quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

NINGUÉM É DE NINGUÉM


WANDERLEY SOARES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Quarta-feira, 04 de Janeiro de 2012.


Nas discussões das questões do trânsito, a hipocrisia costuma soterrar as tragédias.

O trânsito, sabemos todos nós, é, em nosso País, e o RS ocupa uma posição não invejável mas destacada nesse processo, um de nossos mais aberrantes flagelos. Exatamente por isso, aqui da minha torre, sempre como um humilde marquês, há alguns anos defendo a ideia de tolerância zero para infratores nas áreas urbanas, nas rodovias e até nos recantos rurais, estejam ou não sóbrios, tenham ou não tenham habilitação, sejam ou não sejam doutores ou dotados de outros títulos como filhos ou aparentados de fulano, cicrano ou de beltrano. Isso parece uma obviedade.

No entanto, tal tolerância zero é contestada por ações, não por intenções, a cada minuto, a cada segundo nas áreas urbanas por jovens, cada dia em maior número, por senhores e senhoras de todas as idades, por profissionais do volante e até por policiais em motos e viaturas sob a alegação de tarefas urgentes.

Essa legião de infratores estabelece a cultura de nosso trânsito e consegue até protestar contra o "rigor" de uma fiscalização que é feita sem efetivo, com salários defasados e equipamentos em grande parte sucateados. É essa a cultura em nosso trânsito que em parte das zonas urbanas chega a ser disciplinado por flanelinhas.

Vale alta velocidade, desrespeito a faixas de segurança, não obedecer a sinaleiras, buzinaços. Ah, mas diante de uma tragédia numa rua, numa estrada qualquer, então brota o clamor, o pedido de justiça sem atenuantes, a exigência de cadeia, a ameaça de linchamento. Passado o impacto, tirante os familiares e amigos das vítimas, a sociedade volta ao seu lugar com a mesma filosofia de nosso cancioneiro de que "ninguém é de ninguém, na vida tudo passa".

LIBERAÇÃO PARA MATAR



BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Quarta-feira, 04 de Janeiro de 2012.


Se você tem endereço fixo, carteira assinada e nenhum antecedente criminal, está liberado para matar, não apenas dirigindo bêbado, mas de qualquer forma.

Recebi algumas mensagens de leitores garantindo que a impunidade não é uma prerrogativa garantida aos assassinos do trânsito, caso tratado aqui da modelo e do vereador que, alcoolizados, foram responsáveis pela morte de duas pessoas no Litoral Norte, os quais já estão com liberdade garantida por decisão judicial.

Segundo a maioria, se você tem endereço fixo, carteira assinada e nenhum antecedente criminal, está liberado para matar, não apenas dirigindo bêbado, mas de qualquer forma. O ideal, segundo os especialistas, é fugir do flagrante, mas, se não for possível, basta confessar o crime e entregar a arma para o delegado e depois ir ao cinema.

Pode ser que uma fiança seja definida, mas daí basta ficar prevenido e guardar alguns tostões para a ocasião. Tudo organizado, basta definir quem você gostaria de ver eliminado do planeta e mãos à obra!

Apenas fique ligado para não resolver matar um desafeto metido a "caçador", já que se em meio a uma caçada proibida de algum animal silvestre você errar o tiro e acertar em uma presa do tipo jacaré do papo amarelo, o crime é ambiental, prisão inafiançável com pena prevista de três anos em regime fechado! Parece piada?

Pergunte para alguém entendido na legislação brasileira e confirme essa realidade deprimente. Ah, não se esqueça de garantir um bom advogado, já que daí a certeza de liberdade será absolutamente previsível e garantida. Não é culpa da polícia ou do Ministério Público ou mesmo do juiz, a culpa é da legislação.

Mas, insisto, não se esqueça de contratar um bom advogado, pois pode ser que o juiz seja rigoroso e conservador e daí tudo pode mudar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

MAIS QUE IMPRUDÊNCIA

EDITORIAL ZERO HORA 03/02/2011

A imprudência já virou rotina nas estradas do país. Tanto que, só no Rio Grande do Sul, as polícias rodoviárias federal e estadual aplicaram 91 multas por hora no último final de semana de virada do ano. Em menos de três dias, foram registradas mais de 5 mil multas, a maioria por descaso com o cinto de segurança, por ultrapassagens perigosas e por excesso de velocidade. Infelizmente, também ocorreram episódios que não podem ser caracterizados apenas como imprudência, dos quais o mais triste exemplo foi o acidente que causou a morte de duas pessoas na Estrada do Mar. Nesse caso específico, o que houve foi mesmo um crime, adequadamente tipificado como dolo eventual pelo delegado de Capão da Canoa, que autuou em flagrante e determinou a prisão dos responsáveis pela tragédia.

