quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

REDUÇÃO AQUÉM DO POTENCIAL

ZERO HORA 19 de fevereiro de 2014 | N° 17709


PÁGINA 10 | JULIANO RODRIGUES (Interino)




A queda de 9,4% no número de mortes no trânsito do Rio Grande do Sul durante os últimos três anos, apresentada pelo governo do Estado ontem, é um dado que deve mostrar ao Detran e ao Piratini que é possível reduzir ainda mais os acidentes nas ruas, avenidas e estradas, basta investir na prevenção.

Com um baixo percentual de investimento em ações de conscientização – em comparação com o que arrecada – já foi possível poupar 517 vidas em 2013, segundo calcula a autarquia. É pouco, tendo em vista que 1.984 morreram durante o ano, uma média superior a cinco óbitos por dia. Enquanto a polpuda arrecadação do Detran servir, em sua maioria, para bancar outros gastos do Estado, e não programas de prevenção, será difícil vislumbrar uma queda mais expressiva e drástica nas mortes.

Somente em 2013, o departamento arrecadou mais de R$ 1 bilhão. E investiu apenas R$ 18 milhões em ações de prevenção. Para 2014, o orçamento do Estado prevê três rubricas de investimento no Detran. São mais de R$ 10 milhões iniciais, sendo a maior parte, R$ 5,9 milhões, no programa Balada Segura, que é feito em parceria com a Brigada Militar e prefeituras. Em 2013, o projeto que inibe o consumo de bebidas alcoólicas por parte dos motoristas recebeu do Detran pouco mais de R$ 3 milhões. Apesar de aumentar o número de equipes da Balada Segura e prever a sua disseminação por mais cidades do Rio Grande do Sul, o Detran terá pouco dinheiro para investir em outras ações, porque estará financiando despesas diversas do Estado.

Além da prevenção e conscientização dos condutores, há a difícil missão da Polícia Civil, do Ministério Público e do Judiciário de reduzir a impunidade dos crimes cometidos ao volante. A pedido da Página 10, a Susepe fez um levantamento e constatou que, entre os mais de 28 mil presos que cumprem pena nas cadeias do Estado, há apenas 22 condenados por crimes de trânsito. Por reincidência de consumo de álcool na direção, não há ninguém detido. Punir os infratores também é necessário como forma de dar o exemplo para os motoristas que cometem crimes e não são flagrados.



ALIÁS

Juízes, promotores e delegados com atuação na área de trânsito reclamam que a legislação brasileira, apesar de aplicar multas elevadas, ainda é branda no que diz respeito à prisão de motoristas infratores.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - É lógica a reclamação de juízes, promotores e delegados, pois a legislação brasileira não consegue ser dura conta os infratores, nem com os criminosos e tampouco com os corruptos e corruptores, pela existência de uma Constituição cheia de direitos, condescendências e ligações assistemáticas e burocratas que limitam a execução e a aplicação de leis coativas. A Lei Seca, a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei Maria da Penha são exemplos disto.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

UMA PESSOA É BALEADA APÓS SUPOSTA BRIGA DE TRÂNSITO

G1 05/12/2013 09h40

Uma pessoa é baleada após suposta briga de trânsito no DF. Ainda não há informações sobre o estado de saúde da vítima., Segundo a Polícia Civil, discussão teria começado numa faixa de pedestre.

Do G1 DF



Uma pessoa foi baleada no fim da manhã desta quarta-feira (4) após uma suposta briga de trânsito, na Epia Norte, próximo à antiga Rodoferroviária. A vítima foi socorrida pelos bombeiros e transportada de helicóptero para o Hospital de Base de Brasília.


Militar do Corpo de Bombeiros observa o interior do carro onde uma pessoa foi baleada. No vidro traseiro, há uma marca de tiro (Foto: TV Globo / Reprodução)

Até a publicação dessa matéria, ainda não havia informações sobre o estado de saúde da pessoa baleada.

Não se sabe ainda com quem o atirador teria discutido. Segundo informações da 3ª DP, a briga começou próximo à Administração do Sudoeste, em uma faixa de pedestre. Dois carros estavam passando pelo local. Um veículo teria fechado o outro.

Ainda segundo a 3ª DP, ao passarem perto da antiga Rodoferroviária, o atirador teria efetuado os disparos, com o carro em movimento. No veículo da pessoa baleada, havia outras três pessoas. A vítima estava no banco que fica atrás do motorista.

