2012, a Lei do Caminhoneiro determinou que os motoristas fizessem paradas obrigatórias nas rodovias para descansar. Um dos itens previa 11 horas de repouso a cada 24 horas de trabalho. A fiscalização foi adiada porque as estradas brasileiras não têm estrutura para as paradas.

CURSO PARA MOTOBOY - Em 2010, fixou que motociclistas de transporte de passageiros (mototaxista) e de entrega de mercadorias (motofretista) deveriam fazer um curso de segurança no trânsito. Seria a credencial para poderem trabalhar.

KIT DE PRIMEIROS SOCORROS - Em 1998, motoristas foram obrigados a levar no automóvel um kit de primeiros socorros. Milhares compraram o estojo com os produtos indicados, mas ficaram no prejuízo porque a determinação deixou de valer a partir de abril de 1999.

VIDROS ESCUROS - Também em 1998, foi estabelecido que veículos com vidros escurecidos por películas deveriam ter percentuais mínimos de visibilidade, no para-brisa e nas laterais. Também não poderiam ser reflexivos, para não ofuscar outros motoristas.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

INSEGURANÇA. ATÉ QUANDO?



JORNAL DO COMÉRCIO, 16/06/2014


Cíntia G. Ferreira




Ano de 2014, tecnologia cada vez mais avançada, o País recebendo a Copa do Mundo, expectativas em alta, todas as fichas apostadas nesse ano, turismo que significa dinheiro e poder. Mas e a segurança? Aquela que deveríamos ter a qualquer momento de nossa vida? Quantos acidentes e mortes acontecendo não pelo ciclo natural da vida, mas sim por incompetência de muitos que estão no poder. Constante acidente no trânsito seja por falta de sinalização adequada ou pelas obras que estão acontecendo. Pedestres que têm sua vida interrompida ou debilitada por andar em uma cidade onde possui uma estrutura frágil quando o assunto é mobilidade urbana.

Porque devemos aceitar essa política imposta, se fomos nós, na esperança de uma mudança em nosso país, que colocamos essas pessoas no poder?

Não basta andarmos atentos para não sermos mais uma vítima de roubos ou assaltos. A insegurança está se proliferando, não tem dia, horário ou local, está por toda parte. Grandes cidades em que o caos está tomando conta. Vias com trânsito parado, ônibus e metrôs cheios, pessoas que são muitas vezes empurradas, pisoteadas, no desespero por uma tentativa de pegar um meio de transporte para chegar até seu destino. Vivemos em um país em que a população cresce, porém, as cidades, na ânsia de evoluir rapidamente, priorizam o lucro e deixa-nos promessas à população. Fico a me perguntar até quando sairemos de casa na dúvida se voltaremos? E, por mais simples que seja o percurso a ser feito durante o dia, poderemos ser a vítima desse descaso que encontramos na segurança pública.

Gestora pública

quarta-feira, 11 de junho de 2014

DIREÇÃO SIMULADA, PREJUÍZO REAL


ZERO HORA 11 de junho de 2014 | N° 17825


EDITORIAIS


A sensação generalizada, nesse e em outros casos semelhantes, é a de que o Brasil virou o país em que cada um decide o que fazer, de acordo com a sua interpretação de normas, regras e leis. Não são poucas as perguntas a respeito do assunto em questão. Que interesses foram capazes de provocar a obrigatoriedade, se pouco depois o equipamento seria questionado? Que autoridade do setor tomará a iniciativa de explicar, sem subterfúgios, que razões fizeram com que a norma passasse a ser facultativa? Diante de tantas perguntas sem respostas convincentes, é razoável que todos, e não só os possíveis candidatos a uma carteira de motorista, continuem em dúvida sobre a importância de um simulador na formação de motoristas.