Foram responsabilizados o empresário Paulo Afonso Corrêa Júnior, que também é vereador em Tramandaí, e a modelo Tatieli da Silva Costa, que dirigia o carro sem habilitação e sob efeito de bebida alcoólica. De acordo com o delegado, a motorista assumiu o risco de matar, pois estava embriagada, em alta velocidade e na contramão. Merece mesmo punição rigorosa quem, por absoluta irresponsabilidade, provoca tamanha desgraça, destruindo vidas e infelicitando famílias. Permite a mesma abordagem o acidente ocorrido em São Paulo, no fim de semana, no qual um motorista comprovadamente bêbado provocou acidente em que morreram uma mulher grávida e seu bebê de oito meses de gestação. O responsável pela destruição de uma família já respondia a processo por dirigir embriagado.

Os dois casos comprovam que campanhas educativas não bastam. É preciso reprimir e punir. Projetos nesse sentido tramitam no Congresso, e preveem que, em tais circunstâncias, o motorista será tratado como criminoso. O INSS já faz a sua parte, ao exigir na Justiça que condenados por delitos no trânsito paguem aos parentes das vítimas as pensões por morte. Os acidentes de trânsito provocam despesas de R$ 8 bilhões anuais para a Previdência. Mas não há reparação para vidas perdidas. Por isso, a criminalização de motoristas embriagados é um imperativo, para que o número de delitos seja reduzido e, principalmente, para que homicidas não continuem impunes.

ASSASSINOS DO TRÂNSITO


BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Terça-feira, 03 de Janeiro de 2012.


Na teoria da lei, vivemos um momento de punição aos motoristas que dirigirem bêbados.

O número reduzido de mortos no trânsito durante as festas de final de ano, fato a ser comemorado, perde a importância quando refletimos sobre o acidente envolvendo três carros, que resultou na morte de dois inocentes, o taxista Ivo Ferrazzo, 63 anos, e a bailarina Alaíde da Silva Linck, 28 anos. Ivo morreu durante o atendimento no hospital. Alaíde implorou por socorro durante vários minutos enquanto os socorristas tentavam retirá-la em meio às ferragens distorcidas. Provavelmente uma morte em condições hediondas, sem qualquer chance de defesa. E, por longos e intermináveis minutos, deve ter mantido a esperança de atendimento. Morreu ao perceber que estava exaurida, condenada a morte.

Uma morte cruel, dolorosa, aterrorizante, vítima da irresponsabilidade, inconsequência de duas pessoas que mantêm acesa a cruel realidade, segundo a qual, no Brasil, assassinatos cometidos no trânsito não resultam em prisão e cumprimento de pena em regime fechado. Não dá nada! A jovem modelo que estava dirigindo o carro responsável pela tragédia dirigia sem habilitação e apresentava sinais de embriaguez, conforme prova testemunhal dos policiais militares e dos socorristas da Samu, que atenderam a ocorrência.

A modelo, segundo consta, mora em Portugal e estava no Estado para curtir as festas. O proprietário do veiculo é suplente de vereador em Tramandaí, filho de família tradicional da cidade. A modelo foi presa em flagrante por duplo homicídio e uma tentativa de homicídio com dolo eventual, no qual a pessoa assume o risco de matar. Segundo o delegado de plantão de Capão da Canoa, Cesar Renan Rodrigues dos Santos, o suplente de vereador responderá pela coautoria dos dois crimes por ter entregado a direção a uma pessoa não habilitada.

Ele alegou que também teria consumido bebidas alcoólicas e por isso mesmo entregou a direção à amiga. Os dois, portanto, estavam sob efeito de álcool. O Ministério Público, diante de todas as evidências, pediu a prisão dos autores. A Justiça acolheu o parecer da promotora, homologou a prisão temporária dos dois suspeitos e depois concedeu a liberdade provisória. Para o juiz, tanto o empresário quanto a modelo possuem residência fixa, não têm antecedentes criminais e não devem ficar presos sem condenação. No entanto, eles terão de cumprir medidas cautelares, como não deixar o País.