Na lataria do veículo da vítima ficaram marcas de três tiros.

BRIGA DE MULHERES NO TRÂNSITO EM BRASÍLIA

G1. Motoristas apartam briga de mulheres após batida em Brasília. Carros se chocaram na tesourinha da quadra 103 Norte na quarta-feira (12). Houve troca de puxões de cabelo, socos e chutes entre as duas condutoras.

Do G1 DF

Motoristas brigam após batida no trânsito em tesourinha da Asa Norte, em Brasília (Foto: Bárbara Alvarenga/Arquivo pessoal)

Uma briga de trânsito entre duas mulheres em uma tesourinha da quadra 103 Norte, em Brasília, precisou ser apartada por motoristas que passavam pelo local na tarde de quarta-feira (12).

Segundo a motorista Bárbara Alvarenga, que fotografou a discussão, as agressões começaram depois que uma das mulheres atingiu a traseira do veículo da outra.

"A moça do carro preto bateu atrás do branco, e a moça que estava no Voyage branco já desceu muito nervosa e, pela janela da outra, tentou arrancar a chave [do contato]", contou Bárbara. "Como ela não conseguiu, deu um tapa na cara da outra, e os óculos de grau dela [que foi atingida] voaram para fora."

Segundo a testemunha, em seguida a motorista agredida desceu do automóvel e houve troca de puxões de cabelo, socos e chutes entre as duas.

"Um senhor que estava na pista oposta desceu, eu também desci, e fomos tentar afastá-las. Quase apanhei também. A mulher do carro branco estava muito alterada", disse Bárbara.

Antes de ir embora, a motorista que iniciou as agressões pegou os óculos da outra, que haviam caído no chão, e foi embora com eles.

"Ela fugiu. O pior foi que, como ela levou os óculos, que eram de grau, a outra mulher não conseguia nem ir embora", afirmou Bárbara. "Quem tirou o carro da pista foi outro homem, para o trânsito poder fluir, pois tinha parado totalmente durante a briga."

sábado, 1 de fevereiro de 2014

NO PAÍS DA NEGLIGÊNCIA

REVISTA ISTO É N° Edição: 2306 | 31.Jan.14


Combinação de irresponsabilidade do condutor, ausência de tecnologia e falta de fiscalização explica acidentes como o que matou cinco pessoas no Rio de Janeiro

Wilson Aquino, Michel Alecrim e Raul Montenegro (waquino@istoe.com.br)


IMPUNIDADE
Rio de Janeiro, terça-feira 28: caminhão com caçamba levantada
destrói passarela e mata pessoas diante das autoridades de trânsito

Eram 9 horas da terça-feira 28 quando Adriano Pontes de Oliveira, 26 anos, saiu de casa, na favela Águia de Ouro, em Inhaúma, zona norte do Rio de Janeiro, para o trabalho em uma agência bancária em outro bairro. Ele deveria atravessar a passarela sobre a Linha Amarela para pegar o ônibus. Mais ou menos no mesmo horário, a cinco quilômetros dali, Luiz Fernando da Costa, 30 anos, assumia o volante do caminhão com caçamba placa LLN 2225, em Água Santa, também na zona norte, com destino à região portuária. Costa resolveu cortar caminho pela Linha Amarela, apesar de saber que não poderia trafegar ali naquele horário, acelerou além do limite permitido de 80 km por hora e atendeu o celular. Motorista profissional há uma década, ele não temia a fiscalização, praticamente inexistente e comprovadamente ineficiente, e muito menos as multas irrisórias pelas infrações. Com a atenção desviada, não percebeu que a caçamba fora totalmente içada e, sem sensores que pudessem alertá-lo, seguiu em frente. A conjunção de negligências fez o que era previsto: 13 minutos depois, a caçamba derrubava a passarela e tirava a vida de Oliveira e de mais quatro inocentes.