Sabe-se, por informação dos CFCs do Estado, que as empresas investiram altas somas na aquisição dos equipamentos. A decisão do Detran gaúcho assegura utilidade a um recurso que não convence por apresentar até mesmo falhas de funcionamento. O Brasil vem convivendo há muito tempo com determinações oficiais, nas mais variadas atividades, que, logo depois de promulgadas, passam a fomentar indecisões. O exemplo do simulador soma-se a outros da área do trânsito, que contribuí-ram apenas para criar confusão, como o famoso kit de primeiros socorros e as nem sempre claras e pouco fiscalizadas normas para motoboys. O simulador mantido no Estado encarece os custos dos cursos de formação, mas este talvez não seja o maior dano da confusão que provoca. O que deve ser esclarecido é se o recurso eletrônico ajuda ou atrapalha quem pretende dirigir. A informação é decisiva para a segurança nas ruas e estradas.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ESTRADA ENGOLE CARROS E DEIXA MULHER FERIDA

ZERO HORA 06 de junho de 2014 | N° 17820


ADRIANO DUARTE ELIANE DE BRUM | JAQUIRANA

ESTRADAS. EFEITO DA CHUVA. Cratera engole carros e deixa mulher ferida

VÍTIMA SE RECUPERA em hospital de lesões nas pernas, nas costelas e no rosto. Outro motorista escapou ileso. Acesso a Jaquirana e Bom Jesus pela ERS-110 está bloqueado



O desmoronamento de um trecho da ERS-110 abriu uma cratera de cerca de oito metros de profundidade no km 75, perto de Jaquirana e engoliu dois carros de Caxias do Sul. Marisane Souza, 34 anos, estava em um Fiesta e ficou ferida. O motorista de um Celta, Ivan José Boakoski, 31 anos, escapou ileso.

Somente se a chuva parar Jaquirana poderá retomar a normalidade. Desde o meio-dia de ontem, a cidade perdeu a principal ligação com a Serra e a Região das Hortênsias por conta da forte precipitação que começou por volta das 21h de quarta-feira e avançou pela madrugada.

Não é a primeira vez que acontece um desmoronamento no trecho do km 75. Há cerca de três anos, houve um deslizamento que não chegou a interromper o tráfego de veículos.

Ainda atordoada com o acidente, Marisane foi internada no Hospital Municipal Padre Carlos Aumond, em Jaquirana, onde se recupera de ferimentos nas pernas, nas costelas e no rosto (confira entrevista ao lado).

Os estragos forçaram a suspensão temporária das aulas para cerca de 50 crianças e adolescentes que moram no interior do município e a interrupção parcial do transporte da indústria madeireira. A reconstrução da estrada levará meses, informa o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem. A situação pode mudar se a água do Rio Tainhas baixar. Até ontem, a ponte que liga uma estrada secundária com a zona urbana de Jaquirana continuava submersa. O prefeito Ivanor Renato Rauber (PP) calcula que será preciso de dois a três dias para a passagem ser liberada.

Sem a ERS-110, Jaquirana tem ligação direta somente com Bom Jesus. Outro acesso é uma estrada municipal que leva a Cambará do Sul. São 33 quilômetros de chão batido até a ERS-020, onde é possível acessar a Rota do Sol.

De acordo com o prefeito, a estrada está cascalhada e tem boas condições de tráfego, mas não suporta o trânsito de caminhões mais pesados.


ENTREVISTA

“Nasci de novo”


Entrevista com Marisane Souza, sobrevivente de acidente na ERS-110


A cabeleireira e comerciante Marisane Souza, 34 anos, estava em um dos veículos engolidos no desmoronamento. Enquanto aguardava resultados de exames no Hospital Municipal Padre Carlos Aumond, em Jaquirana, contou o que viveu.

A senhora estava indo para onde no momento em que aconteceu o acidente?

Tinha ido a Jaquirana visitar parentes (Marisane é filha do secretário de Agricultura de Jaquirana, Dalci Oliveira) e voltava para Caxias do Sul, onde moro. Estava sozinha no carro, por volta de meio-dia, quando houve o desmoronamento.

Como foi?

Chovia muito. Estava dirigindo, não percebi direito o que estava acontecendo. O que vi foi uma rachadura se abrindo no asfalto em frente ao carro. Depois, aquele pedaço da estrada ainda se ergueu e desabou comigo junto. Quando acordei, estava dentro do carro, todo amassado, cercada de uma montanha de terra. Não conseguia me mexer, mas o rapaz do outro carro conseguiu sair e me tirou.

O socorro demorou a chegar?

Estava toda machucada, e era um barranco muito alto para a gente subir. Esperamos um pouco até que o motorista de uma carreta se aproximou, jogou uma corda e nos puxou para cima. Ele até me emprestou o telefone para avisar minha família. Não vinha nenhum carro pelo lado de Jaquirana. Quem me socorreu foi o meu pai, que veio me buscar e cruzou por meio de um matagal. Olhando depois o barranco, dá para dizer que nasci de novo, com certeza.