Dois cadáveres. Duas famílias destroçadas. É possível imaginar o pavor da bailarina presa entre as ferragens agonizando em meio a dores lancinantes, impotente diante do fato de que não seria possível continuar a viver, pois as ferragens a mantinham cativa em uma armadilha mortal e inexorável. E, na teoria da lei, vivemos um momento de punição aos motoristas que dirigirem bêbados. Em meio as nossas ilusões, imaginamos que dirigir bêbado e sem habilitação corresponde a um crime com agravante em uma eventual e merecida pena de prisão por assassinato.

Uns usam um revólver ou faca, outros usam as próprias mãos para matar e são considerados assassinos, pura e simplesmente assim: assassinos. Porém, quem usa um carro tem uma interpretação generosa de que produziu apenas um acidente. Acidente? E as duas vítimas? Farão parte das estatísticas da impunidade que campeia a República brasileira. As polícias continuarão a fazer o teatro de aparentemente surpreenderem criminosos através de blitz com todo o aparato de Estado e com o uso de equipamentos - bafômetros ou etilômetros - em uma patética demonstração de que somos um País sério.

Todos têm licença para matar, não apenas uma pessoa, mas até uma família inteira, que não dá nada! Desde que não tenha nas mãos uma revólver ou um tacape. Deve utilizar um veículo de quatro rodas, com ou sem habilitação, bêbado ou não! É deprimente para um começo de ano! Será que algum dia essa impunidade vai acabar?

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Só "na teoria da lei" os motoristas embriagados são punidos, pois a impunidade é protegida por uma constituição esdrúxula, legisladores ausentes e por uma justiça benevolente.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

IMPRUDÊNCIA E TRAGÉDIA

MORTES NO ASFALTO. Imprudência e tragédia no Litoral. Motorista sem carteira de habilitação foi presa em flagrante após acidente que matou duas pessoas na Estrada do Mar, em Xangri-lá - KAMILA ALMEIDA, zero hora 02/01/2012

A imprudência fez com que o ano de 2012 começasse com tragédia no Litoral Norte. A história de dois motoristas foi interrompida no km 30 da Estrada do Mar por uma colisão brutal no início da manhã de ontem. Alaíde da Silva Linck, 28 anos, e Ivo Ferrazo, 63 anos, dirigiam um Prisma e um Corsa (um táxi), respectivamente, quando se envolveram em acidente com um Vectra. Sem habilitação e com suspeita de embriaguez, a condutora do Vectra, Tatieli da Silva Costa, 27 anos, acabou presa em flagrante.

Segundo testemunhas, o Vectra, que andava no sentido Torres-Osório, colidiu frontalmente com o Prisma, que estava na pista oposta. O Prisma teria sido arremessado contra um Corsa, que seguia na mesma direção. O Vectra rodopiou no asfalto e foi parar a 30 metros dos outros dois carros, quando capotou. Ferrazo, que dirigia o táxi, foi conduzido ao Hospital Santa Luzia, de Capão da Canoa, mas não resistiu. Os bombeiros precisaram de quatro horas para tirar Alaíde das ferragens. Ela ficou viva por uma hora, presa por pernas, abdômen e tórax.

– Ela pedia para que eu a salvasse, dizia que estava com muita dor nas pernas – disse o médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Christian Vinicius Werlang.

O passageiro do táxi, Tiago Barreto Macieira, 26 anos, teve alta. Karine Bueno Flores, 25 anos, estava na carona da amiga que morreu e permanecia internada até a noite de ontem.

A motorista Tatieli da Silva Costa, 27 anos, dirigia o Vectra do empresário e político Paulo Afonso da Rosa Corrêa Júnior, 27 anos, ambos hospitalizados até a noite de ontem. Tatieli foi autuada em flagrante por duplo homicídio e uma tentativa de homicídio, com dolo eventual, disse Cesar Renan Rodrigues dos Santos, delegado de plantão na Delegacia da Polícia Civil (DP) de Capão da Canoa.

Segundo Santos, a prova testemunhal de rodoviários, do médico da Samu e da equipe de socorristas foi suficiente para atestar que ela apresentava sinais de embriaguez.