A dona de casa Célia Maria, 64 anos, que atravessava a passarela para ir à feira, não aguentou o impacto que demoliu as 120 toneladas de concreto e caiu morta no asfalto. As três outras vítimas estavam em carros que passavam embaixo e foram esmagadas pelo entulho de aço que caiu sobre elas. No local, morreram o taxista Alexandre Gonçalves de Almeida e o motorista de um Palio, Renato Soares, 62 anos. No dia seguinte, faleceu no hospital o passageiro do Palio, Luiz Carlos Guimarães, 60 anos. Outras quatro pessoas ficaram feridas, entre as quais o motorista Costa. Pela Linha Amarela, circulam 130 mil veículos por dia. A via de 25 quilômetros conta com 51 câmeras e cinco radares de velocidade, além de três sensores de asfalto, para fiscalizar a circulação de caminhões fora do horário permitido, e de 100 policiais militares, distribuídos em sete cabines e torres de vigilância, dois carros e duas motocicletas. Nos dez primeiros dias de 2014, a PM multou apenas 127 caminhões por trafegar fora da hora permitida. Um dia depois do acidente, surpreendeu 341, num aumento de 1.800%. São Paulo ainda não viu acidente nas proporções do ocorrido no Rio – mas corre o risco, se nada for feito. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), foram 22 colisões de caminhões com passarelas e pontes no ano passado na capital, causando um transtorno substancial para o trânsito já caótico da cidade, cortada pelas marginais Pinheiros e Tietê – vias repletas de pontes e por onde os caminhões são obrigados a trafegar. Apesar de representarem apenas 2% da frota paulistana, os caminhões contribuíram com 12% dos acidentes com vítimas da cidade.


ENTALADOS
Em São Paulo, é comum que carretas altas demais fiquem presas em
viadutos, como o da avenida Pacaembu (ao lado) e do Bresser (no alto)

O acidente na Linha Amarela poderia ter sido evitado se já estivesse em vigor o projeto de lei, de autoria do deputado federal Antônio Bulhões (PRB-SP), que torna obrigatória a instalação de um alarme para alertar motoristas no caso de a caçamba estar levantada. Na capital paulista, por exemplo, onde a intercorrência mais comum é a de grandes veículos presos sob alguma ponte por ter altura indevida, a principal medida de prevenção da prefeitura são as chamadas vigas de sacrifício – portais instalados antes da entrada dos túneis para impedir o acesso de carretas muito altas. “Elas são a última linha de defesa para impedir que o veículo avance”, afirma Ricardo Simões, gerente de produtos de uma empresa que desenvolve tecnologia para o trânsito. Especialistas de modo geral também pedem a instalação, em todo o Brasil, de mais radares medidores de altura e painéis luminosos que avisem o caminhoneiro sobre o excesso de altura antes de uma eventual batida. Mas o sociólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Glaucio Soares diz que nenhuma medida adiantará se a falta de cultura cívica da população brasileira continuar. Um exemplo dessa incivilidade, segundo ele, é o perigoso hábito nacional de falar ao celular enquanto está dirigindo. Além da prática comum de tentar burlar os rodízios de veículos, muitos motoristas levantam a caçamba, por sinal, para esconder a placa e infringir a lei.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), Claudinei Pelegrini, aponta a carência de mão de obra treinada como outro grave problema. De acordo com ele, atualmente, faltam mais de 100 mil caminhoneiros no setor de transporte do País, o que faz com que muitos ­veículos fiquem parados no pátio. “Quando chega um motorista com carteira, muitas vezes ele assume um equipamento que não está preparado para dirigir, sem sequer passar por um curso de capacitação”, afirma Pelegrini. Estudioso de segurança e educação no trânsito, o sociólogo Eduardo Biavati atribui parte da responsabilidade às companhias que fazem o frete e deveriam monitorar se o veículo tem ou não condições de passar por determinada rota. Especialistas também chamam a atenção para a falta de interatividade dos agentes de trânsito em casos de emergência. “De que adianta ter muitas câmeras se os operadores ficarem olhando como se estivessem vendo tevê? Tinha de ter alguém que não deixasse o caminhão entrar numa via proibida”, afirma o engenheiro Fernando Mac Dowell. No ano passado, foram fiscalizados 7.170 veículos só em São Paulo, com 2.714 autuações por excesso de tamanho, mas o número ainda é baixo perto do exército de quase 150 mil caminhões na capital paulista – muitos deles, porém, vêm de fora e não entram na conta. No Rio, em 2013, foram aplicados 2.140.083 multas a veículos, das quais 123.372 a caminhões.