– Estar sem carteira de motorista é um agravante, além de dirigir embriagada, andar em alta velocidade na contramão. Está claro que ela assumiu o risco de matar – disse o delegado.

O carona, que seria o responsável pelo veículo, foi autuado por coautoria nos dois homicídios e tentativa de homicídio e por ter entregue a direção para pessoa não habilitada. Os dois não quiseram se manifestar.

Modelo dirigia carro de vereador de Tramandaí

Passageiro do Vectra envolvido no acidente na Estrada do Mar, o empresário Paulo Afonso da Rosa Corrêa Júnior, 27 anos, assumiu o posto de vereador no município de Tramandaí há apenas dois meses. Eleito 1º suplente da Câmara de Vereadores pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB) em 2008, em novembro assumiu uma vaga em decorrência da extinção do mandato de outro parlamentar, que depois acabou recuperando a cadeira. Atualmente, o posto se encontra em disputa.

– Estamos pleiteando que retome a vaga – afirma Waldir Canal, do diretório estadual do PRB.

Além da carreira política, Paulinho do Triângulo – como é conhecido pelo fato de sua família ser proprietária do restaurante Triângulo, em Tramandaí – é empresário do ramo de entretenimento e lazer. Há três anos, conforme informações da assessoria de imprensa do partido, criou uma empresa de paintball (prática de tiro recreativo com bolas de tinta) junto à Estrada do Mar.

Segundo conhecidos, Paulo seria amigo há vários anos da modelo Tatieli da Silva Costa, 27 anos, a quem entregou a chave do Vectra e que dirigia o veículo no momento do acidente. Tatieli mora em Lisboa, Portugal, onde realizaria trabalhos para agências de modelo e organização de eventos. Antes de migrar para a Europa, também trabalhou como modelo no Brasil.

– Ela tem cadastro em algumas empresas, inclusive a nossa, embora não tenha realizado trabalhos conosco – afirmou, ontem, por telefone, o responsável pela agência portuguesa Glimmer, João Mendes.

Ela teria vindo ao Brasil passar o Réveillon com a família, que teria raízes em Tramandaí.


As vítimas

ALAÍDE DA SILVA LINCK, 28 ANOS - Um menino de sete anos não receberá mais o abraço da mãe. Miguel é filho de Alaíde da Silva Linck, 28 anos, bailarina e estudante de Educação Física que estava a um ano de se formar. Revoltada, a amiga de adolescência Flávia Silva Miguel Lopez, 31 anos, disse que o menino estava com a mãe, outras duas crianças e mais três amigas de Alaíde em um apartamento alugado em Capão da Canoa. Uma criança vai ficar órfã por causa de dois irresponsáveis – lamentou. Alaíde era a caçula da família, morava em Gravataí e dava aulas de balé na cidade. Tinha ido a uma festa em uma casa noturna de Xangri-Lá com as amigas após passar o Réveillon na beira da praia de Capão da Canoa.

IVO FERRAZO, 63 ANOS - Há vários anos trocou Caxias do Sul pelo Litoral Norte, onde trabalhava no ramo da construção civil e como taxista na praia de Rainha do Mar, em Xangri-Lá. Era conhecido entre os colegas como um profissional correto e sempre disposto a ajudar. Nunca vi sair um “não” da boca dele. Sempre que necessário, ele fazia o possível para dar uma mão – conta o amigo e presidente da Associação dos Taxistas de Xangri-lá, Luiz Antônio Engers, 50 anos. Gostava de comer churrasco e sempre participava dos encontros entre os taxistas da cidade. Conforme Engers, que também era vizinho da vítima, Ferrazo havia ficado viúvo cerca de dois anos atrás. Além de trabalhar em Xangri-lá, costumava transportar passageiros entre a praia de Rainha do Mar e cidades da Serra.

RÉVEILLON REGISTRA 91 MULTAS POR HORA


DE OLHO NAS ESTRADAS. Em 60 horas de fiscalização, Operação Viagem Segura autuou 5.491 motoristas nas rodovias estaduais e federais gaúchas - ZERO HORA 02/01/2012


As polícias rodoviárias federal e estadual aplicaram 91 multas por hora nas estradas gaúchas durante o Ano-Novo. Em 60 horas de fiscalização, do meio-dia de quinta-feira até as 24h de sábado, foram autuados 5.491 motoristas. O balanço final, que incluirá o domingo, será apresentado na tarde de hoje.