Apesar das falhas apontadas, a CET informa que o número de acidentes com carretas está caindo na cidade de São Paulo. A redução foi de 45% no ano passado em relação ao anterior, e o índice de acidentes envolvendo vítimas recuou entre 2011 e 2012. Especialistas ouvidos por ISTOÉ, porém, afirmam que o quadro só terá uma mudança efetiva se o valor das multas, que hoje é muito baixo para a maioria das infrações e acaba estimulando o não cumprimento das regras, for revisto. No Rio, a taxa é de R$ 85,13 e, na capital paulista, de R$ 127,69 para excesso de altura. O professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília Paulo César Marques da Silva estima que há uma defasagem de 87% nesses preços. “É preciso que a multa de fato seja uma penalidade, e não um valor que se paga para cometer uma infração”, diz.

Fotos: YASUYOSHI CHIBA/AFP PHOTO; Mário Angelo/Folhapress;
Adriano Lima / Brazil Photo Press


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ACIDENTE ENTRE ÔNIBUS, CARRETA E TRATOR DEIXA PELO MENOS 11 MORTOS NA BR 110

R7 - 27/1/2014 às 14h38


Acidente entre ônibus, carreta e trator deixa pelo menos 11 pessoas mortas na BR 110. Segundo informações da Nucom, os dois sentidos da rodovia foram fechados

Do R7


Segundo a PRF, 21 pessoas ficaram feridas no acidenteReprodução/Record Bahia


Carreta carregava trator, que se soltou e colidiu contra o ônibusReprodução/Record Bahia

Um acidente envolvendo um ônibus, uma carreta e trator na manhã desta segunda-feira (27), deixou pelo menos 11 pessoas mortas, na BR 110.

Segundo informações da Nucom (Assessoria de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal), um caminhão transportava um trator, quando o veículo se soltou e colidiu com um ônibus entre os km 310 e 315, próximo ao município de Inhambupe.

O ônibus da empresa Gontijo estava com 27 passageiros. O veículo saiu da cidade de São Paulo com destino a Paulo Afonso, na Bahia, segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Alagoinhas.

Inicialmente, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou que sete pessoas morreram, mas os dados foram atualizados para 11 mortes. Ainda de acordo com o órgão, 21 pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças.

A secretaria de saúde de Alagoinhas, município próximo ao local do acidente, informou que 14 feridos deram entrada ao Hospital Dantas Bião, oito em estado grave. Segundo a secretaria, seis pessoas estão passando por cirurgia. Quatro foram transferidos para o HCA (Hospital das Clínicas de Alagoinhas).

Ainda segundo o órgão, por conta do acidente, os dois sentidos da rodovia foram fechados. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi encaminhado para o local.

sábado, 25 de janeiro de 2014

MOSTRANDO A CARA





ZERO HORA 25 de janeiro de 2014 | N° 17684

ARTIGOS

por Aline Doral Stefani Fagundes*




Impressionante o efeito que o carro tem sobre as pessoas. Dentro dele, todas as regras de etiqueta se transmudam, dando lugar a uma terra de bárbaros, onde tudo se justifica em nome da loucura do trânsito. Para começar, não é o trânsito que está louco. O que é o trânsito, senão nós mesmos? Assim como o engarrafamento: não estamos nele, nós somos ele.

Enganada pelo ponto cego do retrovisor, saí de uma vaga junto ao meio-fio sem perceber uma Kombi avançando na minha direção. O motorista – mais atento do que eu – freou bruscamente ao mesmo tempo em que colou a mão na buzina. Nada que eu não merecesse. Ciente da minha falha, segui até parar ao seu lado na sinaleira e abri o vidro para pedir desculpas. Ao me ver abrindo o vidro, e antes que eu pronunciasse qualquer palavra, o motorista me olhou enfurecido e rosnou agressivo: “O que é que foi?”. Encolhida, agradeci pela atenção e baixa velocidade dele, sem as quais teríamos colidido. No mesmo momento, a face vermelha de cenho enrugado deu lugar a um largo e doce sorriso: “Capaz! Não foi nada! Acontece!”. A minha bandeira de paz permitiu que ele visse o óbvio: de fato, acontece. E ainda bem que não foi nada mesmo. O motorista se postou em posição de combate porque a regra geral no trânsito é revidar com violência, com ou sem razão. O curioso é que as mesmas pessoas em um contexto equivalente, porém a pé, não teriam, via de regra, uma reação semelhante.

A internet também é palco de reações parecidas. Nada como poder clicar no botão de fechar para simplesmente encerrar uma conversa. Também é uma mágica fascinante deletar uma postagem desagradável, como uma versão virtual de um “cala boca”. Comentários rudes, então, saem com a mesma facilidade de quem declama um poema, pois dá para fazer tudinho sem olho no olho, sem ver os olhos brilhando, o nó se formando na garganta e sem ter que encarar o espanto de reprovação diante de tamanha descortesia. E se a matéria for futebol, o festival de coices é de dar inveja no mais pirracento dos quadrúpedes. É bem verdade, por outro lado, que a internet é uma mão danada na hora da cantada. Todo mundo vira Dom Juan, porque, na pior das hipóteses, vai ter que administrar a dor de um bloqueio. Nada mal.

E eu que achava que só o papel – no meu caso, os processos – promovia essa distância. Petições iniciais e contestações cravejadas de xingamentos dão lugar, na sala de audiências (nem sempre, é claro), a um formal e suave data venia. Nada como ter que mostrar a cara, sem estar protegido pelo carro, pela internet ou pelo processo.

Neste ano, desejo dirigir como se estivesse a pé e escrever como se estivesse falando. E desejo sempre lembrar que “obrigado”, “por favor”, “desculpa” e “com licença” persistem depois que a porta do carro se fecha.




*JUÍZA DO TRABALHO SUBSTITUTA

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PARA ENTIDADES, VERBA PARA CAMPANHAS É INSUFICIENTE



ZERO HORA 24 de janeiro de 2014 | N° 17683

DETRAN-RS


Entidades criticam e consideram baixos os investimentos do Detran em campanhas educativas e de prevenção a acidentes no trânsito. Ontem, reportagem de ZH mostrou que, no ano em que a autarquia aumentou sua arrecadação em 47,6% e o “lucro” em 151,5%, as despesas com ações de segurança cresceram em ritmo menor: 27,8%, totalizando R$ 15,8 milhões.

Gerente institucional da Fundação Thiago Gonzaga, Ana Maria Dall’Agnese acredita que, para uma redução drástica nas estatísticas de mortes nas estradas, é imprescindível que os valores aplicados sejam maiores. Para ela, as ações de conscientização devem ocorrer não apenas em operações nas ruas, como o Balada Segura, mas parte de um processo permanente, desde a Educação Infantil.

– Enquanto o governo não tirar isso do papel, infelizmente vamos nos conformar com os números de mortes no trânsito. Queremos e precisamos de mais investimentos, e o Estado tem dinheiro para fazer mais.

O advogado Pablo Weiss, membro da Associação de Ciclistas de Porto Alegre, reclama do desleixo do Detran com o segmento. Segundo ele, ações voltadas para promover a boa convivência entre carros e bicicletas – que conta com um número crescente de adeptos – praticamente inexistem.

– Muitos acham que lugar de bicicleta é na calçada, junto com o pedestre, e não na mesma pista de rolamento. Não é o que diz o Código de Trânsito Brasileiro – reclama.

Conforme o presidente do Detran, Leonardo Kauer, desde 2010, houve uma queda de 10% nos acidentes com morte nas estradas. Para este ano, a autarquia projeta investir R$ 34,2 milhões em ações e campanhas de educação para o trânsito.


CAIXA REFORÇADO

Ao cobrar taxas mais altas, departamento engordou finanças em 2013

- No primeiro ano em que vigoraram as novas taxas do Detran, a arrecadação do órgão aumentou 47,6% em relação a 2012, alcançando R$ 1,1 bilhão.

- No mesmo período, o superávit (“lucro”) foi de R$ 430 milhões e, ao parar no caixa único, ajudou o Piratini a bancar despesas gerais.

- A autarquia aplicou R$ 15,8 milhões em 2013 em campanhas de educação no trânsito, valor 27,85% superior ao investido no ano anterior.

- O projeto do Piratini que autorizou o aumento das cobranças do Detran elevou algumas taxas cobradas dos motoristas em até 140%.


Balada Segura é a principal ação preventiva da autarquia no Estado


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A Balada Segura não é uma ação preventiva, mas puramente repressiva, por ser uma blitz para multar e encaminhar à polícia os infratores sob substância alcoólica. Campanhas educativas são realizadas com ações informativas, cursos, seminários, palestras, orientações, direção defensiva, entre outros eventos promovidos para prevenir, educar e criar uma cultura de segurança e paz no trânsito. Além disto, fazem parte da prevenção uma permanente fiscalização da sinalização e segurança das vias públicas e a presença do policiamento ostensivo e discreto nos trechos onde são maiores de riscos de acidente conforme diagnóstico periódico.