Em relação ao ano passado, houve redução nas autuações. No final de 2010, de quinta-feira até sábado, foram 126 multas por hora, tendo como maior causa o excesso de velocidade. Um dos motivos para a diminuição foi o tempo chuvoso, que inibiu os deslocamentos das pessoas e a própria fiscalização das polícias.

Neste Réveillon, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Comando Rodoviário da Brigada Militar e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) realizaram a Operação Viagem Segura. A contagem das ocorrências começou ao meio-dia de quinta-feira, quando milhares de famílias já viajaram para os balneários gaúchos e catarinenses para aproveitar o feriado bancário de sexta-feira.

Até as 24h de sábado, a PRF e o Comando Rodoviário fizeram 61.226 abordagens de veículos, que resultaram nas 5.491 autuações. Durante os procedimentos, 674 carros foram removidos para depósito, por não estarem em condições de trafegar, e 165 condutores tiveram as Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) recolhidas.

Na fiscalização, também foram aplicados 480 testes com bafômetro, que comprovaram 75 infrações por embriaguez e 43 crimes de trânsito (concentração acima de 0,33 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões).

Os casos de embriaguez ao volante também ficaram abaixo do estimado. Policiais rodoviários federais autuaram 15 motoristas alcoolizados – número considerado baixo. O chefe da Comunicação da PRF, inspetor Alessandro Castro, avaliou que os condutores estiveram mais atentos nesta virada de ano.

– Pode-se dizer que as pessoas tomaram mais consciência – observou.

Coordenada pelo Comitê de Mobilização pelo Trânsito Seguro, a Operação Viagem Segura terá o detalhamento das infrações na tarde de hoje, na sede do Detran, em Porto Alegre.

DE OLHO NAS ESTRADAS. Falta do uso do cinto em primeiro lugar

Neste ano, o Comando Rodoviário constatou particularidades nas estradas estaduais. O excesso de velocidade, tradicionalmente a maior causa de multas, ficou em quarto lugar. A principal foi a falta do uso do cinto de segurança, seguida de ultrapassagens em locais proibidos.

As blitze da Operação Viagem Segura serão encerradas hoje ao meio-dia. Ontem, quem retornou do Litoral encarou lentidão, mas nada comparado a anos anteriores. O céu cinzento e a chuva ocasional anteciparam o início do movimento de retorno das praias, distribuindo o fluxo de veículos ao longo do primeiro dia de 2012.

– Há bastante movimento, mas em outros anos foi bem pior – avaliou Jair Pires, 36 anos, que, ontem, viajava de Nova Tramandaí a Gravataí com a mulher Cláudia Garcia, 38 anos, e os filhos Wesley, 14 anos, Tainá, 12 anos e Emily, sete anos.

Na freeway, no sentido Litoral-Porto Alegre, os trechos de lentidão foram registrados, principalmente entre os kms um e cinco. Até as 21h40min de ontem, 56 mil veículos haviam passado pela rodovia rumo a Porto Alegre – a estimativa da Concepa é de que, ao todo, 130 mil carros retornassem pela freeway entre ontem e hoje.

Às 14h, a concessionária registrou a taxa de 80 veículos por minuto no pedágio de Santo Antônio da Patrulha. O pico foi pouco depois das 15h, quando uma saída de pista reteve o fluxo, fazendo com que 87 carros passassem pelo pedágio a cada minuto. Perto das 21h, um acidente deixou o trânsito lento entre Glorinha e Gravataí. Já a rodovia Gravataí-Osório (ERS-030), alternativa para a freeway, registrou trânsito mais lento por volta das 19h.

A Rota do Sol também teve movimento intenso no retorno do feriado. No Estado, entre o meio-dia de sexta-feira e o início da noite de domingo, foram registradas pelo menos seis mortes no trânsito.

Acidentes

- Candiota – Ricardo Abrelino Falcão dos Santos, 43 anos, trafegava em uma bicicleta e morreu ao ser atropelado às 6h de ontem.
- Candelária – Renan Bortoluzzi Filho, 24 anos, morreu em acidente na rodovia Sobradinho-Candelária (ERS-400), ao meio-dia de sábado.
- Novo Hamburgo – Ademir José da Silva Junior, 45 anos, morreu após perder o controle da moto que pilotava, às 2h30min de sábado.
- Viamão – João Anildo dos Santos, 44 anos, morreu em um acidente na rodovia Viamão-Gravataí (ERS-118), às 23h30min de sábado.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Por que não divulgam os tipos de infrações cometidas e quantas destas tiveram advertência ao motoristas? E qual foi a eficácia destas multas na prevenção dos acidentes, já que o número de acidentes só vem aumentando a cada ano?

Infelizmente, instalou-se no Brasil uma indústria da multa e um total descaso para a educação dos motoristas e ações preventivas contra acidentes de trânsito. É muito mais fácil colocar pardais e radares para multar do que manter uma presença ostensiva de policiais nas estradas e fazer a abordagem ao motorista para educá-lo. A conscientização do motorista passa pela punição (temeridade da multa), educação (abordagem), prevenção (ação de presença policial), condições das estradas e sinalização perfeita. Entretanto, o que se vê nas rodovias são as reduzidas blitz, a ausência policial nos trechos, as multas sem abordagem, a falta de campanhas educativas voltadas ao motoristas, estradas em péssimas condições e sinalização com velocidade inadequada para a estrada, placas destruídas e mal colocadas.

É preciso colocar policiais rodando nos trechos com uma rotina de abordagem dos motoristas, comunicação dos perigos, advertência, conscientização em palestras rápidas, observação de ultrapassagens e velocidade indevidas e verificação das condições das estradas e da sinalização para denunciar à autoridade responsável pela via.

Além disto, a legislação deveria ser alterada para assegurar o fortalecimento das autoridades de trânsito, responsabilizar o Poder Executivo pela construção e manutenção das rodovias e tirar direitos que submetem o interesse público e a paz social, entre eles, aqueles que dificultam a aplicação da lei seca pela justiça.

domingo, 1 de janeiro de 2012

ACIDENTE ENVOLVE MODELO EMBRIAGADA E DUAS MORTES


Colisão em Xangri-lá. Motorista de Vectra envolvida em acidente na Estrada do Mar é presa em flagrante. Tatiele da Silva Costa, 27 anos, foi algemada no hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa - Kamila Almeida, ZERO HORA ONLINE, 01/01/2012 | 15h11

A motorista do Vectra envolvido no acidente na Estrada do Mar em Xangri-lá foi presa em flagrante e será autuada por homicídio com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar) por dirigir alcoolizada e sem carteira de motorista, segundo o delegado de plantão da Delegacia de Polícia de Capão da Canoa, Cesar Renan Rodrigues dos Santos. Tatiele da Silva Costa, 27 anos, foi algemada no hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa. Ela é gaúcha de Tramandaí, mora há quatro anos em Portugal, onde trabalha como modelo, e veio passar o Reveillon com a família em Tramandaí.

Segundo Cesar Renan Rodrigues dos Santos, delegado de plantão da Delegacia de Polícia de Capão da Canoa, o flagrante foi decretado com prova testemunhal dos policiais do Comando Rodoviário da Brigada Militar e dos médicos e funcionários da SAMU que atenderam a ocorrência.

O passageiro, Paulo Afonso da Rosa Correia Jr, de 27 anos, foi autuado por coautoria em função de ter entregado a direção a um motorista alcoolizado e sem carteira de motorista. Os dois devem ser encaminhados ao presídio de Osório. Foi solicitada pelo delegado uma escolta policial até a manifestação do juiz sobre a conduta dos suspeitos.

Procurada pela reportagem de Zero Hora, a mãe de Paulo Afonso disse estar chocada e não querer falar sobre o assunto ou se identificar. Segundo ela, o acidente foi uma "fatalidade". Ela já havia sido informada que a modelo tinha sido presa, mas disse não saber sobre a autuação do filho.

O acidente ocorreu no quilômetro 330 da Estrada do Mar, em Xangri-lá, próximo ao acesso a Capão da Canoa. O Vectra com placas de Tramandaí bateu de frente contra um Prisma com placas de Gravataí. Um terceiro veículo, um táxi modelo Corsa que vinha atrás, também acabou envolvido. O taxista que dirigia o Corsa foi identificado como Ivo Ferrazzo, de 63 anos. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas morreu durante o atendimento.

A outra vítima, a motorista do Prisma, foi identificada como Alaíde da Silva Linck, de 28 anos. Ela continuava viva quando o socorro chegou, mas, presa nas ferragens, não pode ser atendida e morreu.